Como desenvolver uma atitude positiva em 2011

O coach, trainer e sociólogo João Pombeiro da Silva explica como tirar partido do seu Capital Psicológico Positivo

Qual a atitude certa para se ter assim que se inicia um ano novo?

Creio que existirão atitudes certas e não apenas uma. Vejo diferente de quem afirma que existe "A" atitude certa, como se todas ou a maioria das pessoas apenas chegasse onde quer ou alcançasse o que deseja, independentemente do contexto e do seu estado, seguindo uma e uma só atitude ou forma de estar. Por vezes, algumas pessoas, seguindo algum conselho ou ideia que ouviram, tentam mudar coisas nas suas vidas e pensam em objectivos que se traduzem num querer passar, como se costuma dizer, do "8 ao 80". O que vemos na prática é que algum tempo, pouco, depois voltam "ao mesmo", à prática anterior que queriam alterar ou melhorar ou fazer diferente. É pois necessário saber definir muito bem os objectivos e isso passa também por, se necessário, decompor um grande objectivo noutros "menores" e que representem passos em direcção ao "maior". Por exemplo, se alguém em 2010 fez nenhum exercício físico e pretende começar a correr ou andar de bicicleta, será preferível começar por fazê-lo uma vez por semana do que querer começar logo a fazer 5 vezes por semana (e, porventura, desistir logo ao segundo dia).

Então não existe “a” atitude?

Acredito profundamente que face a cada situação, com as respectivas pessoas intervenientes e circunstâncias presentes em cada uma, cada pessoa pode e consegue manifestar a atitude que será mais adequada, a que melhor der resposta ao desafio ou objectivo que tem à sua frente, dentro de um escopo congruente e que preserve a ecologia do contexto em que aquela está inserida. E sendo cada pessoa única e melhor conhecedora de si e do meio em que está envolvida, mesmo que ainda não esteja consciente disso, quem melhor do que ela para chegar à solução e atitude que melhor sirva em determinado contexto? Também por isso é que, como coach, me é tão especial e apaixonante poder ajudar pessoas, seja numa área pessoal ou na profissional, a descobrirem soluções e caminhos para atingirem o que realmente desejam em vez de se auto-sabotarem ou baixarem a fasquia ou se deixarem ficar pelo caminho.
Também acredito existirem uma série de qualidades, que todos temos (para algumas pessoas será uma questão de as desenvolverem mais), que facilitam o processo, o caminho para chegar ao que desejamos para o novo ano. Em Psicologia Positiva fala-se em Capital Psicológico Positivo (CPP), sendo este composto, de um total de oito, por um núcleo de quatro características essenciais.

E quais são elas?

Auto-Confiança; Resiliência; Esperança; e, Optimismo. Existem técnicas para desenvolver o CPP tal como existirão com certeza outras qualidades que cada pessoa identifica em si como necessárias para contornar os obstáculos que possa ter ou alcançar os objectivos que deseja. Se quem está a ler este artigo puder agora pensar e escrever as duas primeiras características que vê em si como necessárias para agir e viver um excelente 2011, quais seriam elas?
Em suma, uma atitude que permita alcançar os resultados conscientemente desejados inicialmente pela pessoa e cujo impacto seja benéfico ou, no mínimo, neutro para as pessoas envolvidas (família, companheira amigos, colegas...) será uma atitude certa possível de se tomar.
Quem conseguir adoptar uma atitude de curiosidade; definir muito bem quais objectivos quer para cada situação; manter elevada a sua capacidade de observação sobre o que vai acontecendo no contexto dessa situação; e, face às circunstâncias e aos objectivos definidos, adaptar o seu comportamento, sendo flexível, certamente logrará conquistar o que deseja, ter sucesso, sentir-se bem.

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Mas como sobreviver a tantas notícias sobre crise?

Existirão seguramente muitas formas. É uma questão de escolha. Pessoalmente, aplico regularmente pelo menos três:
- das pessoas que me rodeiam reformulo/ressignifico mental e/ou verbalmente afirmações negativas para positivas sobre a "crise" ou referências a notícias sobre isso. Pode ser um exercício de desconstrução muito interessante, algumas vezes divertido outras desafiante e, claramente, pode ser muito esclarecedor, contribuindo para um melhor sentimento e consciência face ao que acontece interna e externamente a cada um de nós quando confrontado com tantas notícias sobre crise. É um pouco como "ver o outro lado da moeda". Dois caracteres chineses compõem a palavra "crise": um representa "perigo", o outro "oportunidade". Se uma situação está "torta", em vez de se pensar ou dizer que está perdida, ou"indireitável", é pensar e dizer que está endireitável, que existem sempre alternativas e soluções, focando no que se possa fazer para isso.
- acontece que perante a frequência e volume de negatividade actualmente presente na maior parte da comunicação social ou das conversas que ouvimos, pode ser muito desgastante passar a maior parte desse tempo em que interagimos a reformular/ressignificar o que ouvimos, lemos e vemos.

Então qual a solução?

Existe uma prática brutal para viver com as notícias sobre a "crise": desligar delas. Simples e literalmente desligar, principalmente, de noticiários televisivos ou de outros programas em que "velhos do Restelo" ou arautos do infortúnio discursam com alguma ou nenhuma sustentação sobre um futuro "negro" para Portugal ou para a economia. Pessoalmente, prefiro ser eu a escolher o meu futuro, fazendo por o concretizar naquilo que está ao meu alcance e, já agora!, prefiro escolher um futuro próspero, risonho, salutar. O que é que faz mais sentido? O que me ajuda melhor? Cada pessoa, certamente, sabe a resposta a estas perguntas.
- E, em terceiro, escolho manter-me actualizado nas áreas ou temas que me interessam pesquisando por mim, principalmente na internet, sobre esses assuntos. Quando o faço, e sabendo que a capacidade de absorção da informação "à minha frente" é muito maior por parte do meu subconsciente do que pelo meu consciente, mantenho presente um filtro e a ressignificação mental para com títulos negativos, possivelmente até procurando outra informação complementar sobre aquela notícia, ou fazendo por "passar ao lado", indo "directo" ao que estou à procura naquele site noticioso ou outro.

