Viagens personalizadas

Uma personal concierge portuguesa explica como funciona este tipo de serviço (fotos)

Vai viajar e as únicas coisas com que tem de se preocupar é fazer a mala e dirigir-se ao aeroporto. Nas mãos tem um guia com tudo o que vai fazer durante as férias.

Os hotéis estão marcados, os restaurantes estão reservados. Parece-lhe um cenário impossível? Tudo isto está à distância de um personal concierge. Saiba em que consiste este prático e inovador serviço.

Aos 27 anos, Catarina Perestrelo foi morar para Nova Iorque com o objetivo de trabalhar em hotelaria, mas foi o pedido de um amigo que a fez tornar-se personal concierge. «Cada vez que alguém ia a Nova Iorque, ligava-me para pedir conselhos sobre a cidade até que um dia um amigo me pediu para eu fazer um guia completo que incluísse hotéis, restaurantes e espectáculos e vi aí uma oportunidade de negócio», conta.

Hoje, apesar de já não viver na Grande Maçã, continua a ir lá de quatro em quatro meses, alargou os seus serviços a Lisboa e criou parcerias com outros personal concierges no Rio de Janeiro, Roma, Londres e Paris. De Nova Iorque diz ser a cidade mais completa, mais dinâmica e multicultural do mundo e quando a procuram os clientes querem vivê-la como os locais.

«Estudo cada cliente ao pormenor mas os anos a trabalhar em hotelaria também me deram bagagem para perceber facilmente o que querem», sublinha. Foge de tudo o que é mais turístico, marca restaurantes de difícil acesso, faz reservas em hotéis com descontos, mostra quais são os espaços mais trendy da cidade e dá muitos conselhos entre os quais, ir ao Top of The Rock no Rockefeller Center em vez de ir ao Empire State Building.

«A vista é mais bonita e ainda se vê o Empire», explica. Cada vez que regressa a Nova Iorque, Catarina Perestrelo tem alguns locais obrigatórios, como é o caso de «Central Park, West Village e Nolita». Contudo, nas suas recomendações junta a esses três «o SoHo, o Meatpacking District, Tribeca e Lower East Side, onde estão os melhores restaurantes, os melhores locais para sair à noite e fazer compras». «É importante ir a Midtown», continua, «no entanto, a experiência mais autêntica acontece em Downtown. É a sul que tudo acontece».


A histórica Lisboa

Catarina Perestrelo adora Nova Iorque, mas tem Lisboa na alma e está a gostar de assistir à transformação que a cidade está a ter. «É uma cidade com muita história que está na moda e muito trendy», diz. No entanto, a personal concierge continua a ter mais trabalho em Nova Iorque. «Em Lisboa sou mais procurada por estrangeiros e essa é uma das grandes diferenças entre o trabalho que desenvolvo nas duas cidades porque em Nova Iorque sou contactada por portugueses, americanos e pessoas de outras nacionalidades», diz.

A outra é ainda maior. «A facilidade com que se consegue marcar uma mesa para um restaurante da moda em Lisboa não tem nada a ver com o que acontece em Manhattan, em que, por vezes, demoram três semanas e passam dias e dias sem atender o telefone». E como é que se arranjam essas mesas? «O segredo é ter uma extensa lista de contactos e sempre atualizada», garante.

Como personal concierge nunca teve pedidos muito bizarros, mas quando trabalhou em hotelaria lembra-se de um. «Tivemos de mudar a decoração de um andar do hotel porque um sheik árabe pediu. Como concierge tenho tido alguns clientes muito exigentes mas nunca pedidos estranhos», garante. Os mais difíceis de conseguir, diz, «são os convites para entrar na Gala do MET, o Metropolitan Museum, um dos acontecimentos mais importantes de Nova Iorque».

«Mas também já consegui isso», regozija-se a facilitadora e organizadora de viagens portuguesa. Quanto a preços, é possível ter um guia feito por Catarina Perestrelo por 200 €, mas pode ir até aos 600 €, depende do número de dias e de pessoas que vão na viagem.

Viagens intensas

O facto de vivermos numa nova era de consumo, onde contam sobretudo as experiências, levou a brasileira Danielle Filippozzi a escolher ser personal concierge. «A procura pela experiência está a chegar aos limites do estranho e, por isso mesmo, está-se a tornar interessante fazer este trabalho», diz. «Submarinos, desertos, gelo e savanas são quase o contrário do luxo e, mesmo assim, apesar disso, tornaram-se uma coqueluche no mundo do turismo de alto padrão», sublinha.

