Fernando Gomes Rosa em entrevista

O cirurgião albatroz

Desde cedo se interessou pela área das ciências, talvez pelo
fato dos seus pais terem sido médicos e, por isso, afirma nunca ter
tido momentos de indecisão quanto à escolha da sua profissão.

Com 27 anos de
carreira, embora não o pareça, Fernando Gomes Rosa é apaixonado pela cirurgia plástica. «O cirurgião
deixa a sua marca no que faz, sobretudo nesta área», confidencia.

Ao contrário do que
muitas pessoas pensam, a cirurgia plástica «tem um vasto campo de atuação
com múltiplas técnicas que podemos empregar», refere. A par da medicina, pratica desporto regularmente e considera que alimentar-se de forma regrada, não fumar e ter um bom ambiente familiar é fundamental para ter uma vida feliz e saudável. Acredita que «reestruturar
a função e a imagem» de uma pessoa contribui de forma significativa para a
melhoria da sua qualidade de vida, contudo, «é necessário saber gerir expectativas», confessa.

«Neste caso, existe um resultado que tem de ser definido
com o doente» e para isso é necessário existir uma boa relação e um grande
envolvimento entre o médico e o paciente. Consequentemente, no que respeita
à crescente preocupação com a imagem, o cirurgião considera ser um aspeto
positivo «desde que signifique uma maior consciencialização do nosso corpo e
uma maior desinibição em relação a estes aspetos».

Por outro lado, urge saber
controlar os excessos para que as pessoas não caiam na vulgaridade. «Procurar
tratamentos a todo o custo e com baixa qualidade é um erro», alerta, sublinhando
que «o médico tem de procurar ser uma pessoa idónea e ter sinceridade para
dizer não perante expetativas irrealistas».

Fernando Gomes Rosa reconhece que a maioria das pessoas associa a cirurgia
plástica somente à beleza mas lembra que «a intervenção reconstrutiva
é feita, muitas vezes, em situações limite, como, por exemplo, em zonas queimadas
ou em grandes recessões tumorais». Considera-as situações dramáticas
e autênticos desafios.

«Uma vez tive uma paciente africana, refugiada da
guerra, que me adotou como pai», conta. «Tinha uma perna destruída e ligou-se à minha equipa dessa forma. Ainda hoje, no dia do pai me envia cartões.
São situações destas que, de fato, nos obrigam a uma maior entrega e dedicação
do ponto de vista técnico mas também do ponto de vista humano».

Fernando
Gomes Rosa explica que o albatroz é conhecido por seguir o pai durante
toda a vida, comparando-o aos seus pacientes. «Pelo tipo de patologia que têm,
vão precisar do nosso acompanhamento durante anos, porque o tratamento é
prolongado e passa por várias fases», sublinha.

O que mais gosta no seu trabalho?

Antes de mais, que tenha um bom resultado. Gosto
de saborear cada fase do tratamento, mas o que
mais me dá gozo é a consulta pós-operatória: avaliam-
se os resultados, vemos se está tudo bem e,
no caso de não estar, o que se pode melhorar;
e também se a expectativa do doente foi cumprida.

Já se submeteu a alguma cirurgia estética?

A única cirurgia estética a que recorri foi para tirar
o que os ingleses chamam de love handles (pegas
de amor), muito difíceis de tirar nos homens.
Fiz uma pequena lipoaspiração para extrair os depósitos
de gordura na região lombar.


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O que mais o atrai no corpo humano?

O conjunto. Gosto de ver a harmonia entre os vários
segmentos corporais e ligo muito à expressão
da pessoa, mais do que propriamente à beleza.

Qual foi o momento mais marcante da sua carreira?

O que me marcou e que, simultaneamente, me
deu mais gozo foi o fato de ter chegado ao Hospital
Amadora-Sintra, onde trabalho atualmente como
consultor (especialista convidado), e conseguir desenvolver
um trabalho que foi reconhecido e me
permitiu reconstruir a equipa.

Ajudei a criar duas
especialidades (cirurgia plástica e maxilo-facial)
dentro de um hospital que estava em fase de desenvolvimento.

Qual o avanço científico por que mais anseia?

Conseguirmos perceber completamente qual
é o mecanismo do envelhecimento a nível celular
e molecular e poder interferir a esse nível, de forma
a retardar o envelhecimento das células, ou seja,
prolongar a vida das pessoas, mantendo as suas
qualidades, as suas funções e os seus órgãos.

Atrás disso vem também a cura ou a prevenção de
muitas doenças que estão associadas à degradação
celular, uma das quais as neoplasias, que são células
que escapam ao nosso sistema imunitário,
de forma a conseguir detetar e destruí-las antes
de se formar um tumor.


Percurso profissional

Licenciado em medicina pelo Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa, Fernando Gomes Rosa especializou-se em cirurgia plástica reconstrutiva e estética pela ordem dos médicos. Possui ainda grau de chefe de serviço da carreira médica hospitalar.

Texto: Cláudia Vale da Silva

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