A malfadada semana do ano

Aqueles dois fins-de-semana por mês em que os meus filhos vão para o pai são, na verdade, agridoces

Há dias, no jantar de aniversário de uma amiga minha, perguntaram-me como é que, tendo quatro filhos, eu consigo ter vida social. Respondi como sempre: que, de quinze em quinze dias, tenho 48 horas de “soltura”. Normalmente, brinco com isto de ser independente duas vezes por mês, vendendo o divórcio como a grande ferramenta de emancipação da maternidade – mas, na verdade, o humor apenas esconde aquela parte de mim que, precisamente nessas quatro noites mensais, se torna mais triste e apagada.

Aqueles dois fins-de-semana por mês em que os meus filhos vão para o pai são, na verdade, agridoces. Se, por um lado, eu posso fazer tudo aquilo que me é vedado nos restantes 26 dias do mês, por outro, parece que tudo em mim se torna mais vazio. Não é só a casa – sou eu mesma. Claro que aproveito para repor as energias, para dormir mais, para conviver, para me deitar com o nascer do sol, se for caso disso. Mas cada segundo de silêncio que se instala apenas serve para reforçar a dor de os ter longe. E para me fazer planear os dias que se seguem. Com eles e para eles.

Cinco anos depois desta nova forma de vida, é claro que já estou mais habituada. Ou mais conformada. Já percebi que dois dias passam num estalar de dedos e que o reencontro é sempre marcado por uma dança mágica de braços e corpos pequenos que se atiram a mim. Eles contam-me as novidades da ausência, querem saber o que fiz longe deles, e lá voltamos à nossa rotina (felizmente longa!) que nos faz esquecer destes afastamentos temporários.

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