As confissões de um atleta de corpo e alma

Aos 44 anos, com um currículo com mais de 50 medalhas em provas internacionais, o velejador João Rodrigues foi o porta-estandarte da comitiva nacional dos Jogos Olímpicos de 2016.

A paixão vem desde criança. «O meu gosto pela vela começou no dia em que o meu pai adquiriu uma prancha de windsurf, por volta de 1980. Tinha cerca de 9 anos e não descansei enquanto não consegui velejar pelos meus próprios meios», confessa o velejador João Rodrigues, o porta-estandarte da comitiva nacional dos Jogos Olímpicos de 2016. Sem que o soubesse, era também o princípio do fim de um ciclo.

«Até esse momento mágico, era o meu irmão mais velho que, pacientemente, levantava a enorme vela, na altura não havia equipamento para crianças, para depois me pendurar na retranca, que ficava muito acima da minha cabeça. Mas, no dia em que senti que o vento e a minha vontade de ir mais longe me guiavam, tinha encontrado a minha paixão. E a minha infância, tal como normalmente a concebemos, acabou aí mesmo», assume.

Trabalhar para a perfeição

No início da carreira, João Rodrigues ainda conciliou o curso de engenharia com a vela mas o mar conquistou definitivamente a sua vida. «Movia-me a vontade de uma vida com significado, onde despertasse cada dia entusiasmado por fazer algo que adorava, na busca da perfeição. Fui moldando a vida em torno de um projeto essencialmente desportivo, com o propósito de velejar o melhor possível», refere João Rodrigues.

«Pelo meio, surgiram as competições, palco por excelência para testar a minha evolução. Vivo este sonho há 35 anos e as minhas escolhas traduziram-se numa vida plena de significado. Sempre cuidei da minha alimentação, vivo de forma regrada, com épocas de total concentração e reclusão para atingir a plenitude. No meio do oceano, rodeado por mar, nuvens e criaturas aquáticas, jamais me senti só», desabafa.

A primeira vez nos Jogos Olímpicos

A recompensa desta aposta começou com a primeira participação olímpica do velejador nos jogos de Barcelona, em Espanha, em 1992. «Tinha 20 anos e o contacto com o espírito olímpico foi muito marcante. Aliás, o momento em que me apercebi da grandeza dos Jogos Olímpicos foi na cerimónia de abertura. Ao meu lado, um atleta irlandês chorava compulsivamente», recorda.

«Mas não eram lágrimas de tristeza ou alegria. Era algo mais profundo. Nesse momento, apercebi-me que estar ali significava muito mais do que podia imaginar. Foi esse pensamento que me guiou para um dos períodos desportivos mais produtivos da minha vida, que culminou com a participação nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996», acrescenta João Rodrigues.

Veja na página seguinte: A difícil opção que o velejador teve de tomar

Comentários