Não será esta uma forma de fugirmos aos problemas?

Não, note-se que aquilo que falo e acredito é bem diferente de um positivismo irrealista, ou como alguns lhe chamam: bacoco, em que uma pessoa possa pensar que está tudo bem, não se passa nada de errado, virando a cara aos desafios para olhar para uma outra área onde esteja tudo bem. Diferentemente disso, tenho consciência de que existem dificuldades e que muitas estão fora do meu controlo. Sobre essas que estão fora, de que me vale ou o que é que eu ganho em me focar nelas? Muitíssimo pouco ou nada de bom ou positivo ou que me ajude. Agora se o meu objectivo fosse desviar atenções do que não estou a fazer ou de me desresponsabilizar pelo que posso fazer para alcançar o que quero ou para me sentir bem, então focar-me no que está mal e fora do meu controlo é uma excelente forma de ter esse resultado... :-D Por isso, convém que saiba bem o que quero e se isso que quero me traz algo que me faça bem e a quem me rodeia. Se sim, óptimo. Se não, que outras acções posso eu fazer? Que outras alternativas posso experimentar para conseguir o que quero e me faça sentir bem?

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As pessoas têm tendência a fazer uma lista que raramente cumprem. Que dicas pode dar para traçar metas concretizáveis?

Realmente há que saber definir muito bem objectivos e sabemos que existem muitos métodos para tal e que o SPIDER em particular potencia muito a probabilidade de os concretizarmos, pois será insuficiente pensar apenas neles. Além de outras componentes poderosas, o SPIDER ao incluir o lado emocional na definição de objectivos potencia grandemente a possibilidade de alcançarmos os mesmos. Se agirmos e fizermos por isso, claro!
Depois de os definir, poderá ser interessante fazer algumas perguntas. Uma delas poderá ser: estou disposta a "pagar o preço", a fazer tudo o que tenho que fazer para conseguir isto que tanto desejo? Outra poderá ser: estou disposta a fazer coisas diferentes das que tenho feito para alcançar isso?
Se a resposta for não, então a pessoa poderá ter que trabalhar ou alguma questão que esteja a "bloquear" o atingir daquele objectivo ou redefinir o objectivo, ou ambas as últimas hipóteses, ou consciencializar-se e aceitar que afinal aquele objectivo é menos ou pouco importante e prescindir dele.

E se a resposta for sim…

Então é agir. Começando a pôr em prática pequenas acções, dando passos, que aproximem a pessoa do objectivo que quer. Pois com a prática de acções cria-se uma dinâmica que também nos facilita e nos leva para mais perto do objectivo que queremos alcançar. Voltando ao exemplo de correr semanalmente, se não se tem, será melhor comprar equipamento para correr também no Inverno ao ar livre ou inscrever num ginásio para o fazer indoor. E será melhor tentar correr logo 5 vezes por semana ou experimentar começar por correr uma ou duas vezes por semana e ir aumentando até às 5 vezes por semana? O que resultar melhor. E uma vez por semana é melhor do as zero vezes que a pessoa [não] corra agora!
O fazer acções que representam o objectivo, como é este caso de correr semanalmente, é uma excelente forma de manter o concretizar do mesmo (a não ser que o objectivo seja correr apenas naquela semana... ) pois a prática continuada, com o pensamento e postura adequados, cria mecanismos e promove alterações no organismo e na mente que potenciam a criação do hábito a ponto de a pessoa "estranhar" se parar de agir; no caso, se parar de correr semanalmente aquele número de vezes a que se habituou.
Essencial também para a pessoa cumprir as metas que definir é manter presente a meta no seu dia-a-dia da forma que lhe for melhor, desde lembretes no telemóvel ou portátil, algum objecto que possa trazer a todo o momento consigo e que a lembre do objectivo, até folhas coladas em locais visíveis no seu lar ou local de trabalho, vale o que melhor ajudar a pessoa a focar-se na meta, evitando a dispersão pelos diversos e múltiplos estímulos diários que é "bombardeada".

Por último, as mulheres portuguesas são optimistas por natureza?

O Optimismo, na definição que apresento da Psicologia Positiva, será aquele feeling, aquela sensação de que algo vai correr bem mesmo que não tenhamos uma base para suportar esse sentimento e afirmação. E o que é "ser-se" optimista"? Para mim, essencialmente, será assumir-se e ter-se comportamentos que indicam ou apontam para a definição anterior, será o agir confiando que vai correr bem mesmo que não façamos " a mínima ideia" como vai correr. Aproveitando para distinguir, na mesma corrente, o Optimismo da Esperança, esta será a fé, a crença que temos em atingir ou ter algo com base num plano que delineemos para tal e/ou nas acções que estejamos a fazer para esse algo.
Para responder se as mulheres portuguesas o são por natureza, talvez eu tivesse que consultar um biólogo ou alguém que estude a neurologia na área que investigue se e em que medida vimos com impressões genéticas que relevem sobre o optimismo.

E na sua opinião, do ponto de vista de um sociólogo?

artigo do parceiro: Nilza Rodrigues

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