Você sente-se

O que a ciência já descobriu sobre este estado emocional

  • O stress é uma reacção de alarme a uma situação que representa uma ameaça para si. Pode funcionar de duas formas muito distintas: como um incentivo, ajudando-o a superar o desafio (eustress), ou como um «bloqueador».

    Neste caso, em vez de o ajudar a reagir, o stress provoca uma sensação de dificuldade ou incapacidade para actuar, tornando-se problemático (distress).

  • Algo está a ser percebido por si como uma ameaça, mesmo que de forma pouco clara ou consciente. Esse «algo» é pouco concreto (um acontecimento, circunstância, contexto...) mas real (está mesmo a acontecer).

    Exemplo: Deram-lhe mais tarefas para cumprir hoje, algo que não é humanamente possível fazer.

    Você não tem ou não sente a resistência necessária para enfrentar essa ameaça neste momento, especialmente porque provavelmente são muitas situações ameaçadoras ao mesmo tempo ou tem estado sob muito stress ultimamente.

    Exemplo: Sente-se desgastado física e psicologicamente pelo acumular de trabalho nas últimas semanas.

    Você sente-se incapaz de enfrentar a ameaça.

    Exemplo: Após as tarefas adicionais que recebeu, sente que não consegue raciocinar.

  • O hemisfério frontal esquerdo do seu cérebro é possivelmente a área mais activa neste momento. É provável que seja «vítima» de alguns destes sintomas:

    • Dores de estômago
    • Dores no peito
    • Palpitações
    • Dores de cabeça
    • Vómitos, indigestão
    • Urinar frequente em quantidade reduzida
    • Dores menstruais acentuadas
    • Ausência de menstruação (amenorreia)
    • Secura da boca e garganta
    • Sangramento das gengivas
    • Comichão
    • Acne
    • Agravamento das alergias
    • Gaguez e problemas na fala
    • Tremores, tiques nervosos
    • Alterações do apetite: ataques de fome ou falta de apetite
    • Perturbações do sono: dorme demais ou tem insónias
    • Pesadelos
    • Fadiga
  • O seu nível de stress depende não só de factores individuais (a sua personalidade, a forma como percepciona os desafios e as suas competências profissionais e sociais) como de factores externos, nomeadamente aquilo que lhe é exigido pelos outros.

    Assim sendo, tem três estratégias para gerir eficazmente os seus níveis de stress: pode tentar modificar as exigências que recaem sobre si, alterar a forma como reage em relação a elas ou então actuar sobre ambos.

    Saiba que medidas deve tomar já a seguir:

    1º Passo: Conheça-se a si mesmo

    2º Passo: Passe à prática

  • O stress não é uma doença, mas pode provocar consequências graves a longo prazo. O stress patológico denuncia-se pela desorganização do comportamento, a fragilização do sistema imunitário e pelo sofrimento psicológico.

    Para saber se é o seu caso, pense:

    Sente-se como um nadador exausto?

    «Vê» o nível da água a subir acima da sua cabeça mas não consegue nadar porque chegou ao limite da sua resistência física?

    Se respondeu sim a estas perguntas, é natural que se sinta tenso e ansioso, mas é também sinal de que precisa realmente de travar o que se está a passar e de procurar ajuda.

  • Quando ocorre de forma sistemática ou continuada, o stress torna-se um «assassino silencioso», contribuindo para o desgaste do organismo a vários níveis:

    • Aumento do colesterol
    • Ataques de pânico
    • Tensão neuromuscular que se pode tornar crónica
    • Fragilização do sistema imunitário: maior propensão para desenvolvimento ou acentuação de doenças como asma, problemas de pele, artrite, depressão, ansiedade, problemas de coração
    • Prevalência de distúrbios emocionais: em mais de 50 por cento dos casos, devem-se a reacções crónicas de stress que não são tratadas
    • Síndrome de burnout
  • Se ao stress que sente estiverem associados alguns sinais de alarme (consulte Quando se deve preocupar), deverá procurar ajuda profissional.

    A psicoterapia aplica-se a todas as situações de sofrimento psicológico que a pessoa não está a conseguir resolver ou compreender pelos seus próprios recursos.

    Se suspeita de uma situação do foro médico (tumores, síndromas neurológicos, problemas endócrinos, etc.), um psiquiatra estará mais habilitado a fazer uma triagem.

    Caso contrário, poderá consultar um psicoterapeuta. Os bons profissionais têm noções de diagnóstico que lhe permitem fazer a triagem dos casos que necessitam também de apoio médico e psiquiátrico.

Fonte e revisão científica:

  • Vítor Rodrigues, psicólogo clínico e ex-presidente da EUROTAS - Associação Transpessoal Europeia