Sandra Cóias cria sapatos vegan

É tão amiga dos animais que a sua coerência levou-a a criar uma linha de sapatos vegan. Sandra Cóias, que os portugueses tão bem conhecem dos seus 16 anos de representação e das cerca de 40 participações televisivas e no cinema, é uma verdadeira defensora dos animais. Neste momento a Walk in My Shoes tem a aprovação da Peta (People for the Ethical Treatment of Animals), o que a enche de orgulho.

O que é uma linha de sapatos vegan?

São sapatos que não utilizam qualquer produto de origem animal.

Como nasce a Walk in My Shoes?

O projeto começou há quatro anos, mas apenas este ano foi possível concretizá-lo. Nasceu por amor a tudo aquilo que defendo na minha vida, e por gostar de sapatos. Com as inúmeras alternativas que temos faz todo o sentido que as pessoas aprendam a viver de uma forma mais ética, respeitando os animais e o nosso planeta, sem que para isso seja necessário abdicar do conforto e qualidade. Para além disso nasce também no site Walk in my Shoes,  a “The Wims Magazine”, a abrir brevemente, onde vou falar sobre vários temas que fazem parte da minha filosofia de vida, como a alimentação saudável e as minhas receitas, algumas do meu livro, viagens e hotéis ecológicos, causas, dicas, entre outros que envolvem o mundo verde.

Os sapatos são todos feitos em Portugal?

Sim, são feitos em duas fábricas do norte.

A coleção tem sapatos para homens, mulheres e crianças?

Por enquanto apenas para mulher, mas talvez para o ano apresente também uma coleção masculina. Já recebi vários pedidos nesse sentido.

Já estão a ser comercializados em que sapatarias do país?

Neste momento, podem ser adquiridos online através do site www.walkinmyshoes.pt, num site americano para o qual fui convidada a entrar o www.citybliss.com, e vão estar à venda em Berlim e Áustria. Estamos a trabalhar no sentido de chegar a mais países, pois a marca tem apenas um mês.

O objetivo é vender sapatos aos amigos dos animais ou sensibilizar todas as pessoas para outros produtos?

O objectivo é sensibilizar o maior número de pessoas, para além, da questão do abate dos animais, é fundamental que todos saibam que o processo de curtimento que preserva a pele dos animais, é um dos mais tóxicos do mundo, utilizando grandes quantidades de produtos químicos e de metais pesados, que poluem o ar, água e solo.

Que tipo de produtos químicos?

Estima-se que sejam utilizados mais de 220 produtos químicos nocivos para a saúde e meio ambiente. Para além disso, a produção animal, é desastrosa para o meio ambiente, utilizando 70% da água doce do mundo, quando sabemos que a falta de água afecta quatro em cada 10 pessoas e ocupa cerca de 30% do total da superfície terrestre, terra essa que poderia ser aproveitada para cultivo e plantação de árvores. Com apenas um planeta, cabe-nos a nós fazer escolhas e respeitá-lo.

De que tipo de produtos os sapatos são feitos?

De microfibras, um material de excelente qualidade de fabrico italiano, uma alternativa eco-friendly, cada vez mais responsável que o uso do couro, e que não contém produtos nocivos para nós nem para o ambiente. Dando prioridade aos que respeitem o ambiente, como a cortiça e a borracha natural.

Esses materiais também são feitos em Portugal?

Não, são feitos em Itália, por empresas comprometidas com o desenvolvimento sustentável, ativos na proteção do meio ambiente, e certificados.

Os podologistas defendem que os sapatos devem ser de pele para melhor proteger os pés? Os seus materiais têm a aprovação dos especialistas?

A falta de informação leva algumas pessoas a acreditar que sim, mas, como já referi, o tratamento das peles utilizadas para o calçado não pode ser de forma alguma o melhor para proteger os nossos pés. Estes materiais são muito mais leves e flexíveis que o couro, transpiráveis, de maior durabilidade e melhor resistência, antialérgicos etc. Para além disso, evitam a proliferação de bactérias. Já para não falar na razão principal o abate dos animais usados para alimentar uma indústria perigosa para a saúde e para o meio ambiente. Neste momento Walk in My Shoes tem a aprovação da Peta (People for the Ethical Treatment of Animals), o que me enche de orgulho.

Esta é mais um ação a juntar-se às inúmeras que tem desenvolvido pela defesa dos animais?

Também, e muitas outras que ainda estão por concretizar.

Quantos animais tem em casa?

Tenho 17. São oito cães e nove gatos.

Qual a sua opinião sobre falhada lei da delimitação dos animais por habitação?

É isso mesmo, uma lei falhada, que jamais seria implementada. Em vez de falarem sobre uma lei ridícula, deviam preocupar-se em implementar as devidas leis de proteção para os animais, e respectivas punições para quem os abandona e maltrata.

Continua a organizar inúmeros leilões em defesa dos animais. Que associações está a ajudar?

Sim e vamos continuar, gostaria apenas que mais figuras públicas a nível nacional estivessem sensibilizadas para com o que passa com os animais no nosso país. Os montantes angariados no Leilão pelos Animais vão sendo entregues, a associações e a casos urgentes que vão surgindo e que visem o bem-estar de um ou mais animais. Vai fazer um ano dia 28 de Novembro e já foram bastantes os casos que conseguimos ajudar.

Neste momento vive no Norte do País. É por isso que a temos visto menos na televisão?

São muitos os que na rua me abordam com a mesma questão. E também eu por vezes questiono, porque é que ao fim de 16 anos de representação e de mais de 38 trabalhos em TV e cinema, não estou a trabalhar?

Isso quer dizer que não perdeu o interesse pela representação?

De forma alguma. Mas também gosto de fazer outras coisas.

Qual a sua maior preocupação?

São muitas… A falta de sensibilidade do ser Humano, especialmente, pois se houvesse sensibilidade não viveríamos no mundo que vivemos!

O que a faz realmente feliz?

As pequenas coisas. Brincar com os meus filhotes, ver as coisas que planto a crescerem, viver no campo, ser saudável, entre outras…

O que a comove?

Ver animais abandonados, mal tratados, usados e explorados pelos que se dizem humanos.

O que lhe arranca uma gargalhada?

As brincadeiras dos meus filhotes.

Está bem com a vida?

Estou, muito.

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