Entrevista a Guta Moura Guedes

A verdadeira mulher dos sete ofícios...

Guta Moura Guedes é uma verdadeira mulher dos sete ofícios: designer, gestora, empresária, escritora, entre muitos outros…

Nasceu a 23 julho de 1965 em Torres Vedras, Portugal. Tem o 4º Ano de Piano do Conservatório e formou-se em Gestão Hoteleira na Universidade Internacional de Lisboa, em 1987. Fundou a Associação Experimenta em 1998. É co-fundadora da associação cultural “Experimenta – Associação para a Promoção do Design e Cultura de Projecto”. Desde 1999 que se dedica à direção e programação da bienal ExperimentaDesign. É membro do Advisory Board da Fondazione Bisazza em Itália, do Conselho Consultivo do IADE, do Conselho Consultivo da Babel e do Conselho Consultivo do GRACE - Grupo de Reflexão e Apoio à Cidadania Empresarial.

Foi assessora do administrador-delegado da Fundação Casa da Música na área de comunicação, marketing, design e desenvolvimento, entre setembro de 2006 e janeiro de 2008. Dirige e comissaria diversos projetos na área do design, assumindo actividades como consultora e oradora em debates e conferências na área do design e do desenvolvimento estratégico, em Portugal e no estrangeiro. Escreve sobre design, cultura e comunicação para revistas portuguesas e estrangeiras.

Guta é também uma das caras do Movimento Mulheres de Vermelho, um projeto social que visa defender a prevenção e a adopção de um estilo de vida saudável para as mulheres.


Como surgiu o convite para o movimento mulheres de vermelho?

Foi o fundador do Movimento Mulheres de Vermelho, António Peres que teve a delicadeza de me convidar.

Qual é a importância da participação neste movimento?

Vejo-a com grande sentido e significado, uma vez que o movimento se ocupa, acima de tudo, de questões ligadas à saúde e à promoção de um estilo de vida saudável. São temas que me interessam e valores que me interessam defender. Associa-se à prevenção das doenças cardiovasculares nas mulheres, mas é mais abrangente do que isso, pois são questões absolutamente transversais, independentes do sexo ou da idade. 

Qual é para si o simbolismo da entrega do vestido vermelho?

Para mim foi, precisamente isso, um ato exclusivamente simbólico. O vermelho está associado ao coração, a entrega de uma peça de roupa com essa cor foi a forma que a organização encontrou de sublinhar a nossa participação. O uso que é dado aos vestidos é uma forma de veicular essa mensagem e torna esse ato simbólico numa ferramenta de comunicação, o que é bastante interessante.

Pensa que o público português é mais recetivo a uma causa quando a mesma tem uma cara conhecida associada?

Sim, claro, mas não só o público português, qualquer público em geral.

Qual a melhor forma de consciencializar as mulheres portuguesas das doenças do coração?

Fazê-las pensar nos filhos e nas pessoas que amam e por quem são amadas. É por nós próprios que nos devemos cuidar, claro, mas é acima pelos outros que dependem de nós que temos a obrigação de nos mantermos saudáveis e de tentar prolongar o nosso tempo de vida ativa o mais possível.

Qual a mensagem que gostaria de deixar aos portugueses sobre a importância da prevenção de problemas no coração?

A prevenção na saúde é a base de tudo. Os problemas de coração são gravíssimos, matam, incapacitam, destroem vidas e famílias. Sabemos que a sua prevenção através de uma boa alimentação e de hábitos que contrariem a sedentarização é extremamente eficaz. Haverá coisa melhor? Poucas são as doenças que podem ser tão eficazmente prevenidas através de dois vetores tão simples. Por isso, não há nenhuma desculpa para não o fazer! Nenhuma.

De que forma é que cuida do seu coração no dia-a-dia?

Penso que do modo mais correto e que é o que o movimento das mulheres de vermelho mais tem insistido: uma alimentação cuidada, pensada para não ter impactos negativos, recorrendo à dieta mediterrânica, o que é para nós culturalmente natural, e tentando manter uma vida muito ativa e nada sedentária. Tenho pouco tempo para fazer ginástica, muito menos do que devia, mas em compensação ando imenso a pé, subo escadas, não me sento a seguir às refeições, não fico mais do que uma hora sentada a trabalhar, faço interrupções só para fazer passeios ou andar a pé ao ar livre. Uso pouco sal e pouco açúcar por natureza e gosto imenso de alimentos crus. Sou uma gourmet, adoro cozinhar e adoro boa comida, mas instintivamente recuso fritos, refogados, fast-food, refrigerantes. 

Como consegue conciliar uma vida profissional tão ativa com a sua vida pessoal e familiar?

Com muito trabalho, imaginação, flexibilidade, sentido de humor e muita ajuda. E ainda por cima viajo muito! Sem o apoio da minha família, ou seja, pais e irmãos e cunhados, teria sido impossível. E mesmo assim é verdadeiramente esgotante conseguir equilibrar tudo. Mas o entusiasmo que me provocam as duas frentes, a familiar e a profissional, justificam o esforço. E tenho imensos truques de sobrevivência, para manter a sanidade mental e física!

Nunca pensou em sair de Torres Vedras de forma a conseguir não passar tanto tempo na estrada?

Já pensei muitas vezes e este ano, depois de 20 anos a ir e vir, embora sem ser em ritmo diário, tomámos a decisão de vir viver para Lisboa. Poupo horas e horas de estrada e em filas, eu já sabia isso, mas era uma decisão que não estava só nas minhas mãos mas também na dos meus filhos. Mas vivi maravilhosamente em Torres Vedras.

A sua família lida bem com a sua presença irregular?

Espero que sim. Vai-se aprendendo a gerir uma estrutura que é, necessariamente, flexível. A irregularidade está associada à tipologia do meu trabalho, faz-me viajar bastante mas tem lados bons, pois permite também estar muito tempo em casa. É importante referir que eu trabalho em qualquer sítio desde que tenha um computador e internet e não tenho horários fixos.

Alguma vez a fizeram sentir inferior por ser uma mulher dominante no paradigma profissional?

Nunca.

Acredita que o seu nome se tornou numa marca?

Penso que a ideia de existir uma marca associada ao meu nome surge porque eu só me envolvo em projetos onde eu me reconheço e onde sinto uma grande identificação. Há por isso uma espécie de assinatura que se foi tornando visível ao logo do tempo. É normal que seja reconhecida, uma vez que muitos dos projetos têm uma dimensão pública expressiva.

Qual a próxima marca de Guta Moura Guedes no mundo?

O que faço, seja em que frente for, não está associado ao desejo de deixar uma marca minha mas está sim sempre associado ao desejo de contribuir, de algum modo, para melhorar a sociedade onde me integro. Estará sempre relacionado com pessoas e com uma forte vertente cultural. Se tem a minha marca é irrelevante, o que é importante é que sirva para algo de útil e de acrescentador.

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