Celeste Rodrigues: "Tanto em Paris como em Londres sempre fui recebida como uma estrela de Hollywood"

O Gaspar foi aprender a tocar guitarra portuguesa para acompanhar a bisavó. Enquanto a fadista no estrangeiro é recebida de limusine, em Portugal nem um táxi lhe pagam para ir à televisão.

R.C. – Diogo, o que sabe dos seus antepassados?

Diogo - Sei que a minha bisavó era espanhola, e pouco mais sei. O meu bisavô Manuel, cheguei a conhecer bem. Morreu velhinho, com mais de 90 anos. Conheci-o e à madrasta do meu avô, que era como se fosse minha bisavó também. Viviam na Lapa, lembro-me de lá ir em miúdo várias vezes.

R.C. - Da parte da sua avó Celeste, sabemos que os seus bisavós eram do Fundão, e todos tinham uma ligação à música.

Diogo - Já desde o meu tetravô. O pai do meu bisavô já era músico, e julgo que o avô dele também. O bisavô tocava instrumentos de sopro, assim como o irmão. O meu bisavô chegou a dar aulas de música. Aliás, eles vieram para Lisboa porque ele tinha um contrato para tocar numa orquestra.

R.C. - Da parte dos seus tios-avós, não falando obviamente da sua tia-avó Amália Rodrigues, havia mais alguém ligado à música nessa geração da família?

Diogo – Não. Segundo a minha avó, cantavam todos bem, mas eu não me lembro de os ouvir cantar. Lembro-me muito bem de ouvir a minha bisavó, tinha uma voz lindíssima!

R.C. - A sua avó Celeste diz que “Ela tinha a voz mais linda do mundo!” É a voz que ela tem como referência.

Diogo – E não sei se não tinha! Lembro-me de ouvir a minha bisavó cantar, e arrepiava. Cantava o folclore da Beira, parecia quase flamenco, com aquele volteio todo, era giríssimo…

R.C. - Os seu bisavós faleceram com que idade?

Diogo - O meu bisavô não cheguei a conhecer. A minha bisavó conheci bem, morreu com 90 e tal anos. A avó Celeste foi buscar os genes à bisavó, embora fisicamente a minha avó esteja bem melhor do que a mãe estava com a idade dela, lembro-me bem da minha bisavó andar com o andarilho, mas nunca deixar de fazer as coisas. Lembro-me perfeitamente que ela, na casa do Alentejo, não deixava a empregada fazer o jantar, ela é que queria fazer, ia de andarilho cozinhar! Tinha as rédeas da cozinha e cozinhava mesmo muito bem.

R.C. - Sei que o seu avô materno, o ator Varela Silva, era órfão de mãe. Foi criado por quem?

Diogo - O meu avô foi criado pela tia Quina, pelo pai e pela madrasta. A minha bisavó morreu tinha ele 4 anos.

R.C. - Falando do seu avô, que é uma grande referência no teatro a nível nacional, que recordações tem dele?

Diogo – Tenho recordações ótimas! Tanto dele como do teatro. Lembro-me perfeitamente de eu ser miúdo, eu, a Julie Sargent e o filho do Barros, (o Leitão de Barros era o diretor de décor do Teatro Nacional) e toda a parte de décor por cima da teia do Teatro Nacional. Ocupava um espaço enorme e era onde se faziam os adereços todos. Lembro-me de sermos miúdos e de irmos para lá brincar. Na altura da peça Rómulo, nós brincávamos com as espadas e com os escudos, criávamos as nossas peças, brincávamos no teatro…era o nosso “recreio”. Era giríssimo! Também me lembro da primeira vez que vi uma peça com o meu avô, “As alegres comadres de Windsor”. Eu era seguramente mais novo que o meu filho Gaspar, deveria ter uns 6 anos. Ainda me lembro da primeira vez que vi o meu avô em palco... não sei se era a primeira vez, mas pelo menos é esta a primeira recordação que tenho! Depois vi sempre tudo o que ele fez e mais tarde cheguei a ser encenado por ele, mas eu era muito canastrão.

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