O que inspira Rita Redshoes

A cantora e compositora fala sobre as influências que se refletem nos temas que grava

Continua a ter como imagem de marca os sapatos vermelhos, retirados do imaginário do filme «O Feiticeiro de Oz», mas no novo disco, «Life is a Second Love», Rita Redshoes afasta-se da dream on girl que sempre aparentou ser e mostra-se mais madura.

Quatro anos de experiências, pessoais e profissionais, deram origem ao mais recente trabalho de Rita Redshoes.

«Life is a Second Love» é um trabalho mais pessoal do que os dois anteriores», explica a cantora e compositora. E isso percebe-se quando se ouve o disco. Nota-se que está mais madura e a própria vai mais longe. «Estou mais autêntica naquilo que quero dizer e na forma como passo isso para as canções», diz, acrescentando que no novo álbum se expõe de uma maneira mais urgente e honesta e é esta «a grande diferença deste para os outros», afirma a cantora.

Temos então um álbum «mais cru, realista, e um pouco mais feminino no sentido de uma afirmação mais de mulher em vez de uma dream on girl, ou seja, é uma mulher mais madura a olhar para ela própria». E de onde vem toda essa mudança? «Nestes quatro anos, aconteceu muita coisa positiva e negativa que me marcou e o disco acaba por ser um testemunho disso, desde relações que se alteraram, a outras que desaparecerem, passando pelo nascimento do meu sobrinho», desabafa.

Instrumentos do mundo

Gravado entre Portugal e Brasil, o novo álbum foi produzido por Gui Amabis que, nas palavras de Rita Redshoes, «é um músico brasileiro muito talentoso», que a ajudou a encontrar o caminho certo. Mas, tal como nos anteriores trabalhos, há mais colaborações. «Os meninos» dos You Can't Win, Charlie Brown emprestaram-me, de uma forma muito generosa, as vozes para fazer coros e conto também com Rui Freire, o baterista que toca sempre comigo, e com a violoncelista Ana Cláudia Serrão», refere.

Quando está a compor tudo a influencia, desde o cinema ao teatro passando, como disse, pela vida, pessoas e até pelo estado do país. «Quando olho para Portugal, sinto uma certa angústia. A incerteza do futuro e ver músicos de quem gosto muito passar mal mexe comigo», sublinha a intérprete. O mesmo sucede com a música que ouve, de estilos muito diferentes, mas «com privilégio para a mais antiga dos anos 50 e 60» e com os instrumentos que descobre e que vai experimentando.

«Essas experiências acabam por me ajudar a encontrar linguagens novas e até a mudar a forma como componho música, pois quando o instrumento é novo acabo por tocar coisas que não saem com o piano ou na guitarra que toco habitualmente», acrescenta ainda. Muitas vezes, a descoberta desses instrumentos acaba por acontecer, por acaso, nas viagens que faz, uma das suas paixões.

Dessas deambulações, que diz ser «uma fonte de inspiração incrível», traz sempre algo. Nem que seja uma imagem, uma memória, um cheiro ou uma influência. Por isso, sempre que pode, viaja para longe da Europa. Agora, prepara-se para viajar em turné, mas o seu sonho é atuar no Japão, um dos objetivos que quer cumprir no futuro.

Texto: Rita Caetano

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