Pedro Lima

Entrevista com Pedro Lima Começou por ser atleta, praticou natação de alta competição, chegou a participar em dois jogos olímpicos mas hoje é um dos atores de referência da sua geração. Casado com a ceramista Anna Westerlund, pai de quatro filhos, dois rapazes e duas raparigas, orgulha-se da sua família numerosa e da disponibilidade que tem para os mais próximos. Para Pedro Lima, que acaba de fazer 40 anos, a maturidade é mesmo o que a idade traz de melhor.

Acaba de fazer 40 anos. A idade preocupa-o?
Não, acho que ainda é uma idade muito jovem, se considerarmos que a esperança média de vida ronda os 80. Por isso sinto que ainda só tenho 40 anos e tenho tudo para fazer! O que acha que a idade traz de melhor?
Estou permanentemente a pensar: tomara eu saber o que sei hoje, quando tinha 20 anos. Com essa idade preocupamo-nos com coisas que não têm importância e temos períodos de tanta tristeza sem necessidade nenhuma. A maturidade é mesmo o que a idade traz de melhor. É pai de quatro filhos: João Francisco, de 13 anos, Ema, sete, Mia, quatro e Max, 15 meses. Sente-se realizado com a sua família numerosa?
Sinto-me realizado a todos os níveis, pessoal, familiar e profissionalmente. Acho que isso passa pela gestão da ambição. Em relação à família, lembro-me que de cada vez que convivia com uma família numerosa nunca tinha más recordações. Mesmo que houvesse conflitos entre eles, o momento de reunião e de celebração da família, no qual eu, por vezes, tinha o privilégio de ser incluído, era sempre muito bom. Qual é o melhor programa para fazer com as crianças?
Brincar, passear, ir ao jardim zoológico. Também vamos para o Martinhal onde existe uma urbanização turística muito orientada para as férias em família e onde eles e nós adoramos estar. Também gostamos de cozinhar, sobretudo de preparar as pizzas em casa, e quando fazemos grelhados, o João Francisco já assume essa tarefa. O João Francisco já faz surf com o pai?
Nenhum dos meus filhos seguiu a minha paixão. Algum dos seus filhos já revela talentos artísticos? Acha que algum deles vai ser actor?
Os talentos artísticos revelam-se mais nas meninas. A Ema gosta de dançar e está sempre muito atenta aos Morangos com Açúcar. A Mia, apesar de ser mais introvertida socialmente, na sua intimidade sente uma liberdade e confiança para se expressar e também gosta de dançar e tem muita graça na sua expressão corporal. O que lhe dizem as crianças quando o vêem na televisão?
Não é muito comum verem-me na televisão porque à hora em que eu apareço eles já estão a dormir. Mas, pouco a pouco, começam a ter consciência que o pai é actor. Foi atleta olímpico de natação por Angola, país onde nasceu e que representou nos jogos de Seul e Barcelona. Voltou a Angola nos últimos anos?
Dos 11 aos 21anos, quando representava o país nos Jogos Olímpicos ia lá anualmente, e há três anos voltei a Luanda para comemorar os 60 anos da minha mãe. Foi o Ricardo Carriço que o levou para o meio artístico. Ainda hoje acompanham a carreira um do outro?
Não somos amigos íntimos ao ponto de frequentar a casa um do outro, mas ainda esta semana nos encontrámos no ginásio e estivemos a falar... Como foi a sua estreia na representação? Estava muito nervoso, ou a experiência desportiva foi uma boa escola para controlar os nervos?
Definitivamente. Quando um jovem se habitua desde os oito anos a estar em situações de grande stress, aprende a lidar com essas situações de tensão. No entanto, no início, ficava sempre um pouco nervoso, hoje já não. Estreou-se no Teatro Amador?
Curiosamente, estreei-me no Teatro na Ilha da Madeira, depois de ter feito duas novelas em Lisboa. Fiquei lá um mês para os ensaios e depois uma semana para as representações. Antes de mim tinha lá estado o Rogério Samora. Também faz teatro e cinema. O que lhe falta ainda fazer?
Tenho quatro filhos, plantei várias árvores, já só me falta escrever. É uma responsabilidade que eu sinto que tenho mas ainda não tive coragem de assumir, não sei se por preguiça ou por insegurança... Foi director da revista Men's Health em 2008. Chegou a ter a carteira profissional de jornalista?
Não. Recebi esse convite com um propósito específico: ser relações públicas da publicação porque a administração entendeu que eu tinha alguma notoriedade e um passado desportivo que se enquadrava no perfil do leitor da revista. Qual é o seu maior sonho pessoal?
Tenho um património afetivo riquíssimo, uma família de sonho, e muitos amigos, e vivo muito feliz com isso. Isso para mim é que é a grande realização pessoal. Qual é o seu destino de sonho?
Com tenho vários amigos surfistas, gostava de ir à Indonésia porque é um destino privilegiado de ondas, mas seria um destino muito egoísta porque depois de um dia inteiro a fazer surf sobram poucas energias para dedicar à família. O que lhe arranca uma gargalhada?
Tenho a gargalhada muito fácil assim como a comoção. Não sou nada económico e tímido a rir. Do que gosta mais em si?
Tenho a pretensão de achar que sou uma pessoa disponível para os meus amigos e para a minha família. Qual é o seu pior defeito?
Talvez a teimosia. Está de bem com a vida?
Muito bem.

artigo do parceiro: Top Fama

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