Andreia Dinis em entrevista

As confissões da atriz sobre a maternidade e sobre as preocupações com o futuro (fotos)

«Não tenho um corpo perfeito. E depois?», desafia a atriz. Mas a verdade é que tem e encontrou, aos 35 anos, nos momentos vividos entre família e amigos, a fórmula para ser feliz. Sonhava ser médica, mas é como manequim e atriz que, desde 2003, tem vindo a construir a sua carreira. 

Há dois anos e meio foi mãe e abrandou o ritmo de trabalho para, em breve, regressar ao pequeno ecrã com uma personagem que promete fazer refletir sobre dogmas familiares. Em entrevista à revista Prevenir, falou sobre as inquietações da maternidade, os receios em relação ao futuro, a pressão da fama e as rotinas saudáveis que fazem dela uma das mulheres mais bonitas da televisão portuguesa.

No liceu, estava a preparar-se para estudar medicina, mas acabou por seguir o curso de comunicação e cultura. O que motivou a mudança?

Foi a química (risos). Ainda considerei psicologia, mas acabei por escolher a comunicação.

Ainda mantém uma relação de proximidade com a área da saúde?

Há um histórico de doenças graves na minha família, pelo que redobro os cuidados com a minha saúde. Faço um check-up anual, análises regulares e duas consultas de ginecologia por ano. Ter sido mãe fez-me estar ainda mais atenta. Por mim e pela minha filha.

A maternidade tem esse efeito?

Diz-se que a maternidade nos torna mais serenas, mas acho exatamente o oposto, na medida em que desperta uma série de preocupações. Torna-nos mais ansiosas em relação ao futuro.


O futuro preocupa-a?

Muito. O receio do que está para vir e que não podemos controlar como, por exemplo, as questões de saúde, obriga-nos a fazer o melhor que sabemos e podemos no tempo presente para o futuro ser o melhor possível.

É também por isso que se associa a diversos projetos de apoio à criança?

As questões infantis sempre me preocuparam. Desde que sou mãe tocam-me intimamenteporque consigo perceber que os cuidados que uma criança exige, não estão acessíveis a todas.

Esteve afastada das câmaras algum tempo e durante esse período acompanhou o crescimento da sua filha a tempo inteiro. O afastamento foi difícil?

Custou mais no início porque estávamos ambas habituadas à nossa rotina. Eu e o pai explicámos-lhe o que ia acontecer e preparámo-la para a mudança. Como ela agora está na escola, já não sente tanto a minha ausência, mas apercebe-se de que já não vou poder ir buscá-la todos os dias à escola, que já não vou ser eu a dar-lhe banho à hora do costume, que os momentos de brincadeira já não podem acontecer na mesma altura.

De que forma compensa as ausências?

A brincar ao ar livre, que é o que mais gostamos de fazer. Como moramos num sítio com muito espaço verde, quando vou buscar a Flor à escola passamos no parque para andar de bicicleta, jogar às escondidas e à apanhada. Sei que quando começar a gravar a disponibilidade vai ser outra.

Vai exigir muita disciplina…

Claro que sim, mas não vou estar sozinha. Tenho um suporte familiar muito grande. O meu namorado é um pai muito presente e, portanto, equilibra a balança.

Viver perto do mar é determinante para o seu bem-estar?

Cresci em Lisboa, rodeada de mar, e habituei-me à tranquilidade que ele me transmite. Sempre que posso, mesmo no inverno, vou passear na praia, sozinha, para recarregar baterias.

Assume-se uma mãe descontraída, que explora a curiosidade e independência da sua filha…

Estimulo-a essencialmente para ela não criar medos, para que se sinta sempre à vontade para falar comigo e com o pai sobre qualquer assunto, bom ou mau. Se alguém lhe fizer mal na escola, quero que saiba que pode contar sempre connosco.

O bullying preocupa-a?

O bullying sempre existiu, mas de forma silenciosa. Sabermos que a nossa filha é vítima de bullying, tentarmos resolver o problema com os pais do agressor e perceber que não há abertura para uma mudança de atitude é uma ideia aterradora.

