A alimentação nos primeiros 1000 dias da criança

Cada vez mais se reconhece a importância da alimentação na saúde. Na verdade, o impacto do que comemos começa ainda antes do nascimento, na fase da gravidez, e prolonga-se vida fora, o que vem reforçar a importância das escolhas que fazemos para os nossos filhos. Os conselhos da nutricionista Ana Leonor Perdigão.
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São cada vez mais fortes as evidências científicas de que a alimentação durante os primeiros 1000 dias (desde o início da gravidez até aos 24 meses de idade) é determinante na saúde do bebé mas também na do futuro adulto.

Não podemos esquecer que é nas primeiras semanas de gestação que se formam órgãos tão nobres como o cérebro (pelo 22.º dia de gestação) por exemplo.

Por um lado, a carência de nutrientes específicos como, por exemplo, o ácido fólico ou os ácidos gordos como o ómega-3, mas também os desvios por excesso, refletidos, por exemplo, em situações de obesidade ou diabetes da grávida, representam um risco elevado para a ocorrência de problemas de saúde no bebé.

Infância: aprender a comer bem para toda a vida

Após os dois anos de idade, embora o ritmo de crescimento abrande um pouco, a alimentação continua a ser muito importante na saúde, garantindo o saudável desenvolvimento físico e cognitivo da criança.

Nesta idade a criança já pode comer de tudo, exceto em casos pontuais de alergias ou intolerâncias, e começa também a decidir o que gosta e o que não gosta, definindo a pouco e pouco o seu padrão alimentar futuro. Por isso, esta fase é determinante no processo de “educação alimentar” assegurando o chamado “treino do paladar”.

Está provado que este processo é profundamente influenciado por diferentes aspetos: genéticos, culturais, familiares e até de imitação do comportamento dos adultos. Nem todos são possíveis de controlar, mas alguns dependem muito da forma como são geridos os contactos com novos alimentos.

Neofobia

A neofobia, ou seja, a rejeição a novos alimentos -. devido à cor, textura ou sabor -, é um fenómeno bem descrito e muito comum em crianças entre os 3 e os 5 anos de idade. Este comportamento pode afetar a qualidade e variedade da ingestão alimentar das crianças, principalmente porque neste grupo estão as frutas, hortícolas e até os lacticínios, nomeadamente os iogurtes (não açucarados).

Nesta fase, os pais têm um papel muito importante: é preciso não dramatizar nas primeiras reações negativas aos alimentos, sendo igualmente importante não desistir de os apresentar à criança regularmente até se tornarem seus “conhecidos” e por isso “menos estranhos”.

As preocupações em Portugal

De acordo com o Inquérito Alimentar Nacional de Atividade Física, cerca de 25% das crianças portuguesas até aos 10 anos apresenta excesso de peso. Em termos de comportamentos alimentares e no seguimento que vimos é de destacar que:

- 69% das crianças desta idade não consume a quantidade adequada de fruta e hortícolas;

- o consumo médio de leite e iogurte nesta faixa etária é de cerca de 300 g, abaixo da recomendação de 500-750 g (2 a 3 porções diárias).

A bem da saúde atual e futura das nossas crianças é importante reverter esta situação e reforçar o consumo, desde idades muito precoces, destes grupos de alimentos que, pelo seu alto valor nutricional, são determinantes para a saúde das crianças, devendo também fazer parte dos seus hábitos futuros.

Os conselhos são da nutricionista Ana Leonor Perdigão

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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