Entrevista com Maria de Belém

Confissões de uma mulher que não pára um segundo.

Maria de Belém Roseira, 51 anos, já foi ministra da Saúde, ministra para a Igualdade e deputada. Hiperactiva, diz que anda sempre muito depressa porque, sendo pequenina, tem de dar dois passos enquanto os outros dão um…

Vê-se à légua que a senhora é uma mulher muito activa, sempre de um lado para o outro. O que faz?

Faço sempre muitas coisas. Tenho muitas actividades. Na área do voluntariado tenho algumas: sou membro da direcção da APAV – Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, sou presidente da mesa da assembleia-geral da União das Misericórdias, da União das Mutualidades Portuguesas e ainda integro mais duas ou três associações. Tenho outras actividades de doação como membro do conselho geral da Universidade de Coimbra e presidente do conselho consultivo do Instituto de Higiene e Medicina Tropical.

E tem tempo para si?

Tempo para mim não tenho, vai ficando um bocadinho para trás, mas quando se faz com gosto e com vontade…

Ainda tem o seu trabalho na Assembleia da República, para onde deverá voltar a ser eleita em 5 de Junho…

Sim, ainda tenho o meu trabalho como deputada, que agora está um bocadinho mais aliviado, o que também é bom porque posso dedicar a minha a atenção a outras coisas. Dou muitas conferências, passo a vida a falar nos congressos, nos aniversários... Também colaboro com as escolas que me pedem para fazer uma abordagem sobre os direitos humanos, etc.. Portanto, se vir a minha agenda fica um bocadinho espantada. Tão depressa estou a falar de um assunto como de outro. Isso significa que tenho de estudar muito.

Qual é o segredo para conseguir gerir todas estas actividades?

Desde que haja boa vontade, as mulheres estão habituadas a fazer do impossível, o possível. Somos boas gestoras do tempo.

Quantas horas dorme por dia?

Por acaso hoje dormi muito pouco, mas gosto de descansar pelo menos sete horas. Vou para a cama à meia-noite, levanto-me às 7. Se puder acordar um bocadinho mais tarde, deito-me mais tarde. Também preciso de tempo para estar com a família, não pode ser só chegar a casa e ir para a cama.

No meio de tudo isto, tem tempo para fazer exercício físico?

O meu único exercício é subir escadas… quando posso. Se for muito cansada ou carregada vou de elevador, de resto faço por ir a pé. Gosto muito de fazer ginástica, mas não tenho tempo. Não vale a pena andar angustiada com isso. Ando sempre muito depressa porque como sou muito pequena tenho que dar dois passos enquanto os outros dão um (risos). Portanto, ando depressa e ando bastante. Uma vez, aliás, numa das campanhas de luta contra a obesidade foram à Assembleia e puseram-me um podómetro (aparelho de medição de distâncias a pé). Às 11 da manhã já tinha feito o dobro dos passos que são aconselhados para a pessoa ser considerada activa.

Gosta da vida política?

Gosto muito de trabalhar e trabalho sempre muito onde estiver. Trabalho com facilidade, lido bem com o stress, que é uma coisa que nem todos conseguem, de modo que estarei bem em qualquer lugar. Sempre tive uma enorme capacidade em adaptar-me, sempre gostei muito de estar onde estive e todas as pessoas que trabalharam comigo gostaram de fazê-lo. O ideal é gostar dos sítios por onde passamos.

(Texto: Inês Costa)

(Foto: Joaquim Gromicho)

artigo do parceiro: Top Fama

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