Kelly Bailey: Nasce uma estrela

A revista Saúda esteve à conversa com a protagonista da nova novela da TVI.

Kelly Bailey: Nasce uma estrela
créditos: Pedro Loureiro

Revista Saúda – Vais ser a protagonista da próxima novela da TVI, “A Herdeira”. És tu a herdeira?

Kelly Bailey – Acho que sim, (risos) para já sou a herdeira, não sei muito bem do quê, mas pode muito bem mudar...

RS – E que herdeira é essa como personagem? Parecida contigo?

KB – Não tem mesmo nada a ver comigo. Para além de ser uma jovem positiva, com muita luz, sem carga negativa que eu também não tenho, ela tem uma vivência e uma forma de estar que eu não tenho. Tem a ver também com o corpo. Eu tenho uma atitude de princesa, sempre direita: ela está sempre relaxada, sempre bem.

RS – Cool...

KB – Ela é cool, sim, sim, e diz sempre o que quer sem pensar. Eu não sou assim. Antes de falar eu penso.

RS – E como é que tem sido meteres-te na pele de alguém tão diferente?

KB – Não tem sido fácil. Ao princípio chegava a ser quase desesperante por ela ser tão diferente de mim, mas é bom. A parte boa é que é um desafio.

RS – Vais passar por situações tão complicadas como a da violação na “Única Mulher”?

KB – Até agora não...do que já li.

RS – Foi a mais complicada, com certeza...

KB – Foi, aquilo mudou aquela miúda, a Francisca.

RS – Afetou-te de alguma forma?

KB – Sim, houve uma altura durante uma cena específica em que eu estava a chorar, eu mesma, e não conseguia parar. Às vezes acho que ainda não tenho as ferramentas para me distanciar como, por exemplo, a Alexandra Lencastre, que tinha uma cena a chorar e imediatamente antes estava a contar uma piada e a rir. Era maravilhoso de ver!

RS – Houve gente que se tivesse identificado com a tua personagem nessa parte da violação?

KB – Houve umas histórias, sim. Uma delas foi um rapaz. Encontrámo-nos três vezes. Na primeira veio ter comigo a chorar e eu fiquei com ele sem saber o que fazer.

RS – De que idade?

KB – Dezassete, dezoito. Depois encontrámo-nos na rua, ele veio pedir-me ajuda, ia a tribunal.

RS – O que lhe tinha acontecido?

KB – Tinha sido violado pelo tio. Queria que eu lhe dissesse o que devia dizer no tribunal.

RS – Conseguiste ajudá-lo?

KB – Não sei. Tive mesmo de lhe dizer: «Não sei pelo que estás a passar». E ele: «Tu sabes, tu sabes, vais dizer-me o que devo dizer». Na cabeça dele eu tinha passado pelo mesmo. Tive de explicar-lhe que não era assim, era tudo ficção. De qualquer forma, ele disse-me que era bom, que eu era um apoio e não se sentia sozinho.

RS – Tens só 19 anos, começaste “A Única Mulher” com 16, 17. Passaste de uma adolescente anónima a uma estrela da televisão com imensa popularidade. Como é que se lida com isto?

KB – Antes, eu não tinha noção de que fosse tão rápido. Mal a novela começou as pessoas começaram a abordar-me. Às vezes esquecia-me, não estava a contar muito com isso. Inicialmente pensava: «Isto é muito bom porque as pessoas estão a reconhecer-me» mas ao longo do tempo comecei a sentir: «Bom, isto é a minha vida de todos os dias».

RS – E tiveste apoio?

KB – Sim, muito. Principalmente da minha família. Acho que das coisas mais importantes que tenho é saber que tenho família, tenho amigos fora do meio que me apoiam, saber de onde vim. E tive sempre muito apoio.

RS – Como viveste o escândalo que as revistas cor-de-rosa fizeram sobre a tua relação sentimental iniciada durante as gravações da novela?

KB – O importante para mim era que a minha família e os meus amigos sabiam a verdade. Era chato, claro. Não foi fácil, não vou mentir. Mas às vezes era tão mau o que escreviam que até já dava vontade de rir. Não lidei muito bem inicialmente, fiquei revoltada, mas tive muito apoio mesmo dos meus colegas que estavam lá e viam a injustiça que me estavam a fazer.

RS – E como é que os teus pais reagiram ao facto de teres uma relação sentimental com uma pessoa muito mais velha? Tinhas 17 e ele 36.

KB – Isso nunca foi problema. Acho que é uma questão que hoje em dia já não se põe. Nós não escolhemos de quem gostamos e, felizmente, tenho dois pais que compreendem isso. Acho ridículo pensar outra coisa. Somos pessoas, apaixonamo-nos.

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