Joana Marques: "Gostava de poder adotar avós por aí"

A Joana Marques e o Daniel Leitão dispensam apresentações. Cada vez mais, esta dupla de humoristas é conhecida e reconhecida pelo grande público.

Retratos Contados (R.C):Os Retratos Contados apresentam-se como um projeto único diferenciado e inovador uma vez que nos focamos numa área diferente do habitual. O nosso objetivo é falar das ligações entre avós e netos, a importância dos avós na vida dos netos e vice-versa. O que acham dum projeto como este?

Joana Marques (J.M): Eu acho ótimo até costumo dizer que tenho uma adoração por avós, os meus em particular, mas também os avós no geral. Eu gosto de pessoas mais velhas! Há pessoas que a gente olha e pensa “Olha aquele senhor dava um bom avô”. Gostava de poder adotar avós por aí. Portanto. Acho que faz todo o sentido um projeto deste género, quase toda a gente tem histórias, curiosidades e emoções para partilhar sobre os seus avós.

Daniel Leitão (D.L): Até porque os avós normalmente são “os pais perfeitos”, são os pais que estão lá só para as coisas boas e quase nunca ralham, nem dão na cabeça dos netos.

J.M: Portanto, as melhores recordações da infância têm a ver com avós, é aquela fase em que não há regras. Onde tudo pode acontecer…

R.C: Quando olham para o nosso país, como é que veem a população mais velha?

J.M: Um bocadinho abandonada! Aliás, bastante abandonada… Nós não vemos muito isso nos exemplos mais próximos de nós, vemos muitas pessoas da nossa idade que têm uma relação forte com os avós e que costumam estar com eles frequentemente, mas quando vemos as notícias é impossível não acharmos que existem muitos avós abandonados e a sofrer de solidão. Quando vemos que há pessoas que são depositadas, por exemplo no hospital e depois ninguém vai lá busca-las é aterrador. É absurdo! Os netos ou os filhos que fazem isso nunca perceberam realmente o que é ter um avô! Não entendo o que leva as pessoas a abandonarem os mais velhos e a depositá-los como se fossem mercadoria. É preocupante!

D.L: Todos vamos passar por lá, não é?

J.M: E tem também esse lado, essas pessoas acham que não vão ter futuro e não vão ser velhas um dia…???

R.C: É um paradoxo! Ninguém quer ser velho, mas toda a gente quer chegar a velho.

J.M: Exatamente, é bom sinal.

R.C: Em relação às gerações mais novas, pensam que hoje, os avós ficam um pouco mais remetidos à solidão? Ou seja, os netos são capazes de estar em casa dos avós, e cada um estar no seu telefone, no seu Ipad, e acabam por estar na mesma casa e não absorvem dos avós, aquilo as gerações antigas absorviam.

D.L: Eu acho que tem dois lados. Tem esse lado mais negativo de facto, acaba-se por não passar tanto tempo com eles e aprender aquilo que nós aprendemos com os nossos avós, sejam as brincadeiras, sejam os ensinamentos, seja tudo aquilo que conseguimos aprender com eles. Mas por outro lado, também tem a parte cool, chamemos-lhe assim, que os netos também estão muito mais predispostos a ensinar coisas aos avós, porque eles estão muito mais afastados dos dias de hoje, das novas tecnologias. É impensável, eu ensinar os meus avós a mexer num telefone ou num tablet, e os avós hoje também são os pais de ontem, também são muito mais predispostos a isso e os netos também estão muito mais, têm um elo de ligação adicional que se calhar doutra maneira poderia não existir.

J.M: Poderá nem ser uma barreira, às vezes, não é?

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