Filho és, pai serás!

É na educação que recebemos dos nossos pais que aprendemos a ser pais.

É através do jogo e da brincadeira que a criança adquire as ferramentas que lhe ensinam a ser um adulto. E quando vemos um filho a imitar os nossos actos ou aquilo que dizemos nas suas brincadeiras, isso significa que ele está a absorver tudo o que nos vê fazer e a aprender. Daí a importância de dar bons exemplos aos nossos filhos.

 

A máxima “Faz o que eu digo e não faças o que eu faço”, com as crianças não funciona. E é na educação que recebemos dos nossos pais que aprendemos a ser pais.

 

Quando educo os meus filhos, revejo-me na pele dos meus pais milhões de vezes! Muitas vezes até em expressões que uso no dia-a-dia. Vem-me muitas vezes à cabeça a expressão: Ai! Agora parecia a minha mãe a falar. Seja no melhor que a minha mãe me ensinou, seja em algumas coisas que eu não gostava que ela me fizesse ou dissesse.

 

O meu pai é a pessoa mais honesta e correcta que eu conheço! Lembro-me quando comprei o meu primeiro CD de música com o meu próprio dinheiro. O “So Far, So Good” do Bryan Adams em 1993! O CD custou 2.000$00 e, quando cheguei a casa, reparei que tinha duas notas de 1.000$00 dentro do saco da loja. Inicialmente pensei que era uma surpresa da minha avó para me oferecer o CD, depois percebi que tinha sido um erro do homem da caixa e fiquei toda contente! Até o meu pai saber e me ter obrigado a ir devolver o dinheiro à loja.

 

Uma vez encontrei um telemóvel perdido e nem tive tempo de ficar feliz com a descoberta! O meu pai obrigou-me a ligar para a operadora, a dar o número de série do telefone e assim encontrar o dono que nem podia acreditar que eu me tinha dado a tanto trabalho para lhe devolver o telefone! Claro que, como adolescente, fiquei fula com o meu pai, embora tivesse entendido... E mal percebia os valores que ele me tentava passar com estas atitudes.

 

No fim-de-semana passado, fui ao supermercado com os meus filhos. A Gigi tinha um dói-dói giganteeeeee (um arranhão com menos de 1mm) e pediu-me para comprar pensos. Ao chegar a casa, mostra-me orgulhosa a caixa dos pensos: - Não pagámos!!! – Com ar heróico! - Não pagámos??? - Não! A mãe estava distraída e eu passei pela senhora da caixa com isto na mão! Confesso que o meu primeiro pensamento foi: Quero lá saber!!! Nem 1€ isto custou! Mas de imediato me lembrei do meu pai, daquilo que ele me ensinou e naquilo que eu gostava também de passar aos meus filhos. Não chegámos a sair do carro! Voltei para o volante e fui de novo ao supermercado.

 

Expliquei à Gigi que não podíamos sair das lojas sem pagar, que aquele era o trabalho da senhora da loja e que, se não pagássemos as coisas que a senhora vendia, ela não tinha dinheiro para comprar comida e ela entendeu! Dirigimo-nos à mesma caixa com a caixa de pensos numa mão e uma moeda de 1€ na outra. Expliquei à senhora o que se tinha passado, a Gigi pediu desculpa à senhora e pagou os pensos. A senhora nem podia acreditar... Olhava para mim de olhos esbugalhados sem saber se agradecia ou se gozava comigo. Mas eu senti-me orgulhosa da minha filha e sobretudo orgulhosa do meu pai que se esforçou e me mostrou o que estava certo e o que estava errado! E espero um dia que a Gigi faça o mesmo pela filha dela.

 

Apercebi-me que ao educar um filho, estamos a ensiná-lo a educar os nossos netos e por aí fora e que todos somos responsáveis pelas gerações futuras e pela criação de um Mundo melhor!

 

Obrigada pai e mãe!

 

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