Sara Norte: "Sempre soube o quão instável é esta vida. Nunca sonhei alto demais"

Muito feliz e prestes a casar, Sara Norte esteve à conversa com o Fama ao Minuto e recordou todo o seu percurso profissional e pessoal.

Sara Norte vive agora uma nova fase da sua vida. Aos 32 anos, a atriz está apaixonada por Vasco Cruz, com quem está prestes a dar o nó.

Apesar de todos os altos e baixos, está agora empenhada a 100% no mundo da representação e sonha um dia poder consolidar a sua carreira com muito trabalho e por muitos anos.

Entre outros projetos, participou recentemente no filme ‘Fátima’, de João Canijo, e espera que as propostas não parem.

Apesar da dor da perda da mãe, Carla Lupi, que morreu em 2012, mantém uma boa relação com o pai, Vítor Norte, e conta sempre com o seu apoio.

De coração aberto, Sara Norte falou sobre o seu percurso profissional e pessoal, os desafios e as alegrias, numa conversa íntima com o Fama ao Minuto, partilhando ainda os seus sonhos para o futuro.

Recuando aos 12 anos, quando participou na famosa série ‘Médico de Família’, como foi fazer parte deste projeto?

Para mim foi ótimo. Enquanto as outras crianças brincavam com bonecos, eu não. Na altura não havia quase câmaras e o meu pai foi à China fazer um filme e trouxe uma câmara de filmar, então as minhas brincadeiras eram sempre com câmaras. Depois aos quatro anos fui descoberta pela Patrícia Vasconcelos e comecei a fazer publicidade, antes do ‘Médico de Família’. Comecei a fazer cinema, havia antigamente muitos filmes lusofranceses, e eu fazia muitos papéis. Tanto que aos 4/5 anos já sabia ler. E aos 12 comecei no ‘Médico de Família’ e foi um 'boom' porque toda a gente me conhecia na rua. Não ia à escola, praticamente só lá ia fazer os testes. Na altura não havia tanta regulamentação ao nível do trabalho infantil, hoje em dia há mais esse cuidado. Mas foi muito bom, não me arrependo.

Mas foi difícil fazer essa articulação, entre a gravação da série e a escola?

Consegui sempre. Para mim sempre foi uma prioridade até porque isso foi-me imposto pelos meus pais. Eles sempre me disseram que se eu chumbasse algum ano, acabava-se a televisão e, como eu queria tanto, fazia um esforço. Guardava sempre parte do meu horário para estudar a matéria da escola, não ia às aulas mas tinha a matéria toda e estudava.

Sente que o facto de os seus pais serem atores influenciou-a a seguir este caminho?

Sim, tive a possibilidade de conhecer o mundo. Lembro-me de ser pequenina e fazer o genérico da ‘Rua Sésamo’, qual era o miúdo que não queria tê-lo feito. Tive a oportunidade de ver como eram os bastidores e não ver só em casa. Facilitou-me nesse sentido. Agora o facto de ter decidido ser atriz foi uma escolha minha porque conheço filhos de atores que não ligam e, aliás, nem gostam da representação. Eu quando fui fazer o casting do ‘Médico de Família’ nem sequer sabiam que eu era filha do ator Vítor Norte porque fui com um nome falso, Sara Abril.

Tive sempre consciência do quão instável é esta vida e nunca sonhei mais alto do que o que podia, ou devia.

Pediu algum conselho aos seus pais quando começou a representar?

Não pedi porque os meus pais sempre me deram os conselhos antes de eu pedir. Aliás, acho que o facto de os meus pais serem do meio ajudou bastante porque podia ter ficado iludida, e isso não aconteceu. Sempre tive os pés assentes na terra. Sempre vi anos em que o meu pai tinha muito trabalho e outros em que não tinha. Tive sempre consciência do quão instável é esta vida e nunca sonhei mais alto do que o que podia, ou devia.

Aos 19 anos decidiu afastar-se da ribalta. O que a fez tomar essa decisão?

O divórcio dos meus pais... Foi realmente uma exposição muito mediática. Saía à rua e todas as revistas falavam disso. Um divórcio é muito complicado, muito mais quando toda a gente fala disso na rua e opina, sem saberem de nada. Para mim foi muito complicado e eu, que nunca parei os meus estudos, decidi ir para Direito.

Já se tinha sido escrito tudo sobre mim, já não dava para voltar a ser escritoVoltou a representar cerca de dez anos depois.

O que a fez voltar ao mundo da representação?

Estive bastante tempo afastada da televisão, desde os 19 anos até aos 28/29. Quando estive parada, nas minhas 'férias paradisíacas' como eu costumo dizer, tinha o meu grupo de teatro e tive um tempo, antes de voltar, para pensar na minha vida e decidi que era hora de lutar pelos meus sonhos. Já se tinha sido escrito tudo sobre mim, já não dava para voltar a ser escrito.

Um ator é sempre um ator quer esteja um, dois, dez anos parado

Nessa altura sentiu que o mundo artístico fazia parte de si, que é a sua vida?

Sempre foi. Um ator é sempre um ator quer esteja um, dois, dez anos parado. Sou atriz e sempre fui e não era o facto de ter estado dez anos parada [que deixava de ser]. Sempre foi aquilo que eu amei. Os cursos que eu tirei, mas que não estão completos, estive em Direito e depois em Comunicação Social, era só mesmo para ter um diploma e para ter mais uma arma a nível económico e para ter mais estabilidade. A mim sempre me assustou a instabilidade. Gosto das coisas muito certinhas. Sou muito liberal em muitas coisas, mas noutras não.

Na rua, costuma ser abordada pelas pessoas que reconhecem o seu trabalho? O que lhe costumam dizer?

Sim, muito. É giro porque as pessoas conhecem-me desde muito pequena e ainda sou muito identificada por causa do 'Médico de Família', e agora por causa também do filme 'Fátima'. É giro porque como também sou filha de um ator, as pessoas muita das vezes conhecem-nos pelas personagens, mas a mim não, é pelo nome. Sabem perfeitamente que eu sou a Sara Norte e são muito carinhosas. Tenho muita sorte porque as pessoas normalmente vêm ter comigo e dão-me as mãos, tocam-me, e eu gosto. As pessoas perdem um bocadinho do tempo delas para vir ter comigo e acho que tenho que ter o maior respeito por isso.

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