Vale tudo para o bebé dormir mais horas?

Os métodos de treino de sono assentam em duas vertentes: por um lado em não “recompensar” o bebé dando-lhe a resposta ou acção que ele pretende e manifesta através do choro (essa é a parte de “treino”); por outro lado propõem estratégias que condicionam ou modificam o ambiente, para além da organização do dia através de rotinas e horários

“Truques” como o cluster feeding artificial (dar vários biberões com intervalos curtos entre si no final da tarde, mesmo que os bebés não os peçam) para fazer o tanking – (“encher bem” o bebé), o dreamfeeding, (em português inocentemente chamado de “leitinho dos sonhos”) e que não é mais que alimentar o bebé enquanto dorme, sem que ele sequer o peça; dar leite frio em vez de morno, ou diluir progressivamente a fórmula em cada vez mais água, parecem-lhe decisões características tomadas às 5 da manhã por pais desesperados, dispostos a tudo para que os seus bebés durmam?

Parecem, mas não são.
São algumas propostas que constam de métodos de treino de sono.

Por um lado, os treinadores de bebés apontam aos pais os “erros frequentes” que cometem e que incluem actos tão instintivos como adormecer ao colo ou na maminha, embalar ou cantar. Por outro lado, sugerem-se estratégias que, sem qualquer fundamento científico de suporte que demonstrem o seu benefício para o bebé, tentam conseguir a custo mais horas de sono contínuo. Mesmo que essas sejam alcançadas, por exemplo, pela letargia pós-prandial (a sensação de enfartamento) de um bebé a quem foi dado um (ou vários) biberões que não pediu.

O que pode acontecer quando deixamos de responder ao fisiologicamente esperado pelo nosso bebé e adoptamos outras estratégias? Para além de estarmos a interferir directamente nos seus padrões de alerta e resposta, poderemos estar também a desligar-nos daquilo que instintivamente nos faz responder aos pedidos do nosso bebé, da própria regulação hormonal com que a Natureza nos dotou. Dizer aos pais “sigam o seu instinto” não é só uma frase feita, é um convite simples mas complexo para olharem para os seus bebés e lerem em cada momento aquilo que ele está a pedir-lhes. Não por “manha” ou “vício”, mas porque precisa e por isso o pede.

Porque um instinto que deixa de se ouvir, torna-se inseguro e vai precisar de uma voz externa para o guiar. Deixa de ser instinto. Autoras:  Constança Ferreira, Terapeuta de Bebés Mariana Cordeiro Ferreira, Psicóloga Clínica

Centro do Bebé

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