Quais os valores que faz questão de transmitir à sua filha?

Ser sempre educada e humilde, retribuir os afetos, ser amiga do seu amigo e saber partilhar. Sei que ela ainda é pequena para entender estes conceitos, até porque li num guia pediátrico que, só a partir dos três anos, é que as crianças realmente ganham consciência da ideia de partilha, mas é essencial que comece já a adquiri-los.

Costuma apoiar-se no que diz a ciência?

Não sou refém desse tipo de informação, até porque acho que educar um filho é uma aprendizagem constante, mas quando tenho alguma dúvida consulto livros e estudos académicos para saber, a nível clínico, o que se diz sobre o assunto.

Está a preparar a personagem de uma mulher que abdica da carreira para ficar com o filho mas que depois quer retomar a vida profissional...

Tenho-me inspirado muito no filme «Kramer Contra Kramer» para tentar perceber a motivação de uma mulher que sai de casa, deixando um filho, para se ir reencontrar. Cabe-me, enquanto atriz, defender esta posição, mas enquanto mãe considero uma atitude muito dura.

Contacta diretamente com os fãs nas redes sociais. Essa proximidade com o público ajuda-a a manter-se com os pés na terra?

Fui educada de forma humilde e acho que as pessoas que se deslumbram com a fama foram encaminhadas nesse sentido. No fundo, o que sinto é que a minha profissão não me torna melhor do que os outros, longe disso.

O ritmo das gravações compromete as rotinas saudáveis?

É complicado. Há dias em que fazemos tudo a correr, sem grande hipótese para fazer refeições saudáveis ou ir ao ginásio.

Contou, numa entrevista, que voltar à boa forma após a gravidez foi um processo mais longo do que estava à espera. O corpo ainda se ressente?

A tonificação muscular da barriga ficou alterada e, apesar de a Flor já ter dois anos e meio, ainda não estou recuperada. Depois do parto veio a fase de amamentação, em que os exercícios de alta intensidade são desaconselhados para não comprometer a qualidade do leite.

Quando deixei de amamentar, comecei a gravar e as restrições de tempo dificultaram ainda mais o processo. No entanto, sempre que faço uma pausa no trabalho, aproveito para cuidar de mim. Vou ao ginásio e faço massagens modeladoras.

Por ser uma figura pública, sente que existe uma grande pressão em relação à imagem?

Existe, no sentido em que as pessoas olham para nós através de um ecrã e acham que temos de estar sempre bem, que temos de ser perfeitas. Isso é irrealista. Às vezes, quando me veem na praia espantam-se e comentam o facto de eu, afinal, não ter umcorpo perfeito. Claro que não tenho. E depois?

Assume-se uma mulher feliz, realizada, de bem com a vida. Qual é a sua fórmula?

Não existem vidas perfeitas nem existe a felicidade plena. Para mim, o essencial é estar rodeada das pessoas que amo e que me fazem feliz, que são a família e os amigos.

Quais são as suas preocupações no que se refere à alimentação?

Evito alimentos fritos e carnes gordas e tento equilibrar as refeições de peixe e carne. Privilegio os produtos frescos e tenho uma pequena horta com ervas aromáticas e alguns legumes. Bebo, pelo menos, 1,5 litros de água por dia.

Pratica exercício físico com regularidade?

Vou entre duas a três vezes por semana ao ginásio e divido os treinos entre aulas particulares com um personal trainer e aulas de grupo. sempre que posso, faço caminhadas na praia, ando de bicicleta e mato saudades do snowboard, que adoro.

Quais são os seus principais cuidados de beleza?

Quando não estou a trabalhar, não me maquilho. Quando o faço, limpo muito bem o rosto e dou especial atenção à hidratação da pele e do cabelo, para tentar compensar o uso excessivo de secador e maquilhagem. Para além disso, faço tratamentos de carboxiterapia para combater o volume corporal.

Texto: Nelma Viana com Carlos Ramos (fotos)

artigo do parceiro:

Comentários