Por que gostamos tanto de Tony Carreira?

É um dos cantores portugueses mais acarinhados da atualidade, apesar das polémicas. Homem de causas, não esconde o passado difícil. Declarações intimistas numa entrevista exclusiva!

Alto e em forma, sedutor e generoso, nunca perde o contacto visual. Responde com liberdade, sem impor ou criar filtros. E há qualquer coisa de tímido nele que desfaz com empatia espontânea, como um miúdo. Encantador. Quando estivemos com ele, perguntámos-lhe porque é que tantas pessoas, de gerações e de quadrantes tão diferentes, o aplaudem. E percebemos! Veja a galeria de imagens da produção que fez para a revista Prevenir.

Em quase 30 anos de carreira, o que lhe ensinaram as tantas mulheres para quem canta?

Que são, sem dúvida, mais fortes e mais corajosas do que os homens. Uma mulher cai muito mais dificilmente do que um homem.

Há milhares de pessoas que o seguem concerto após concerto, pessoas de quadrantes muito distintos. Como explica que haja tanta gente a gostar de si?

Não sei explicar. Provavelmente vêem em mim algo que eu próprio não vejo…

Sente-o como uma responsabilidade?

Não, encaro-o como a vida que queria e que tenho a sorte de ter. Tenho a sorte de fazer o que tanto gosto e de, ainda por cima, as pessoas que transformaram a minha vida me darem, todos os dias, provas de amor, na rua. E isso acontece até mesmo com pessoas que podem nem gostar da minha música. Cruzo-me com muita gente que me  diz «Olha, eu não sou fã do que fazes como profissional mas gosto de ti»… É fantástico. E eu gosto dessa sinceridade…

Como se consegue criar laços de empatia com os outros, mesmo com os que são diferentes de nós?

Há coisas que não se fabricam e para essa empatia, de que fala, não há uma receita. Tenho respeito sincero por qualquer pessoa, por toda a gente. Isso para mim, claramente, é o meu ponto de partida.

E demonstra disponibilidade...

Sim, mas essa disponibilidade tem de ser verdadeira. Sou uma pessoa normal e vivo a minha vida de forma normal. Nunca adormeço a pensar que sou uma pessoa famosa, nem acordo a pensar nisso, nem vivo a pensar nisso. Simplesmente, vivo a minha vida.

Claro que a minha profissão me condiciona e também me formatou de certa maneira porque, sendo uma figura pública, também tenho deveres. Porque há mais luz sobre mim do que sobre uma pessoa desconhecida, acho que tenho de ser um exemplo bonito para a sociedade.

Foi, várias vezes, embaixador da luta contra o cancro da mama. Porquê?

É a causa em que me sinto mais feliz a defender. Primeiro, porque é uma homenagem que faço às mulheres, uma homenagem que lhes é devida. Dão-me tanto que é meu dever retribuir.

Contribuo com muito prazer para uma causa complicada, dolorosa, mas o dia em que estou presente [na Corrida Sempre Mulher] é uma festa. Juntam-se cerca de 15.000 mulheres, facto pelo qual, em parte, também sou responsável e isso deixa-me muito feliz. Já estive noites sem dormir para estar presente de manhã.

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