Onde o azul do mar contrasta com o colorido da arte e o verde da vegetação

No século XVIII, a sua paisagem era marcada por aldeias de pescadores adormecidas, mas a chegada dos primeiros turistas ingleses encheu a Riviera Francesa de glamour. Até hoje!

Na Riviera Francesa, o azul do mar contrasta com o colorido da arte, com o verde da vegetação, a herança histórica e a deliciosa gastronomia. Aqui não há nada que falte, nem sequer os cumes cobertos de neve dos Alpes, que estão a apenas 40 quilómetros. A beleza sedutora e irresistível da Côte d’Azur conquista-me ainda antes de ter aterrado no aeroporto de Nice. Assim que o avião começa a baixar de altitude, o azul da água funde-se com o verde da vegetação e com o colorido das casas.

A sensação é a de que vamos aterrar em pleno mar, visto que a pista do aeroporto é um braço de terra conquistado ao mar Mediterrâneo. Lá do alto, a Riviera Francesa é um quadro gigante da paisagem gaulesa, que poderia ter sido pintado por um dos muitos pintores que aqui viveram, inspirados pela paisagem de sonho e pela alegria de viver que se cultiva nesta região. Foi assim no passado e continua assim no presente. Veja a galeria de imagens das principais atrações turísticas desta região.

Cosmopolita e tradicional

Cannes serviu de ponto de partida para esta viagem pelo sul de França. Conhecida mundialmente pelo festival de cinema, esta cidade deve a sua fama de distinto destino de férias a um inglês, Lord Henry Brougham, que se apaixonou pelo clima da região, depois de um surto de cólera o ter impedido de continuar viagem até à vizinha Itália. Outros aristocratas britânicos se seguiram, bem como famílias reais de toda a Europa e, depois destes, muitos mais vieram. As grandiosas mansões, os sumptuosos hotéis são prova disso.

A, até aí, pacata vila piscatória cresceu e hoje alberga 600 lojas (onde se incluem as melhores marcas de moda), 300 restaurantes e 120 hotéis. Para perceber essa transformação, entrei no Museu de la Castre para observar os quadros do antes e do depois e subir à torre e ver in loco esse crescimento, bem como os murais que celebram grande figuras do cinema, como Marilyn Monroe, Alain Delon e até cenas de filme que decoram muitos edifícios de Cannes.

Se a Croisette, a famosa marginal de Cannes que acompanha toda a praia, transparece luxo, a parte velha da cidade mostra a sua autenticidade e a alma provençal que teima em resistir ao cosmopolitismo do outro lado. Exemplo disso são as casas, as lojas de comércio tradicional, como a Ceneri que vende queijos de todos os sabores e tamanho ou a Ernest que faz o mesmo, mas com doçaria.

E depois há ainda o Mercado de Fortville, onde mandam os legumes e a fruta, que inebriam o ar e me põem a imaginar tudo o que podia cozinhar com eles. Para acalmar o apetite, resolvi provar la socca, uma especialidade da região, que se assemelha a uma panqueca feita com farinha de grão, cozida em forno de lenha e servida polvilhada de pimenta. Recomendo!

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