Jardim do Alto do Parque Eduardo VII

Um dos melhores locais para observar a capital

É um anfiteatro
verde com
múltiplos
ambientes. O projecto de um Corredor Verde na
cidade de Lisboa, integrando espaços
de recreio, começou a ser traçado pelo
arquitecto Ribeiro Telles, em 1974.

Este sonho começou
a ter visibilidade quando, decorridos
23 anos, uma etapa foi concluída com
o Jardim do Alto do Parque Eduardo VII, também conhecido como Jardim Amália Rodrigues.

Este espaço verde urbano, uma das peças do
puzzle que constitui o Corredor Verde proposto,
pertence à Estrutura Ecológica da Área Metropolitana
de Lisboa e integra numa nova concepção
de urbanismo. Para ligar este espaço ao Parque
Florestal de Monsanto, prevê-se uma passagem
superior para peões e bicicletas que fará a ligação
entre o Jardim Amália Rodrigues e o prado do Palácio da Justiça.

Veja a GALERIA DE IMAGENS DESTE JARDIM

Este jardim, localizado no topo do eixo definido pela Avenida
da Liberdade e do Parque Eduardo VII (limite NO), numa área
central e das mais altas da cidade, oferece grande diversidade de
ambientes. Devido quer ao seu relevo quer à modelação do terreno
proposta, permite tirar o melhor partido do local,
resultando num anfiteatro verde virado para o vale da Avenida da
Liberdade. Trata-se de um espaço verde excepcional que oferece
uma magnífica vista sobre a cidade e o rio.

A história do jardim

Com a nova sociedade, o jardim público deixou de ser entendido
como um área limitada que o Romantismo do século XIX e o
Neoclassicismo determinavam. Actualmente, os espaços verdes
urbanos são multi-funcionais que aliam à sua função ecológica
e bio-climática, a do recreio activo e a da produção.

Veja na página seguinte: Por onde se estende este jardim

Torna-se
fundamental projectar uma estrutura ecológica que permita a permeabilidade do solo e a existência da vegetação, o que contribui
para uma melhoria do clima local e para a diminuição da poluição.

O projecto do Corredor Verde de Monsanto pensa no futuro da
cidade, uma vez que Lisboa caminha para um meio artificial cada
vez mais seco, consequência da grande densidade de edifícios e
superfícies impermeáveis.

Esta proposta tem início nos Restauradores, prolonga-se pela
Avenida da Liberdade, pelo Parque Eduardo VII, pelo Alto do Parque, avança pelo prado
do Palácio da Justiça, atravessa os Jardins dos Jogos (entre o Bairro Azul e a
Universidade de Campolide) e os Jardins de Campolide, entrando em
Monsanto pelo Centro de Recepção ao Parque Florestal.

Surge
como resposta às necessidades da cidade de Lisboa, apresentando-se
como uma estrutura contínua que integra espaços verdes urbanos
onde os residentes poderão encontrar um espaço de recreio que
contribuirá para a melhoria da sua qualidade de vida.
O jardim Amália Rodrigues, estrutura integrante do Corredor
Verde de Monsanto, é um projecto do arquitecto paisagista Gonçalo
Ribeiro Telles.

Expressa um carácter pós-modernista no cuidado do tratamento da forma e na existência de um tema. Este jardim foi
inaugurado em 1997 com a designação de Alto do Parque e renomeado
em 2000 para homenagear a fadista Amália Rodrigues.

A estrutura do jardim

Quem percorre e decide explorar o que está para além do Parque
Eduardo VII, depara-se com um jardim de uma beleza singular, o
Alto do Parque, também conhecido por Jardim Amália Rodrigues,
jardim de planta irregular, trapezoidal, apresentando o seu maior
comprimento na direcção Nordeste–Sudoeste. A sua localização, na encosta Sul da cumeada que limita o Parque
Eduardo VII, confere-lhe uma vista panorâmica única.

É possível
descobrir a cidade em dois planos de vista. A Baixa Pombalina,
o Castelo São Jorge e a colina de São Roque (São Pedro de Alcântara)
e num outro plano a Serra da Arrábida e o morro do Castelo
de Palmela. Para desfrutar desta magnífica vista foi construído um
anfiteatro que se circunscreve no enfiamento do eixo do relvado
central do Parque Eduardo VII e que permite uma leitura de todo o
espaço envolvente.

