Sérgio Figueiredo: "O sorriso é das coisas mais espontâneas que temos, basta deixar aparecer"

A Associação SORRIR tem como missão promover e salientar a importância de sorrir para a saúde, não pela ausência de doença, mas enquanto bem-estar físico, mental e emocional.

O movimento O MAIOR SORRISO DO MUNDO nasce em 2013 para reforçar esta mensagem e representa alegria, amor, saúde e bem-estar.

Figuras públicas e empreendedores aderiram à causa e partilharam os seus testemunhos. Leia a história de Sérgio Figueiredo, da Fundação EDP.

O que é que o faz sorrir?

Sérgio Figueiredo: A vida. As pessoas têm medo de sorrir e travam os sentimentos e a expressão dos sentimentos e o sorriso é das coisas mais espontâneas que temos, basta deixar aparecer. Sorrio perante situações positivas. Há sorrisos amarelos, nervosos, se fizer um exercício de espelho, não tenho esse tipo de sorrisos. É a expressão mais imediata daquilo que nos vai na alma. Sorrir é como respirar. Não consigo imaginar a vida sem sorrir, além de ter esta força poderosa de permitir que as pessoas comuniquem uns com os outros.

Sou agnóstico, mas assisti a uma homília do Papa Francisco no ano passado em Aparecida (São Paulo) onde ele disse que as três coisas mais importantes na vida são: esperança, surpresa (a capacidade de nos deixarmos surpreender) e a alegria. Estava na missa a deixar-me inspirar por um líder com uma capacidade enorme de influenciar o mundo e que por acaso tem um sorriso maravilhoso e espontâneo.

Aquilo que o faz sorrir é o mesmo que o faz feliz?

Sérgio Figueiredo: Eu diria que a felicidade é uma condição necessária, mas não suficiente para sorrir. Eu não consigo sorrir sem sentir felicidade, mas muitas vezes estou feliz e não sorrio. A associação que faço maior ao sorriso é a alegria e a felicidade. Eu não faço do sorriso um estado de espírito, faz parte de mim, é espontâneo. Há locais em que soa a estranho eu dizer que me sinto feliz de trabalhar na EDP.

Qual foi o momento dentro da Fundação EDP que lhe trouxe mais sorrisos?

Sérgio Figueiredo: Tantos momentos. Pode soar a pretensioso, mas tenho imensa felicidade de estar num sítio em que dificilmente não sorrio.

Temos um projeto social que trabalha os valores de cidadania de crianças em Trás-Os-Montes, a Orquestra Geração, formada por crianças entre os 6 e os 14 anos. A cerimónia da entrega dos instrumentos é algo inesquecível.  Não consigo esquecer os sorrisos.

A representação de Portugal no Dia da Música em Paris foi feito por eles no ano passado. Andaram semanas a ensaiar, a pensar que iam actuar em Torre de Moncorvo. Quando lhes foi dito no último ensaio que iam andar de avião, sorriram todos, os olhos, uma alegria imensa.

Que história é que gostaria de deixar escrita para os seus netos lerem daqui a algumas décadas?

Sérgio Figueiredo: Isso não vale (risos). Já existem tantas histórias inspiradoras. Não tenho essa pretensão, mas tenho uma história verdadeira que pode ser inspiradora. Existem outros sorrisos que não me saem da cabeça. A Fundação EDP tem um projeto num campo de refugiados.

Kakuma?

Sérgio Figueiredo: Sim, as pessoas que nascem lá nunca conheceram outra situação. Já nasceram refugiados e se há uma lição de vida que aquele nosso projeto nos deu é que é muito fácil provocar um impacto tremendo na vida de alguém se oferecermos o que ninguém lhes dá. Não é a roupa, medicamentos ou a comida que já recebem. “Não dês o peixe, oferece a cana e ensina a pescar”, fazer isto onde não há nada, é uma lição. Com muito pouco ali é possível fazer muito. Um dos projetos que teve mais impacto foi um furo que custou 6.000€, alimentado por um painel solar. Permitiu fazer agricultura onde não havia agricultura, agora já cultivam a maioria dos alimentos que consomem, já não esperam que lhes sejam entregues alimentos, fazem disso uma actividade, um negócio, vendem o que sobra. Para além disso instalámos purificadores de água que diminuíram as doenças que existiam devido à água contaminada. Isto é uma história magnífica que podes contar um dia a qualquer neto, não só aos meus.

A vida pode ser tão simples, às vezes esquecemo-nos dos valores, das coisas básicas, do equilíbrio colectivo, temos de buscar aquilo que de mais forte temos e que nos une, e uma delas é o sorriso.

O que é que lhe falta fazer?

Sérgio Figueiredo: Tudo. Aos 90 anos não seria uma pergunta provocatória (risos). Já tenho 4 filhos maravilhosos que são a minha principal fonte de sorrisos, o sorriso que tenho devo-o a eles. Tenho muito amor à minha volta e isso alimenta-me a capacidade de sorrir.

Entrevista: Mafalda Agante

Mafalda Agante

Associação Sorrir

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