Era uma vez... um livro

Confesso que gasto algum dinheiro em livros para crianças. Sempre achei impressionante a forma simples e sincera como se passam as mensagens, por vezes tão complexas.

Simultaneamente, as ilustrações fascinam-me. Há livros que são verdadeiras obras de arte. Quanto aos de livros pop-up...esses então eu coleciono. Ao folheá-los, e todas aquelas estruturas de papel se montam ao virar da página, os meus 29 anos transformam-se no deslumbre de um puto de 10.

Quando vou a qualquer livraria, a passagem pela secção infantil é obrigatória e dou por mim a pensar: 'os tipos que escrevem isto e os ilustradores que fazem estas colagens, desenhos e montagens maravilhosas, estão a dirigir-se não só aos mais pequenos, mas também aos adultos. Só pode. '

A ideia de escrever um livro para o público mais pequeno já era um desejo que me vinha acompanhando há algum tempo, mas 'qual a história?', 'como seriam as ilustrações?', 'e a capa?', mil perguntas se embrulhavam na minha cabeça. 'E porque não levar isso para a frente?

O Francisco Salgueiro, ousado e reconhecido escritor, sensível fotógrafo e mais importante que tudo, meu bom amigo, desafiou-me e diz-me certo dia: 'vamos pôr a máquina a funcionar? porque não escrever a tua história, a forma como lutaste para conseguir realizar o teu sonho de ser ator? Acho que faz muito sentido, sobretudo com a tua ida para o Brasil como protagonista da nova super produção da Rede Record'.

E assim começou esta enorme aventura... 'Era uma vez um menino chamado Pedro que descobriu ter um grande sonho, ser ator...'

No livro estão também o Nicolau Breyner, sim ele mesmo em cartoon, com os traços tão característicos que lhe pertencem, que foi meu professor na ACT- escola de atores, onde estudei durante 3 anos, a minha mãe, o meu pai, eu, em modo 'pequenino e de tenra idade', a minha querida avó Júlia, e a atriz Rita Pereira também em modo criança, porque para além de minha amiga, ninguém melhor do que ela representa a ideia concretizada de uma menina que consegue realizar os seus sonhos, lutando todos os dias pela verdadeira paixão que é representar. Ah! Já me esquecia... até a Hyndia e a Avy, as cadelas dela entram. Todos em modo cartoon.

E com todos estes ingredientes criámos uma história, escrita a meias entre Lisboa e São Paulo, onde o objetivo era que as crianças tivessem a perceção que para se ser ator é necessário muito trabalho.

Vivemos numa época em que qualquer pessoa pode ter fama, seja por ter feito algo muito bom, ou algo perfeitamente absurdo. E muitas vezes os potenciais atores querem apenas isso, fama. Serem reconhecidos, terem acesso a locais onde nunca poderiam estar e serem capas de revistas.

Alguns até podem conseguir isso sem grande esforço, por um tempo limitado. Mas, se queremos ser realmente atores, e daqui a 20, 30, ou mesmo 40 anos estarmos no ativo isso exige muito esforço.

Não é fácil seguirmos os nossos sonhos, ouvindo muitas recusas e tendo muitas desilusões. Mas é preciso batalhar-se muito todos os dias, não desistir.

Se for de verdade a paixão e a entrega por esta difícil mas mágica profissão que é a representação, com empenho, trabalho, dedicação e uma pitada de sorte é possível concretizarmos os nossos sonhos. E é essa mensagem que está no livro.

É um livro para crianças, mas que aconselho a todos os adultos. Não há idade para podermos lutar para concretizar os nossos sonhos.

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artigo do parceiro:
Pedro Carvalho

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