“Cada vez mais as mulheres apostam na prevenção e vigilância”

Entrevista a Teresa Filipe, coordenadora da Ginecologia e Obstetrícia da clínicacuf cascais no âmbito do Dia Internacional da Saúde Feminina

Quais os principais problemas que afectam a saúde feminina nos dias que correm?

No meu dia a dia e porque sou ginecologista/obstetra, sou confrontada com doenças e problemas que afectam a saúde física e mental da mulher.
Dos 12 aos 96 anos, sendo este o leque etário das minhas pacientes, os problemas são múltiplos.

Eles dividem-se de acordo com faixas etárias?

As mais novas e adolescentes recorrem à consulta por alterações dos ciclos menstruais, planeamento e contracepção, citologia de rotina por receio de cancro do colo do útero e mais recentemente para saber se devem ou não ser vacinadas contra o HPV. Na idade fértil, a contracepção e a gravidez são as causas mais frequentes da consulta. Após os 40 anos, as alterações hormonais e suas consequências que atingem o seu expoente máximo com a Menopausa e também o risco aumentado de cancro (mama, útero, cólon), preocupam cada vez mais as mulheres. Felizmente cada vez mais exigentes e informadas procuram-me apostando desta forma na prevenção da doença. Também me colocam, cada vez mais, questões relacionadas com o anti-envelhecimento e como melhorar a qualidade de vida nos anos vindouros.

Estes problemas que vão surgindo são controláveis?

A maioria das doenças, se diagnosticadas precocemente, têm tratamento. É por isso que convido as minhas doentes a fazer exames complementares periódicos e a vir a uma consulta anual. Cada caso é um caso, mas, de um modo geral, uma consulta uma vez por ano é suficiente para detectar atempadamente algum sinal de alarme ou corrigir eventuais desequilíbrios endócrinos que tantos efeitos secundários acarretam.

Como é que Portugal se enquadra no contexto europeu, a este nível?

Portugal tem um medicina ao nível Europeu e os médicos portugueses estudam pelos mesmos livros, numa linguagem universal. Como curiosidade, se a taxa de incidência de colo do útero é alta no nosso país, a sobrevida é superior a outros países europeus. Ou seja, diagnosticamos tarde mas tratamos bem. Recordo um estudo apresentado num congresso europeu há 1 ano, que concluiu que as mulheres portuguesas são das mais bem informadas e das que mais dialogam com os seus médicos.

A investigação na área da saúde feminina está avançada no nosso país?

Em Portugal, temos excelentes trabalhos de investigação reconhecidos e premiados. Algumas áreas, contudo, necessitam de mais atenção e dedicação:
- como retardar o envelhecimento? (área do anti-aging). Portugal tem ainda um longo caminho a percorrer nesta vertente, comparativamente com outros países europeus como a Alemanha, França, e Espanha, para não falar de países como o Brasil e EUA.
Nos últimos 2 anos, até por imposição dos nossos doentes, os médicos portugueses têm sido obrigados a dedicar-se mais a esta fase da vida, já que, como todos sabemos, a esperança média de vida tem vindo a aumentar e todos queremos viver mais anos mas com saúde e qualidade. Há que prevenir e retardar as doenças consequências do envelhecimento.

As mulheres relativizam a sua saúde contrariamente aos homens, como diz o senso comum?

As mulheres preocupam-se tanto ou mais que os homens, com a saúde. No meu dia-a-dia sou muitas vezes questionada sobre eventuais sintomas que os maridos referem ou a própria mulher se apercebe e pedem-me para ajudar ou orientar para outra especialidade. São até muitas vezes elas que marcam a consulta para os seus maridos.
Ao longo dos anos, cada vez mais as mulheres apostam na prevenção e vigilância e esse é o motivo determinante de quase 50% das minhas consultas

artigo do parceiro: Nilza Rodrigues

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