Este
anfiteatro de planta semi-circular e rematado
por um alinhamento de
pinheiros-manso apresenta
caminhos que
acompanham as curvas
de nível onde estão
implantados bancos em
metal, sem costas. Estes
caminhos interligam-se
por outros muito
mais curtos de posição
ortogonal.

Da colina próxima
do anfiteatro, que se
apresenta topograficamente
no alinhamento
do Castelo de São Jorge
e do Castelo de Palmela,
vislumbra-se uma
magnífica vista sobre o
Tejo através do vale da
Avenida da Liberdade.
No lado Norte do
Jardim existe uma
outra colina, voltada
para o planalto da
cidade, a Colina do
Segredo, em que se
pode deslumbrar a
cidade desenhada por Ressano Garcia, avistando-se as serranias
da Brandoa.

Veja na página seguinte: O local do jardim que tem a melhor vista

Este miradouro, ponto mais alto do jardim e zona
de estar de planta circular onde se ergue a escultura da autoria do
escultor Mestre Lagoa Henriques, tem acesso por um caminho
bordejado de oliveiras, remetendo para a paisagem rural portuguesa.

Esta zona é envolta a Norte e a Este por caminhos de trajecto circular,
desenhados segundo as curvas de nível, cortados por outros
ortogonais que os ligam à periferia nascente deste espaço.

A Oeste,
este desnível é vencido por meio de muretes de suporte em pedra
seca, também de trajecto circular, construídos em cubos paralelepipédicos
de granito.
No alinhamento entre esta colina e a cumeada do anfiteatro
surge um lago circular, limitado por uma suave rampa que permite
o acesso à água para quem quiser usufruir. Junto ao espelho de
água há um restaurante e uma esplanada de planta semicircular,
para desfrutar de momentos de lazer.

Deste lago, parte em linha recta para o extremo Sudeste do jardim
uma linha de água em canal aberto, pontuada por um alinhamento
de choupos e atravessada por uma ponte em madeira. Ao
fundo da linha de água situa-se um elemento escultórico em metal
representando a Maternidade, da autoria do escultor colombiano
Fernando Botero, escolhido pelos lisboetas e turistas aquando de
uma exposição de obras suas no Terreiro do Paço.

A Noroeste do anfiteatro, percorrendo um relvado com amendoeiras
e um canal
de água perpendicular
aos caminhos,
está implantado no
topo da elevação um
restaurante de planta
rectangular. A Sudoeste
do restaurante
encontra-se um desnível
florestado a que se
segue um relvado.

No coberto vegetal,
predominam as
espécies e os ambientes
característicos da
paisagem da região
de Lisboa, como as
oliveiras, os prados, os matos, as sebes, a vegetação de lagos e também elementos tradicionais
das quintas dos arredores de Lisboa como o laranjal (Pomar
de espinho), as amoreiras (Pomar de seda) e o amendoal (Pomar
de caroço). Verifica-se um destaque para os elementos da paisagem
rural e a substituição dos relvados tradicionais por prados.

O
relvado fica apenas reservado para áreas de desporto livre, possibilitando
a sua prática. A delimitar a zona entre a clareira e o bosque
surgem faixas de gramíneas, idênticas às que surgem nas bermas
das estradas. A extensão e variedade de percursos permitem um
passeio com constantes alternativas de interesse.

Definindo no seu conjunto o desenho da paisagem da cidade,
este projecto oferece ao homem o contacto com o ritmo da natureza,
ofuscado constantemente pelo ritmo da vivência citadina. Na mudança cíclica das cores dos prados, na queda e no brotar
das folhas das árvores caducifólias, no aparecimento da floração,
assiste-se à evolução natural das quatro estações do ano.

Veja na página seguinte: Quanto vale este jardim

Valor patrimonial

O valor patrimonial deste jardim é elevado por ser um jardim
público associado ao conceito do Corredor Verde, da autoria do
professor e arquitecto paisagista Ribeiro Telles.

Apresenta um valor sócio-cultural elevado, não só pela sua
localização excelente, encimando o Parque Eduardo VII, tornando-se num miradouro natural, bem como pela diversidade de
ambiências que proporciona e infra-estruturas que permitem o seu
desfrutar pela população.

