O pé em que estamos

Surpreendo-me sempre com o quanto eles mudam nas férias. Este ano, talvez pela idade deles, isto tem sido ainda mais notório.

Ele, dois anos e meio de gente, está a largar as fraldas. Tem sido um processo tranquilo, com poucos deslizes. Já percebeu a ideia, pede sempre para ir à casa de banho, é raro a coisa correr mal. De noite ainda lhe ponho a fralda (que chega seca ao amanhecer aí em 80% dos dias), mas durante a sesta já está “sem rede”.

 

Fala imenso, tem raciocínios muito elaborados que nascem no facto de ter uma irmã mais velha que lhe ensina muitas coisas e que não se cala um bocadinho. Continua a ser um miúdo meiguinho, mas tem um feitio torcido e difícil de manobrar (eu disse difícil, não disse impossível!).

 

Ela, quase seis anos, tem sido um desafio. Está naquela idade em que acha que pode e manda. Estica a corda, abusa da confiança, finca o pé e marca a posição dela. E fica zangada quando percebe que não vai vencer a disputa. Está a testar limites, eu sei. Mas é desgastante. Tem sido assim desde que entrou de férias. E se por um lado este tempo todo juntas tem servido para apertar ainda mais o nó que nos une, por outro tem sido uma prova de resistência.

 

Ninguém disse que educar crianças era fácil. Não é. Mas ensina-nos tanto quanto nós lhes ensinamos a eles. E, apesar dos percalços, vamos ficando maravilhados com a forma como aqueles dois pedacinhos de gente que saíram de dentro de nós se vão tornando pessoas mais e mais complexas e cheias de personalidade.

 

Lénia Rufino

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