Tudo o que tem de saber sobre a diarreia no bebé

É importante os pais saberem reconhecer os sinais de desidratação no bebé para decidiram como e quando tratar, aconselha a médica Isabel Afonso, gastroenterologista pediátrica no Hospital Lusíadas Lisboa, com quem estivemos à conversa.
créditos: Pixabay

O que é a diarreia?

A diarreia define-se como o aumento da frequência das dejeções e/ou a diminuição da consistência das fezes.
 A principal causa de diarreia aguda é a infeção viral.
 Trata-se de uma situação habitualmente benigna, com duração de três a sete dias. Pelo aumento da excreção de água e eletrólitos, pode conduzir à desidratação, sobretudo nas crianças com menos de um ano.

É fácil detetar a diarreia no bebé?

É importante os pais saberem reconhecer os sinais de desidratação para decidiram quando e como tratar.

Para reconhecer se a criança está a ficar desidratada deverá ter em atenção a presença de aspetos ou sinais como irritabilidade ou prostração
, sede mais acentuada, boca pouco húmida ou seca, ausência de lágrimas, olhos encovados e diminuição da quantidade de urina (menos de 1 fralda em 6 horas).

No caso desses sinais o que deve ser feito?

Se se observarem estes sinais ou se a diarreia persistir, contacte o médico. O risco de desidratação é mais elevado quando a criança tem idade inferior a 12 meses
, tem um número de dejecões igual ou superior a seis vezes por dia, 
tem um número de vómitos igual ou superior a três vezes por dia ou recusa líquidos. A prevenção da desidratação pode e deve ser iniciada pelos pais e pelos outros prestadores de cuidados às crianças logo que se instalem os primeiros sinais de doença.

O tratamento da diarreia passa pela prevenção e correção da desidratação e realimentação. Pode dar-se soluções de hidratação oral, em pequenas quantidades, várias vezes ao dia.
Como é que se trata a diarreia?

O tratamento da diarreia passa pela prevenção e correção da desidratação e realimentação. Pode dar-se soluções de hidratação oral, em pequenas quantidades, várias vezes ao dia. Deve-se também introduzir gradualmente a dieta da criança em quantidades crescentes de acordo com a tolerância da criança. Por outro lado, deve fazer-se a hidratação oral com leite materno ou com soluções acessíveis nas farmácias sem prescrição médica.

Nos casos de diarreia no bebé, como fazer com a alimentação?

No lactente não se deve suspender o aleitamento materno, nem diluir a fórmula (não tem efeitos benéficos e diminuiu o aporte calórico). Também não se deve recorrer a fórmulas especiais.

Nas crianças maiores, deve fazer-se uma dieta normal para a idade.Evitar apenas alimentos e bebidas de elevado teor em açúcar e alimentos com elevado teor de gorduras. Fórmulas especiais sem lactose não devem ser usadas por rotina, mas sim nas situações de diarreia persistente ou malnutrição grave.

Em que casos é que se deve procurar ajuda médica?

Nestes casos: se a criança tiver idade inferior a 3 meses, se se verificar agravamento dos sinais de desidratação, se houver intolerância à hidratação oral e realimentação (vómitos, ingestão insuficiente, recusa alimentar), se houver diarreia com sangue, dor abdominal intensa, alterações do comportamento (irritabilidade ou prostração marcadas). Deve ser dada também especial atenção à lavagem das mãos, muda das fraldas e evição escolar durante o período de diarreia, para evitar a transmissão da infeção.

O que pode deixar um bebé obstipado?

Existem várias definições de obstipação, sendo a mais consensual, a diminuição da frequência da defecação inferior a duas dejeções por semana ou a defecação de fezes duras causando desconforto.

É importante referir que existe um padrão de normalidade muito vasto nos primeiros meses de vida, principalmente na criança com aleitamento materno exclusivo, que pode variar entre oito dejeções por dia e uma dejeção por semana.

O que é que os pais devem fazer?

Existe nesta altura grande preocupação dos pais em relação às características e frequência das fezes, pelo que é importante que estejam bem esclarecidos sobre a variedade de padrões normais.

A sua causa é em 95% dos casos funcional, sendo rara a causa orgânica.
 Existem situações que predispõem ao desenvolvimento de obstipação, nomeadamente alterações da dieta (transição de leite materno para leite adaptado, de leite de transição para leite de vaca) e defecação dolorosa.

Para evitar ou resolver a obstipação é fundamental uma alimentação de acordo com grupo etário, com o teor adequado de fibra e água. Apesar destas medidas gerais é por vezes necessário recorrer a terapêutica farmacológica para que se consiga resolver a obstipação. Existem vários fármacos disponíveis que deverão ser adequados ao grupo etário e mecanismos responsáveis pela obstipação. Estes fármacos tem que ser usados na dose certa e por períodos nunca inferiores a três meses e por vezes mais de um ano.

Nunca devem ser dados alimentos com açúcar, sal ou mel adicionado, até aos 12 meses.
Quais são os alimentos que devem ser privilegiados na primeira infância?

Na primeira infância deve ser recomendado o aleitamento materno exclusivo desde o nascimento até aos seis meses. Se não for possível deve ser administrada uma fórmula infantil como suplemento ou total se impossibilidade de aleitamento materno.

Entre os 4 e os 6 meses deve ser iniciada a diversificação com creme de legumes e fruta ou papa de cereais, de inicio sem glúten e a partir dos 6 meses com glúten. A partir dos 6-7 meses deve ser iniciada a carne na sopa (frango, peru, coelho e posteriormente vaca e borrego). Entre os 7 e 8 meses o iogurte natural. Aos 8-9 meses os peixes magros, a partir dos 9 meses gema de ovo e introdução de alimentos menos passados. Entre 10 e 11 meses leguminosas e entre os 11 e 12 meses a clara de ovo. A diversificação alimentar deve ser feita de forma progressiva com introdução de 1 alimento novo de cada vez, com intervalos de 3 a 4 dias.

Nunca devem ser dados alimentos com açúcar, sal ou mel adicionado, até aos 12 meses. Após os 12 meses, pode ser utilizado leite de vaca, de preferência as formulações suplementadas. Também a partir desta idade a criança deve ser inserida na alimentação familiar desde que equilibrada.

As recomendações são da médica Isabel Afonso, gastroenterologista pediátrica no Hospital Lusíadas Lisboa

Comentários