Carlos Cruz a caminho da prisão

Apresentador despede-se dos “amigos” e dos “outros”.

A poucos dias de regressar à cadeia, para cumprir a sentença do processo Casa Pia, Carlos Cruz recorreu ao Facebook para dirigir uma última mensagem aos “amigos” e aos “outros”.

O antigo apresentador de televisão, que este domingo completou 71 anos, começa por citar Gandhi: “A prisão não são as grades e a liberdade não é a rua; existem homens presos na rua e livres na prisão; é uma questão de consciência”.

E prossegue: “Como eu sei que é verdade! E por isso afirmo com veemência que jamais deixarei de ser um homem livre: na rua ou atrás das grandes! Porque é um problema de consciência e a minha está, como sempre esteve. E estará tranquila.”

Mais adiante, Carlos Cruz cita os “líderes do pensamento” que o ensinaram a ser “ homem e cidadão” (Gandhi, Martin Luther King, Papa João Paulo XXIII, Jesus Cristo, Galileu Galilei e Nelson Mandela) e reafirma a sua inocência: “Não sou mártir nem herói. Sou apenas vítima. Até à chegada da Verdade. Não tenho ódios, não quero vingança. Só quero a Verdade e Justiça”, sublinha.

E, finalmente, escreve Carlos Cruz: “Aos meus amigos aqui fica o eterno agradecimento pelo que têm feito, pelo apoio que me têm dado; aos indecisos sugiro que se informem (e já dispõem de muitas fontes para o fazer). E fiquem tranquilos: dói ser injustiçado e condenado por crimes não cometidos. Mas suporto a dor na companhia da minha consciência limpa e da minha liberdade de pensamento. O sofrimento é pela minha família, a que a minha filha Marta tão bem chamou no seu livro “As Outras Vítimas”. Mas felizmente que também, na família, encontro uma força inabalável que lhes advém da Verdade. Como força encontro nos amigos. Reais ou virtuais mas que nunca me abandonaram.”

Condenado a seis anos de prisão efectiva, com 16 meses de preventiva já cumpridos, Carlos Cruz regressará à cadeia logo que seja emitido o mandado judicial, o que deverá acontecer ainda “esta semana” ou, então, “depois da Páscoa”, segundo o seu advogado, Ricardo Sá Fernandes.

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