Sónia Costa: uma artista completa

Atriz, cantora, apresentadora, Sónia Costa é uma verdadeira mulher dos sete ofícios. Rebelde e determinada, leva a vida com um sorriso nos lábios a nunca se queixa. Atualmente podemos vê-la no papel de “Elsa”, na novela “Louco Amor”, da TVI, ao lado do consagrado Ruy de Carvalho.

Como é que recebeu a notícia de contracenar em “Louco Amor” com Ruy de Carvalho, um nome tão conceituado no meio da representação? Foi tranquilo para si?
Não, não foi nada tranquilo! Quando me telefonaram a dizer que eu ia ser na novela a ‘sobrinha-neta’ do Ruy de Carvalho, senti um misto de alegria e de incredulidade. Beliscava-me a mim própria a pensar se seria mesmo verdade, se iria mesmo contracenar com ele e não só, porque na novela contraceno também com o José Raposo e o Martinho da Silva, entre outros.

E as gravações correram bem?
Correram maravilhosamente, até porque estava a trabalhar com pessoas que conhecia há anos, que eram minhas amigas, e o Ruy foi fantástico. É ótimo ser ‘sobrinha-neta’ dele!

A Sónia prefere apresentar-se como cantora ou atriz?
Sou cantora-atriz. Comecei com cinco, seis anos, a fazer as duas coisas nas peças de bairro. Não tenho nenhuma paixão específica por nenhuma das duas artes. Nunca quis ser cantora, atriz, bailarina... Sempre quis ser um todo. Cantei, dancei… Eu era pequenina e já dizia que queria ser artista.  

Uma vocação que já nasceu consigo?
Sim, sim. Definitivamente. Os meus pais sempre se interrogaram como, porque não temos ninguém na família ligado às artes, mas era isto que eu queria ser desde muito pequena.

Cantava em cima da mesa da sala?
Era mais em frente aos espelhos… O meu pai era proprietário de uma fábrica de espelhos e, por isso, lá em casa havia espelhos por todo o lado e eu cantava para os espelhos e fazia as minhas representações, que nem sempre corriam bem… Uma vez rasguei uma orelha num vidro por causa das minhas aventuras.

Sente que a participação na novela “Louco Amor” lhe trouxe mais popularidade na rua? Passou a ser mais reconhecida?
O povo português esquece muito rapidamente as pessoas. Se não apareces na televisão, é difícil as pessoas lembrarem-se de ti. Eu tive a felicidade de ter sido muito conhecida como cantora e as pessoas quando me abordam dizem: ‘Ai, você não é aquela…? Estou a gostar imenso de a ver. Está a sair-se muito bem’. Os jovens que ouviam outro tipo de música conhecem-me como atriz e gostam do meu trabalho. Dizem-me que pareço mais gorda, mais velha, que sou mais gira ao vivo…

Os atores costumam queixar-se muito do ritmo das gravações das novelas. Também se queixa?
Acho que os atores não se devem queixar do ritmo de trabalho. É intenso? É! Mas, mais intenso é ter que apanhar três transportes para chegar ao trabalho, trabalhar oito, nove ou dez horas, voltar a apanhar três transportes para regressar a casa e ainda tomar conta dos filhos e fazer todas as outras coisas que toda a gente faz. E há muita gente que faz isto anos a fio para sustentar a família. Portanto, acho que nós, os atores, somos privilegiados porque fazemos aquilo que gostamos. E temos festas, eventos, imensas coisas boas, o carinho do público, imensas benesses. Não é bonito queixarmo-nos.

É sempre assim tão frontal?
Sempre. Odeio a mentira e sou incapaz de não ser frontal.

Para além do trabalho profissional, encontra tempo para outras coisas?
Sempre. Sou incapaz de estar parada. Sou uma ótima dona de casa, adoro limpar, arrumar, sou louca por cozinhar. Adoro receber os meus amigos de há trinta, vinte, dez anos atrás, os meus amigos de sempre e adoro ir a casa deles. Sou muito caseira. Adoro ter tempo para tudo. E acho que quando queremos temos sempre tempo para tudo. Com muito boa vontade!

Vai continuar a cantar?
Sim. Ainda há pouco tempo estive na Madeira com o Olavo Bilac e foi extraordinário.

Tem planos para lançar um novo CD?
Não, para já não. Tenho algumas pessoas que querem fazer algumas coisas comigo. Quero relançar alguns temas do meu segundo álbum, que são muito bonitos e acho que estão muito atuais, mas não foram assim tão badalados.

Da Sónia sabemos muito pouco. É casada, solteira, apaixonada?
Nunca divulguei a minha vida pessoal porque ela tem o seu canto muito próprio. Apaixonada só estou pela vida, estou bem amorosamente, como sempre estive. Sou uma mulher resolvida. Em todos os aspetos.

A Sónia gosta de quê?
Gosto de ver um filme sentada no sofá, sozinha, no quentinho, com muito chocolate. Sou completamente dependente de chocolate. Amo praia, mas no Meco ou na última paragem da Costa da Caparica. Gosto de estar sossegada sem os gritos dos meninos, sozinha com o barulho do mar.

Não tem filhos?
Não tenho, mas quero ter. Amo crianças, mas não pode ser para já. A instabilidade que estamos a viver não ajuda e não dá a confiança e as garantias necessárias à responsabilidade de criar uma criança.

Não gosta de quê? O que é que lhe faz “saltar a tampa”?
Eu sou sincera e não suporto a mentira. Aí, parto para a agressividade. É horrível, mas não suporto… A mentira promove a intriga, a intriga promove a trica, a trica promove o mau ambiente. É horrível. Não consigo suportar.

Qual a sua melhor qualidade?
Tenho o coração maior do que o corpo. Já não sei se felizmente ou infelizmente… Consigo sempre perdoar, porque toda a gente tem um lado bom, mas isso não significa que permita que essas pessoas façam parte da minha vida.

E o seu maior defeito?
São dois. Sou hiperativa. Acabo por cansar as pessoas que não têm paciência para aturar tanta energia. E é ter o coração na ponta da língua. É horrível!

O que é que mais desejou para este ano de 2013?
A continuação de saúde para mim e para os meus pais, para que ainda fiquem por cá alguns anos, para assistirem ao meu sucesso, e que os meus amigos estejam sempre comigo. E também, sem qualquer tipo de demagogia, que Portugal consiga de facto ultrapassar este período horrível que está a atravessar e que está a trazer demasiada miséria.

Defina-se usando as letras do seu nome, “Sónia”.
S, de Sol, muito Sol. O, de Obstinada. N, de Natural. I, de Imensa. A, de Adrenalina.

artigo do parceiro: Top Fama

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