Alimentos ricos em vitamina D e E são os mais aconselhados para o desenvolvimento dos ossos dos bebés

Quais serão as doenças ortopédicas mais comuns nos bebés? E como tratá-las? Fomos ouvir os conselhos da médica Patrícia Rodrigues, especialista em Ortopedia no Hospital de Dona Estefânia e no Hospital Lusíadas Lisboa.
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Quais são as principais doenças do aparelho musculo-esquelético em bebés?

Existem diversas patologias do foro ortopédico que podem afetar os bébés, mas aquelas que mais levam à procura de um ortopedista são as deformidades da anca, doença displásica da anca, deformidades dos pés, metatarsus aductus, pé boto, pé talus e deformidades dos dedos dos pés,

Quais são as deformidades osteoarticulares congénitas mais preocupantes?

As deformidades osteoarticulares mais preocupantes são aquelas que podem limitar, no futuro, a autonomia e mobilidade, nomeadamente, o torcicolo congénito, a doença displásica da anca e o pé boto, necessitando de intervenção imediata por uma equipa de profissionais na área da patologia musculo-esquelética da criança – ortopedista, fisiatra, fisioterapeuta. É muitas vezes necessário o uso de ortóteses (aparelhos externos de correcão) para corrigir e controlar a evolução da doença.

Em que situações deve procurar-se um especialista?

Geralmente as crianças são avaliadas como um todo pelo pediatra ou pelo médico de Medicina Geral e Familiar. Estes aconselharão os pais a procurar um ortopedista que trabalhe na área da criança, sempre que acharem adequado. No entanto, sempre que existam dúvidas acerca do desenvolvimento da criança e se necessite de uma segunda opinião, os pais deverão recorrer a um ortopedista.

O que pode provocar o pé boto?

O pé boto é uma deformidade congénita do pé que se desenvolve durante a gestação. A maior parte são idiopáticos ou seja não é conhecida a causa. Uma minoria dos casos está associada a outras malformações, sendo habitualmente as mais difíceis de tratar.

Qual o tipo de terapêutica mais eficaz neste tipo de deformidade congénita?

Existem diversas técnicas descritas para o tratamento do pé boto, mas a mais indicada é a manipulação gessada através da técnica de Ponseti.

Este tratamento consiste na correção progressiva das várias deformidades do pé existentes nesta patologia, que é realizada pela manipulação com gessos semanais – usualmente 4 a 5. No final desta fase inicial, poderá ser necessário fazer uma pequena cirurgia, a Tenotomia do Tendão de Aquiles (corte do tendão – incisão da pele de 2 a 3 milímetros), a que se seguem mais 3 semanas com gesso. Posteriormente, e para obtenção de ótimos resultados, é obrigatório o uso de ortóteses especiais até cerca de 4 ou 5 anos de idade. Esta ortótese é habitualmente usada somente durante o período do sono.

Ainda no caso do pé boto, a cirurgia não é então o primeiro método aconselhado?

Atualmente o método mais indicado é o método de Ponseti. Ao realizar este método, o tratamento cirúrgico só é opção em casos complicados (atípicos) em que o método descrito não consegue os resultados pretendidos ou em casos de recidiv, quando a deformidade está a regredir após um tratamento com bons resultados.

Como se trata uma fratura em idade pediátrica? 

As fraturas em idade pediátrica, são, na maioria da vezes, tratadas com método conservador (utilização de gessos ou talas). Em casos particulares, relacionados com as características da fratura (fraturas articulares ou em localizações que podem afetar o crescimento), poderá ser necessária a intervenção cirúrgica.

O tratamento das fraturas em idade pediátrica varia de acordo com a faixa etária da criança. Em geral, quanto mais nova, menor a probabilidade de deixar sequelas. A localização da fratura também influencia o resultado do tratamento.

Os pais devem privilegiar alguns tipos de alimentos nos bebés dos 0 aos 3 anos para proteger os ossos?

Toda a criança deve ter uma alimentação variada e saudável, de acordo com o indicado para diversas fases de evolução - habitualmente o pediatra poderá dar esta informação. Para o adequado desenvolvimento do esqueleto os alimentos ricos em vitamina D e vitamina E são aconselhados – mas mais uma vez de acordo com as necessidades nas diferentes faixas etárias.

Os conselhos são da médica Patrícia Rodrigues, especialista em Ortopedia no Hospital de Dona Estefânia e nos Hospitais Lusíadas.

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