Para se treinar um bebé é quase sempre preciso treinar também os pais. É isso que queremos?

A ideia de que o bebé precisar de colo ou embalo para adormecer é “um problema de sono” está errada e é preciso dizê-lo. Embalar um bebé, aconchega-lo ao colo, ficar com ele quando nos pede até que adormeça, é algo que mães e pais sempre fizeram ao longo dos séculos. No entanto hoje são muitos os pais que têm medo de o fazer

Ao contrário do que possa pensar, muitos bebés adormecem ao colo e não têm mais despertares por causa disso. Naqueles que têm, porque quando acordam a meio da noite lhes falta o colo em que adormeceram, então há outras estratégias que não passam por “treinar o bebé” para “adormecer sozinho” vendo o choro como um passo “necessário” do processo.

O choro dos bebés é um sinal de alerta, um pedido de ajuda. Usar o choro para “ensinar a dormir” usando o argumento de que “também tiramos um objecto perigoso da mão do bebé mesmo que ele chore” não faz sentido.

Precisar de colo, contacto físico, ou presença do cuidador para adormecer não coloca em risco a vida do bebé. Muito pelo contrário, pode ser um factor importantíssimo para a sua regulação, física e emocional.

Pensemos então no porquê de se usarem comparações com situações efectivamente perigosas para o bebé, quando se tenta motivar os pais para seguirem estes métodos.

A britânica Margot Sunderland, autora premiada e especialista em Saúde Mental Infantil reconhecida a nível mundial,  acredita que é possível treinar um bebé, mas explica que isso implica quase sempre treinar também os pais a ignorarem os seus instintos. Estes métodos procuram actuar nas duas vertentes.

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