Você sente-se

O que a ciência já descobriu sobre este estado emocional

  • Se está triste é provavelmente porque perdeu algo que valoriza, seja um familiar ou outro ente próximo, um relacionamento, um valor associado a uma relação (por exemplo, confiança ou respeito), um emprego ou um bem económico-financeiro.

    Quanto mais importante para si for aquilo que perdeu, maior será a tristeza que sente. É tão normal sofrer de uma tristeza passageira, com pequenos fracassos e insucessos, como experimentar uma sensação de perdade si próprio numa situação de tristeza profunda.

    Por outro lado, a sua tristeza pode não ter causas conscientes e evidentes mas que podem ser poderosas: questões emocionais por resolver, traumas passados, falta de prazer...

    • A sua auto-estima está em baixo, sente-se pouco válido ou merecedor de coisas positivas.
    • Sente-se impotente para gerir a sua própria vida.
    • Acha que a vida (presente, passada ou futura) não tem valor ou importância.
    • Recorda-se, recorrentemente, de acontecimentos passados em que se sentiu tão triste ou inválido como agora (o que alimenta um ciclo vicioso de tristeza).
    • Sente-se culpado, talvez pessimista, menos capaz ou mesmo desistente, impotente, pelo que não está a mobilizar energia para  reagir.
    • A sua postura não é a mais adequada e você está mais cabisbaixo do que o habitual. Sente mais dificuldades em respirar do que habitualmente. Num estado de tristeza as pessoas tendem a encolher-se, a ficarem voltadas para si mesmas.  É frequente haver um elevar de ombros e voltá-los para dentro, para a frente, «encolhendo» a caixa torácica. Provavelmente isto ainda tem a ver com os antigos comportamentos da nossa espécie, em que a dominância era expressa pelo alargar, entufar do peito. É possível que também haja uma correlação com o «expandir do coração» e dos sentimentos ou o encolher/inibir a energia, típicos dos estados depressivos. A isso corresponde uma baixa nos níveis de energia ligada, entre outras coisas, a uma menor oxigenação.
    • A sua tonicidade muscular diminuiu, mesmo que isso não seja imediatamente perceptível, o que pode ter a ver com o modo como o seu estado psicológico se reflecte na motivação e com a diminuição dos níveis de adrenalina, por exemplo.
    • Se o que estiver em causa for uma depressão, geralmente, há mais actividade no córtex pré-frontal esquerdo do cérebro, relacionado com preocupações, ansiedade, tristeza. Nesse caso, verifica-se a diminuição dos níveis do neurotransmissor serotonina. As catecolaminas (dopamina, noradrenalina e adrenalina) também podem interferir, já que uma diminuição dos níveis de dopamina pode ter a ver com menos entusiasmo, falta de motivação.
    • Em algumas pessoas, uma diminuição dos níveis de noradrenalina resulta no mesmo tipo de efeito. Quando está elevado, o factor de libertação da corticotropina, neurotransmissor e hormona de stress, parece poder interagir com a baixa dos níveis de serotonina para produzir o lado biológico da depressão.
  • Todas as emoções têm uma função e a tristeza não é excepção. É natural que tenha tendência para pensar que estar triste é algo negativo, até porque tende a  vigorar uma regra social segundo a qual o «normal» é estarmos todos sempre alegres e bem-dispostos.

    Se quer aprender a lidar com a tristeza, comece por rejeitar esta ideia.

    Estar triste não só é natural (toda a gente já se sentiu triste alguma vez), como é uma reacção saudável. O seu organismo está a pedir-lhe que pare e dê atenção a si próprio.

    Faça-lhe a vontade dando os seguintes passos:

    1º Passo: Conheça-se a si próprio

    2º Passo: Passe à prática

  • Embora a tristeza seja uma emoção primordial que deve saber gerir, quando se arrasta há mais de duas semanas e parece excessiva, desproporcionada ou muito difícil de gerir, pode significar que «mergulhou» de tal modo em si próprio que precisa ajuda para se libertar desse estado. Esteja atento aos seguintes sinais:

    • Ansiedade (ou angústia, em que sente mesmo um «aperto»)
    • Perda ou aumento de apetite
    • Insónias ou vontade de estar sempre a dormir, já que não lhe apetece fazer seja o que for (abulia)
    • Apatia, falta de entusiasmo
    • Sentir que «nada adianta», nada pode melhorar a sua vida
    • Ter uma visão negativa da vida, sentir que nada faz sentido
    • Cansaço extremo (astenia)
    • Sentimento de culpa, mesmo que não saiba em relação a quê
    • Dificuldade em envolver-se em actividades habituais
    • Não reagir a acontecimentos que antes considerava agradáveis
    • Ter pensamentos de morte, desaparecimento ou suicídio

    Se tem um ou mais destes sinais há algum tempo, a  tristeza que sente pode estar a transformar-se ou ser um sintoma de depressão.

    A tristeza prolongada pode, ainda, ser sintoma de outras doenças. Em alguns casos, perturbações neurológicas também podem provocar sintomas psicológicos.

    A tristeza pode ser secundária a problemas onde o lado fisiológico e psicológico se conjugam, como quando há um acidente, uma doença grave que ameaça a vida ou lhe retira qualidade e assim por diante. Num caso ou noutro, deve pedir ajuda.

  • A principal consequência da tristeza a longo prazo é o sentimento instalado de infelicidade, isto é, uma frustração e insatisfação total em relação à vida.

    Esse estado emocional tem reflexos no seu sistema imunitário  (torna-o mais sensível a todo o tipo de doenças) e no seu bem-estar geral, afectando de forma particular a sua vida social (as relações com os que o rodeiam), familiar e profissional.

    Embora não seja uma doença, a tristeza pode ser um sintoma de várias doenças (como a depressão, mas também, em geral, as situações que produzem perda de capacidade física ou intelectual), pelo que deve procurar ajuda.

  • Se a  tristeza que sente se prolonga há algum tempo e se mostra muito incomodativa, estranha ao seu estado habitual, perturbadora do seu dia-a-dia e se a ela se associam alguns sinais de alarme (consulte Quando se deve preocupar), deverá procurar ajuda.

    A psicoterapia aplica-se, em geral, às situações de sofrimento psicológico que a pessoa não está a conseguir resolver ou compreender pelos seus próprios recursos.

    Se suspeita de uma situação do foro médico (tumores, síndromas neurológicos, problemas endócrinos, etc.), um psiquiatra estará mais habilitado a fazer uma triagem.

    Caso contrário, poderá consultar um psicoterapeuta. Os bons profissionais têm noções de diagnóstico que lhe permitem fazer a triagem dos casos que necessitam também de apoio médico e psiquiátrico.

Fonte e revisão científica:

  • Vítor Rodrigues, psicólogo clínico e ex-presidente da EUROTAS - Associação Transpessoal Europeia