«O estereótipo da mulher sexy que desperta desejo sexual é redutor»

João Murillo, artista plástico, casado há mais de uma década com a apresentadora de televisão, empresária e galerista Raquel Prates, fala sobre a sensualidade no universo feminino, uma das suas inspirações.

Vive com uma mulher que figura regularmente na lista das mais elegantes do país mas para o artista plástico João Murillo esse tipo de conceitos são redutores. «A elegância tem, sobretudo, a ver com a beleza que existe do lado de dentro da pele. Um lado que não se mostra, pelo contrário… Algo que se tenta esconder, mas que na terceira pessoa aparece exposto numa forma fotográfica», escreveu em fevereiro de 2015 numa carta pública à amada.

Qual é a sua definição de uma mulher sexy?

É importante começar por referir que todas as definições e rótulos são perigosos e não fazem justiça à complexidade que o ser humano encerra em si. A definição de sexy numa mulher está intimamente ligada à sexualidade, à forma como ela interage e comunica a sua imagem com os outros.

É uma mulher que desperta o desejo sexual, desejo no sentido erótico. É um estereótipo redutor mas esta é, sem dúvida, a sua definição. Há, por isso, como em todas as definições, uma simplificação que não traduz o espectro muito mais abrangente como hoje se encara a sexualidade.

O que o atrai mais numa mulher?

O que me mais atrai numa mulher é a elegância. A elegância é uma conjugação de fatores e o equilíbrio subtil entre todos eles. Há na elegância a sensualidade e a sexualidade, mas ela não prevalece sobre a delicadeza, o mistério. A elegância é uma forma de presença impossível de não exultar. Tem a magia do implícito, algo que valorizo muito mais que o explícito.

Uma mulher volumosa pode ser sexy?

Todas as mulheres podem ser sexy. O nosso principal órgão sexual é o cérebro. É lá que acontecem os fenómenos encantadores que nos conduzem ao desejo, ao enamoramento, à paixão... Uma mulher que tenha autoestima e autoconfiança e as traduza em sedução e enigma abre as portas para o imaginário dos outros. E isso é algo profundamente sexy!

Qual é para si o antónimo de sexy?

Linguisticamente, teria que ser indesejável. Este é o maior problema da linguagem, o aspeto em que ela pode ser demasiado simplista nas definições. Não existem pessoas que sejam uma coisa ou outra. Todos nós somos universos complexos que estão em constante mutação. A vida é feita de inúmeros momentos. Por isso, não há antónimos para sexy. Há apenas para certas circunstâncias.

Qual ou quais os erros que uma mulher comete quando quer ser sexy?

Normalmente, os maiores erros, que todos nós cometemos, vêm dos  exageros. Quando se comunica a nossa imagem, não o devemos fazer com um grito, quando quase sempre o sussurro é mais apropriado. A mesma fórmula pode ser utilizada quando se quer transmitir sexualidade. A exuberância excessiva dificilmente trás os melhores resultados.

Qual é a peça mais sexy que uma mulher pode usar?

De vestuário, todas, desde que sejam usadas em conformidade com a sua natureza e que transmitam uma relação de harmonia com ela própria. Há uma caraterística extremamente sedutora nas várias peças de roupa e acessórios que as mulheres usam, que é o antecipar do que elas escondem ou abrigam, se preferirem.

Confesso que, no meu caso pessoal, os sapatos são fundamentais, eles dizem sempre tanto sobre a pessoa que os usa. Mas, sem dúvida nenhuma, que a peça indispensável faz parte do corpo e é o cérebro…

Texto: Margarida Figueiredo com Luis Batista Gonçalves (edição digital)

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