Livros que dão (mesmo muita) vontade de viajar

Não são guias de viagens mas são obras que nos impelem a fazer as malas, a largar tudo e a partir rumo à aventura. Descubra alguns dos títulos mais entusiasmantes

É verdade que qualquer livro tem o condão de nos transportar para uma viagem imaginária. Contudo, alguns deles ultrapassam o imaginário no sentido em que nos fazem fazer as malas e partir à descoberta do local descrito. As aventuras vividas são obviamente diferentes das dos protagonistas, mas não há nada como ver in loco aquilo que imaginamos ao lermos um livro. Escolhemos oito e tivemos de deixar de fora muitos mais porque a literatura é pródiga a fazer-nos viajar e qualquer tipo de seleção peca por ser redutora.

A desconhecida África

Comecemos por África. Quando Karen Blixen escreveu «África Minha» prestou uma homenagem ao continente africano, dando a conhecer os costumes e tradições dos povos locais e paisagens surpreendentes e gigantes como só África consegue ter. No livro, conseguimos cheirar África, ouvir e observar os animais e ver as cores de um continente apaixonante.  A escrita da baronesa dinamarquesa, que viveu no Quénia e aí dirigiu uma plantação de café de 1914 a 1932,  altura em que o mundo não era global como hoje, proporciona-nos um realismo ímpar.

E não é preciso ver o filme que adaptou a obra ao cinema, para sentir isso. No presente, tal como no passado, é impossível ler este livro e não querer conhecer África. Apesar de muito já ter mudado neste continente grandioso, a natureza mantém-se intacta e tão cativante para qualquer turista como foi para Karen Blixen.

Pela América profunda

Viajemos agora para os Estados Unidos da América. Aqui, empurrados pelo espírito rebelde de Jack Kerouac, no livro «Pela Estrada Fora» são muitos aqueles que se aventuram pela Route 66, a mítica estrada norte-americana que liga Chicago a Los Angeles, o oeste ao este do país. Ainda que alguns dos troços já tenham desaparecido, esta estrada leva-nos a desertos, pequenas localidades, onde quase não há nada nem ninguém, mas também a grandes cidades. É uma montra inigualável da América profunda que geralmente só conhecemos de filmes e livros e que vai sobrevivendo ao longo da Route 66.

Os diners, os típicos cafés norte-americanos, ainda a habitam, tal como vários motéis iluminados por néons e os postos de gasolina que parecem abandonados. A Route 66 foi protagonista de outros livros, entre os quais «As Vinhas da Ira» de John Steinback. Se, no primeiro livro, o foco está na beat generation do qual o escritor e os seus amigos, Neal Cassady, Allen Ginsbourg e William S. Borroughs foram os expoentes máximos, no segundo assistimos à fuga à pobreza da família Joad no anos 30, em plena Grande Depressão.

O início da revolução

A América do Sul é o destino promovido pela obra «Diários de Motocicleta» de Che Guevara e dificilmente alguém leu o livro sem desejar viver in loco as aventuras do revolucionário argentino e do amigo Alberto Granado. Saídos de Buenos Aires em 1952, os dois jovens percorreram cerca de 12 mil quilómetros numa motocicleta, passando pelo Chile, Peru, Colômbia e Venezuela, a meta final. Nesta viagem, andamos pelos Andes, deserto de Atacama, rio Amazonas, entre outras paisagens marcantes para quem gosta de viajar e se sente atraído pelo continente sul-americano.

Esta é uma viagem de descoberta para os dois protagonistas e que fez Che Guevara questionar valores, mudar a sua visão do mundo e tornar-se um revolucionário, anos mais tarde, ao lado de Fidel Castro, em Cuba. Hoje em dia, esta viagem pode não criar revolucionários, mas não deixará ninguém indiferente e dá a conhecer a verdadeira América Latina, com todo o seu lado autêntico, genuíno e pitoresco.

Veja na página seguinte: O livro que nos remete para as fabulosas praias da Tailândia

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