Do casamento, e daquilo que não sei

Não vivemos todos os dias em estado eufórico de paixão e romantismo

Esta semana publiquei no blog um texto que na realidade era mais um desabafo meu. Não contava com reação que teve, nem muito menos com a visibilidade que atingiu. Tive medo da exposição, mas a quantidade de emails e mensagens que recebi foi muito recompensador. Disseram que era um tema tabu, e talvez o fosse. Falamos dos filhos, e agora do casamento.

Eu não sei qual o segredo para um casamento (entende-se como relação entre duas pessoas adultas e com um sério sentido de compromisso implícito) duradouro e aparentemente feliz. Casamentos como vemos de antigamente, que duram quase meio século, e durante os quais o casal viveu e envelheceu junto, criaram filhos e netos e talvez até bisnetos, viram desafios e obstáculos, tempestades negras e tornados, deram a mão à espera de céus azuis e dias soberanos. Tiveram calma e perseverança, paciência e cedência, alegria em pequenas coisas e felicidade no conjunto todo que se tornou as suas vidas.

Não sei como dantes faziam, nem sei a receita exata para que isso aconteça. Sei que um casamento entre dois adultos é um compromisso sério e que se intensifica quando há crianças no meio. De uma relação a dois, passamos a ter uma família, quando vêm os filhos. E com a família vem a obrigação de a proteger acima de tudo, de a manter, de cuidar de todos os elementos e a obrigação de tentar ser melhor todos os dias.

É certo que é difícil, é certo que os filhos conseguem destabilizar as nossas vidas, requerem muito tempo nosso, muita atenção, horários e sestas. Impedem-nos de fazer programas divertidos, e impõem uma nova vida aos pais.

É certo também que numa relação há altos e baixos, que há dias e fases mais difíceis do que outras, e podemos estar cansados, com menos motivação. Não se ama o nosso marido ou a nossa mulher com a mesma paixão que havia no primeiro dia. Não vivemos todos os dias em estado eufórico de paixão e romantismo. E quando os filhos aparecem, então ainda há menos tempo para dedicar à outra parte. Mas não se desiste. Tenta-se, com vontade e força de tentar mesmo. E as coisas vão dando certo, talvez mais devagar, um dia de cada vez. Encontramos uma nova forma de amar, mais completa e alicerçada. Mais estruturada e mais madura.

Não é fácil, há obstáculos pelo meio, vai haver alturas em que queremos bater a porta e espairecer. Há alturas em que nos vamos querer refugiar nos amigos e na nostalgia de um passado que parece tão longínquo. Há alturas em que nos vamos querer desprender de horários e obrigações, ter mais tempo para nós e para aquilo de que gostamos. Dormir mais, conversar mais, rir mais. Mas não vamos desistir, porque criar uma família é algo que se vai construindo, um passo de cada vez, um dia de cada vez, vai-se regando para ver florescer, vai-se amparando nas suas quedas.

Criar um lar, com amor e carinho, faz-se com paciência, com segurança, com um futuro em vista. Por vezes, vamos ter que ceder, quando não queríamos, vamos ter que arranjar compromissos, quando achamos que não deveríamos, vamos ter que arranjar forças para seguir em frente, pensar mais nos filhos do que em nós, e tentar mais uma vez.

É preciso aceitar e compreender que é com calma e paciência, que aos poucos a vida vai dando certo.

Marta Andrade Maia

My baby blue blog 

artigo do parceiro: Susana Krauss

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