Matilde Breyner é uma das estrelas da nova telenovela da TVI

A atriz, que já foi considerada uma das apostas para 2015, interpreta um papel em «A única mulher», com estreia prevista para o primeiro trimestre do ano. Entrevista intimista

Do campo para a cidade e da comédia para a representação no geral, é um dos nomes que promete sobressair em 2015. Aos 30 anos, a atriz Matilde Breyner é o rosto de uma geração. Apesar de já ter participado em programas como «A Mãe do Senhor Ministro», é agora em 2015 que vai ter aquele que considera o seu primeiro grande papel num projeto televisivo. E nós não quisemos perder a oportunidade de lhe mostrar um pouco mais quem é e por que razão ainda vai ouvir falar muito dela. Nós, que já a conhecemos há alguns anos, achamos mesmo que vale a pena.

Apesar de dizer que não lida muito bem com o avançar da idade, achamos que não tem um único motivo para isso. Ninguém diria que já viveu três décadas e, olhando para ela, também ninguém diria que conta já com tanta experiência na área que escolheu para se sentir realizada. Entre uma formação de atores em comédia na Act ou um curso de representação na John Frey Studio for Actors, ainda arranjou tempo para se formar em comunicação empresarial, porque se diz uma curiosa e por saber a importância que a formação contínua tem na construção de uma carreira sólida.

No dia em que a entrevistámos, a Matilde Breyner apareceu sozinha, desmaquilhada, de vestido curto, sapatos rasos e cabelo solto. Falou do passado, do presente e do futuro sem manhas nem artifícios. Nascida e criada em Azeitão, perto de Sesimbra, considera-se uma miúda simples e para sempre ligada à vida no campo e aos animais. Foi lá que fez as suas primeiras grandes amizades e que, rodeada pela família, descobriu a paixão pela representação e que desenvolveu o gosto por esta arte.

Sempre quiseste ser atriz? Tens alguém no teu círculo de amigos e família que te tivesse despertado o interesse pela profissão?

Sempre quis ser atriz. Tanto que, quando era pequenina, passava a vida mascarada. Normalmente, as crianças pedem aos pais para ficarem acordadas mais tempo à noite para ver televisão ou brincar. Eu lembro-me de pedir à minha mãe para me mascarar e de ficar ansiosa à espera de uma resposta positiva. Tinha um baú, que me foi oferecido pela minha avó no Natal, cheio de roupas e acessórios e fazia imitações, teatrinhos... Era sempre a prima responsável por entreter a família. Imitava toda a gente e obrigava as minhas primas a brincarem comigo.

Uma das coisas que gostava de fazer era brincar ao circo. Então as minhas primas inventavam personagens. Uma era a trapezista, a outra era o palhaço e outra a miúda das pipocas... Foi nesta altura que criei a minha primeira personagem, a Matildinha dos animais. Ainda hoje tenho pessoas da família que me tratam assim! Além disso, lembro-me de ter longas conversas com o meu avô paterno sobre a vida de artista. Sinto que foi uma das pessoas que mais me motivou e incentivou a seguir este caminho. No fundo, acho que ele sempre quis ser artista mas nunca foi por aí.

Tal como eu, também o meu avô tinha a capacidade de chegar a uma sala e entreter toda a gente. Uma vez, o Raul Solnado, que o conhecia, disse-me «Sou comediante porque tenho de ser, porque vivo disto, o seu avô era a pessoa mais cómica que conheci e adorava ser igual a ele». Ora, ter uma pessoa como o Raul Solnado a dizer-me isto encheu-me o peito, foi o maior elogio que podia ouvir. O meu avô era uma pessoa com quem me sentia muito à vontade e puxava muito pela minha veia artística. Foi ele quem me ensinou o poder da comédia.

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