O seu interesse turístico é elevado devido
à toponímia associada a uma importante figura cultural portuguesa,
Amália Rodrigues, e também pelo facto de se encontrar num
local de elevado interesse turístico, dotado de uma panorâmica
excepcional.

A Metodologia de Caracterização e Classificação dos Jardins
Públicos de Interesse Patrimonial, desenvolvida pelas autoras, foi
aplicada a 31 dos jardins públicos da cidade Lisboa, permitindo
avaliar a qualidade e interesse dos mesmos. O valor histórico,
paisagístico e sociocultural do Jardim Amália Rodrigues conferelhe
uma classificação de 40 valores (sendo o valor máximo 50),
colocando-o entre os 10 melhores jardins públicos de interesse
patrimonial da cidade.

Vegetação de interesse

As espécies arbóreas que se
destacam neste jardim são:

Amendoeira (Prunus dulcis): Árvore
caducifólia, originária do Sudoeste
da Ásia, pode ter até 8 m de altura. A
floração (branca e rosa) surge antes
das folhas, em Fevereiro-Abril. As
amendoeiras são cultivadas pelas
suas sementes e flores ornamentais.

Catalpa (Catalpa bignonioides):
Árvore caducifólia, originária do
Sudeste da América do Norte. Copa
abobadada, com alturas até 20m.
Tem um crescimento rápido, sendo
frequentemente plantada como ornamental em parques e jardins.

Choupo-branco (Populus alba): Árvore caducifólia, com copa larga e
até 30 m de altura. As folhas são prateadas e o ritidoma acinzentando
e ligeiramente fendido. Apresenta características interessantes como
a leveza da sua madeira e o rápido crescimento. Espécie de locais
húmidos, é frequentemente utilizada em jardins e arruamentos como
ornamental, e nas orlas costeiras como árvore de protecção, pela sua
resistência ao sal e aos ventos.

Choupo-negro (Populus nigra var. italica): Árvore caducifólia, do Sul,
Centro e Este da Europa, que pode ter até 30 m de altura. Com forma
colunar, é característica das matas ribeirinhas, tendo preferência por
zonas cobertas pelos nateiros de cheia.
Medronheiro (Arbutus unedo): árvore perenifólia, espontânea em
Portugal. Pode ter até 12 m de altura, sendo o ritidoma avermelhado.
Os frutos são comestíveis e ornamentais, passando de amarelo a
vermelho, no Outono.

Veja na página seguinte: Outras árvores que pode ver neste jardim

Oliveira (Olea europae var. europae): Árvore ou arbusto perenifólio
típico da região Mediterrânica, de folha acizentada e tronco retorcido.
Esta espécie tem um grande valor para o homem, pelo fruto e seus
derivados utilizados como alimento, pela madeira utilizada no fabrico
de móveis, pelas propriedades que permitem utilizá-la na medicina
alternativa, etc.

Palmeira das vassouras (Chamaerops humilis): Palmeira de porte
arbustivo, espontânea no Sudoeste da Europa e Noroeste de África. É a
única espécie de palmeira autóctone na Europa continental. É cultivada
como ornamental em climas mediterrânicos, crescendo naturalmente
em solos rochosos e arenosos próximos do litoral.

Pinheiro-manso (Pinus pinea): Árvore perenifólia de até 30 metros de
altura, copa abobadada, com ritidoma gretado. Conífera originária do
Mediterrâneo Oriental. Em conjunto com a oliveira e o cipreste esta
espécie faz parte das árvores emblemáticas do mediterrâneo. Muito
cultivada pela madeira e pelo pinhão.

Jardim Amália Rodrigues
Localização: Topo do Parque Eduardo
VII, entre a Alameda Cardeal Cerejeira,
a Rua Castilho, Rua Marquês de
Fronteira e a Avenida Sidónio Pais
Freguesia: São Sebastião da Pedreira
Área: 6,2 ha
Equipamentos: Café, esplanada, lago,
anfiteatro
Horário: Aberto 24h
Acessibilidades: Autocarros (Carris):
718, 742, 746, 204 (rede da madrugada)
Metropolitano: Linha Azul
(Estação São Sebastião)

Texto e fotos: Isabel Silva, Elsa Isidro e Ana Luísa Soares (arquitectas paisagistas)

artigo do parceiro:

Comentários