«A opção mais funcional ou mais barata não é necessariamente a mais escolhida atualmente. O cliente procura um viver mais intenso, a nova dinâmica da individualização, a experiência de si mesmo e a busca pela harmonia», refere. E é isso que faz sempre que prepara uma viagem, em qualquer parte do mundo, à medida de cada cliente (brasileiros ou estrangeiros), serviço que custa, em média, 370 €.

Contatos em rede

Cada roteiro que faz «depende da expectativa e desejo do cliente». No entanto, reconhece que existem alguns locais turísticos que, para quem viaja pela primeira vez, serão sempre incluídos no roteiro. «Quem vai a Paris quer conhecer a Torre Eiffel, quem vai a Nova Iorque quer conhecer o Empire State Building e quem vai a Londres quer conhecer o Big Ben», exemplifica. A sua grande vantagem é comprar os bilhetes com antecedência para evitar filas e horas com muita gente.

O pedido mais estranho que teve foi de uma pessoa que queria ir ao Brasil para procurar um médico para uma cirurgia estética. Quando não consegue satisfazer alguns dos pedidos, faz novas sugestões e é fácil chegar a um consenso, mas, para que nada falhe, os contactos são fundamentais, como já lhe demonstrou a sua experiência.

«É impossível conhecermos todas as pessoas em todos os locais do mundo, porém conhecemos sempre alguém que, por sua vez, conhece outras pessoas, que acabam, na maioria das vezes, por ajudar. Como em qualquer outro trabalho, o networking é fundamental», refere ainda.

Voltar à infância

Um dos segredos para agradar às pessoas que a procuram é remetê-las para as suas raízes, tradições e infância. Isto cria uma forte ligação emocional com o destino. Já acompanhou algumas viagens dos seus clientes e lembra-se bem de uma, no ano passado, quando acompanhou um grupo de quatro adolescentes que faziam 15 anos e desejavam personalizar a viagem dos seus sonhos.

«Foram 16 dias fantásticos entre Nova Iorque, Caraíbas e Florida», conta. Viajar está-lhe no sangue e na organização de cada viagem, acaba por viajar muito, mas o seu próximo destino pessoal é o sudeste asiático, onde esteve há mais de 20 anos e quer muito regressar.

O tempo é luxo

Casais, famílias, grupo de amigos, executivos, clientes que viajam sozinhos, ou seja, Danielle Filippozzi é procurada por todo o tipo de viajantes. Por um lado, «são pessoas que conhecem a minha experiência, a minha história profissional e que procuram uma viagem diferente, querem poupar tempo, descobrir novas nuances de viagem e coisas novas».

Por outro lado, também tem clientes «marinheiros de primeira viagem, como se diz no Brasil. Aqueles que nunca tiveram a oportunidade de viajar e não sabem por onde começar a preparar a viagem. Hoje em dia, o tempo é o fator fundamental na vida de cada pessoa. Tempo é luxo!», afirma, convictamente.

As escolhas de Catarina Perestrelo:

Em Nova Iorque

- Tao Downtown Lounge
«Abriu em setembro, na zona de Chelsea, e é considerado um dos melhores bares da cidade para ir tomar um copo, ouvir música e dançar», assegura a personal concierge.

- Mari Vanna Restaurant
«É um restaurante russo e à segunda-feira à noite há festas exclusivas com DJ para quem tem a chave do restaurante», explica

- Sixty Lower East Side
«É o antigo Thompson LES e é conhecido pela piscina, cujo fundo tem fotografias de Andy Wharol, bem como pelas festas», afirma Catarina Perestrelo.

Em Lisboa

- Station
«É um restaurante, um bar e uma discoteca com uma localização excelente», considera a personal concierge.

- Blend
«Mistura de sabores é a assinatura do mais recente restaurante do Bairro Alto, onde se destaca um forno a lenha e o look industrial», descreve.

- Mercado de Campo de Ourique
«Está feito à semelhança do Mercado de San Miguel em Madrid e faz-me lembrar também o Chelsea Market, em Nova Iorque», confessa Catarina Perestrelo.

Texto: Rita Caetano

artigo do parceiro:

Comentários