Casamento instantâneo

Agora não posso tirar do dedo, somos marido e mulher.

Isto está a acontecer muito depressa. Bem me tinham dito que eles crescem muito rápido, que os dias passam a voar e num fechar de olhos já eles estão casados e com filhos. Já tinha referido aqui que o tempo galopa e que eu tinha alguma dificuldade em acompanhar este ritmo.

Enganei-me, afinal o tempo não galopa, anda a velocidade da luz e nós é que galopamos atrás.

Olhando para trás, penso que só pode ter sido durante a sesta que fizemos naquele fim?de?semana mais cansativo. Uma sestinha para recuperar energias, mas na verdade aquela hora que rapidamente passou, foram anos de vida a galopar à nossa frente, e durante aquele sono revitalizador fomos na realidade transportados para uns anos (uma década ?) mais à frente, e não demos conta.

Sim, só pode ter sido um caso de teletransportação espacial, muito semelhante ao que se passa no Star Trek.

Já este ano o João apareceu-me com um cartão de São Valentim. Pois bem, apesar de ainda só ter uns quatro aninhos, consegui ultrapassar os meus ciúmes de mãe galinha e perceber que o menino tem um encanto natural e que seduz qualquer uma de nós, mulheres. Um verdadeiro príncipe encantado!

Depois, começaram a surgir os desenhos personalizados, obras primas feitas pelo piolho grande cá da casa para declamar o amor que sente por todas (sim, leram bem, todas) as suas amigas. Ainda tentei explicar-lhe que fazer desenhos diferentes para cada uma das suas 16 amigas mais próximas iria demorar mais tempo do que o que tínhamos naquela tarde de domingo, mas ele ficou inabalável, convicto de que não poderia escolher apenas algumas privilegiadas pois com certeza as restantes ficariam aborrecidas e, afinal de contas, ele não se conseguia decidir de quem (ou de quantas) gostava mais.

De principezinho passou a Don Juan em apenas dois meses, e eu, como mãe galinha assumida, comecei a prever que a fase de adolescência poderia vir a ser um tanto ou quanto atarantada. Mas, não querendo antecipar problemas, encostei-me para trás e pensei que ainda tinha uns anitos pela frente para poder andar descansada.

Não é que na sexta-feira passada, todo contente, mostra-me a sua mão com uns elásticos coloridos enrolados à volta do dedo que estava verde e amarelo e um pouco vermelho com estes elásticos novos que andam na moda. O pequeno galã anunciou-me que não era um simples e qualquer anel, mas sim uma aliança!

- Uma aliança?  Perguntei eu, certa de que ele não sabia o que era.

- Sim, como a tua e a do pai. Agora não posso tirar do dedo, somos marido e mulher.

Pela velocidade que isto levou, conto até ao final do verão já ser avó.

Marta Andrade Maia
My baby blue blog

artigo do parceiro: Susana Krauss

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