Fernanda Serrano em entrevista

As emoções da atriz que todos os dias traça um final feliz para a sua história (fotos)

A experiência molda-nos, faz-nos crescer. No ano em que completa 40 anos, Fernanda Serrano é um exemplo vivo desta premissa. Lutadora por natureza, diz-se «muito otimista», mas assume ter «um lado lunar que, por vezes, se faz sentir mais que o desejado». Atriz, ex-manequim e apresentadora, abraçou, desde há sete anos, o papel de mãe de Santiago, Laura e Maria Luísa.

Há cinco, superou um cancro da mama. Do diagnóstico da doença à gravidez inesperada, a história dessa dura etapa é contada no seu mais recente livro «Também Há Finais Felizes». Em entrevista à Prevenir, partilha, em exclusivo, o momento presente. Intenso nos afetos, mas mais sereno.

Como e um dia tipico da sua agenda?

Não tenho. Posso acordar cedo e preparar as crianças para a escola ou acordar muito cedo e gravar até à noite. Todos os momentos livres são ocupados pela família, faço questão.

Tem facilidade em gerir o tempo?

Tenho, mas por vezes adorava poder esticar as horas e ganhar mais meio-dia. Gosto de ter dias muito preenchidos e de, de vez em quando, ter um sem absolutamente nada para fazer.

O que a deixa stressada?

O trânsito, porque é tempo que se perde e não se pode reutilizar. Tento resolver questões pendentes nessas alturas: fazer telefonemas ou simplesmente ouvir música e estar comigo, o que é raro.

Trabalhar como atriz ajuda-a a gerir melhor as emoções?

Aprendemos a utilizar o nosso baú de emoções quando necessário, mais do que qualquer outra pessoa. Por vezes é duro, mas acontece de forma gradual e quase mecânica. A seguir, fecham-se as gavetas, para se voltarem a usar quando forem solicitadas. É um conhecimento aprofundado de nós mesmos, sem consulta clínica, daí dizer-se que os atores são um pouco convulsivos.


O que a faz rir ou chorar?

As emoções mais intensas advêm, sem dúvida, dos meus três tesouros [os filhos]. Só eles me fazem chegar a todos os estados emocionais a uma rapidez alucinante. São os detentores de todas as minhas emoções. Tenho a certeza profunda de que seria tremendamente infeliz se não tivesse experimentado a maternidade.

Como é no papel de mãe?

Tenho de aprender a ser menos ansiosa em relação a tudo o que tem a ver com a vida futura deles, que estará fora do meu controlo. Mas calculo que tudo se adaptará gradualmente e que estarei apta a ser uma mãe mais tranquila, embora alerta e muito presente.

Que habitos saudáveis faz questao de lhes transmitir?

Que partilhem tudo o que diz respeito às suas vidas (amigos, medos, angústias...), para que os possamos ajudar em tudo. Que o mais importante é, e sempre será, a família. Que devemos ajudar os nossos amigos. E, sobretudo, digo-lhes para se divertirem, muito e todos os dias.

No seu segundo livro, «Também Há Finais Felizes», lançado recentemente, relata a sua luta contra o cancro da mama. O que a motivou a contar a sua história?

Constatei que grande parte do público pensou que eu engravidei intencionalmente numa fase crítica do processo pós-oncológico, o que faria de mim uma pessoa irresponsável e inconsequente. Isso não é verdade e eu quis esclarecer. Não engravidei propositadamente quando era extremamente perigoso para a minha saúde e tinha dois filhos para criar.

Além disso, a mensagem é sobre o erro clínico de que fui vítima. O obstetra não percebeu que devia investigar um nódulo, desvalorizou mesmo depois de ser alertado para o historial oncológico da minha família.

Como se podem evitar situações semelhantes?

Não se consegue evitar um erro clínico, consegue-se, quando muito, solucioná-lo. Os médicos são referências, são as pessoas em quem depositamos a saúde, o que é preciosíssimo. Mas se há uma suspeita forte, eu diria para nunca se baixar a guarda, não deixar cair a inquietação e tentar solucionar.

No livro revela uma grande determinação em não sucumbir as emocoes negativas. Isso foi essencial?

Não sei... Sei apenas que faz parte da minha natureza promover a alegria e não a tristeza. As más notícias e a inevitabilidade da vida não conseguimos controlar, mas podemos promover a boa disposição dentro do que nos é apresentado.

Se as pessoas que nos amam e nos querem bem nos virem desmotivadas, ficam ainda mais preocupadas. Se nos virem com alguma energia e força, será uma mais-valia. Não estou, de todo, a desvalorizar a gravidade das situações, mas temos que tentar contrariar as adversidades.

Que conselhos pode deixar a quem esta a passar por uma situação idêntica à sua?

Cada um gere a sua situação o melhor que sabe, pode e consegue. É um trabalho enormíssimo e muito pessoal. Mas uma estrutura familiar sólida e coesa é preponderante para o equilíbrio e serenidade, que são fundamentais. Também é importante ter uma boa alimentação, uma vida familiar intensa mas tranquila e seguir todos os conselhos clínicos à risca.

Passou a dar mais atenção ao seu estilo de vida depois da doença?

Passei a estar mais atenta e a não cometer tantos excessos, embora seja mais ou menos regrada. Adotei os vegetais, legumes e frutas frescas como base da alimentação e moderei a ingestão de carnes vermelhas. Existem muitas terapias, mas não consigo levar nenhuma a fundo durante muito tempo.

Acho que devemos viver tranquilamente segundo o que nos faz mais felizes, tendo um modo de vida equilibrado e estando muito alerta, fazendo todos os exames. Depois, é uma questão de sorte.

A religião tornou-se central para o seu equilíbrio?

Já era católica, mas agora sinto que vale a pena acreditar. Se já tinha fé, passei a ter mais. É algo que fui resgatar e me fez sentir acompanhada. Ajudou-me muito. Tenho uma forma de praticar diferente, é uma conversa, uma partilha genuína.

Existe, para si, um antes e um depois da doença?

Sempre fui muito ligada aos afetos e a quem me é querido. Neste aspeto, nada se alterou. Não passei a ser melhor ou pior pessoa… Apenas ganhei experiência de vida, através de uma dura realidade. Talvez ria mais e tenha deixado de me importar com o que não merece a minha atenção.

No final de 2013 completa 40 anos. Quais os segredos da sua serenidade e elegância?

Vivo o mais possível. Não deixo para amanhã nada do que possa fazer hoje. Rio muito, desfruto de tudo o que gosto, vivo rodeada de pessoas de quem gosto e sou muito amada. É uma fórmula imbatível

Os segredos da boa forma de Fernanda Serrano:

- Ginásio
«Tenho, há alguns anos, um personal trainer com quem treino uma a duas vezes por semana, apesar de não ser muito cumpridora. O exercício tem de ser uma necessidade, não uma obrigação», considera a atriz.

- Ar livre
«Faço uma vida o mais ativa possível. Vivo num sítio onde se respira ar puro, o que me permite fazer inúmeras atividades ao ar livre», revela Fernanda Serrano.

- Instituto
«Recorro a um tratamento mecânico que permite desfazer gorduras localizadas odiadas, sobretudo, por quem já é mãe», sublinha a ex-manequim.

Texto: Rita Miguel com Carlos Ramos (fotografia)

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