Diversidade botânica em colina histórica

Localizado no planalto de Santana, em pleno Campo dos Mártires da Pátria, o Jardim Braamcamp Freire, em Lisboa, é um espaço repleto de histórias e de árvores classificadas

O Jardim Braancamp Freire, nome atribuído em homenagem ao republicano, historiador e arqueólogo Anselmo Braamcamp Freire (1849-1921), situa-se no planalto de Santana, uma das sete colinas da cidade de Lisboa. Este jardim, com uma área de 1,3 hectares, encontra-se sobre uma plataforma fisiograficamente privilegiada, destacando-se o seu extremo sul, onde é possível desfrutar de vista sobre o Castelo de São Jorge. Por baixo das copas das árvores deste jardim muitos anos de história nos contemplam.

Por aqui passou um convento com o nome de Sant’Ana, decorria o ano de 1521, que vivia virado para um campo onde se abatia o gado para abastecer a cidade de Lisboa. Em 1817, serviu este campo de palco para o enforcamento do general Gomes Freire de Andrade e mais 11 conjurados acusados de tentativa de usurpação do poder do marechal Beresford (1768-1854). É este o episódio histórico que serviu para denominar este local como Campo dos Mártires da Pátria, em 1880.

Ao longo do tempo, o jardim foi evoluindo, sendo alvo de variadas intervenções que modificaram a sua estrutura. Em 1831, foi aqui construída uma praça de touros que antecedeu a do Campo Pequeno, edificada 50 anos depois. Durante este tempo decorria frente a esta praça a Feira da Ladra, que posteriormente se veio a instalar no Campo de Santa Clara, em 1882.

A requalificação que foi sendo feita

Entre 1885 e 1895, o planalto de Santana foi transformado num jardim através da execução de um projeto que propôs a plantação de árvores em alinhamentos longitudinais. Ergue-se ali, em 1906 a Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa, em frente à qual foi erigida uma estátua em homenagem ao médico Sousa Martins, protetor dos pobres, ainda hoje muito visitada pelos devotos. Uma descrição no início do século XX destaca este jardim pela sua diversidade botânica.

«Atualmente todo o campo vê-se transformado num delicioso jardim público, povoado de grupos de arbustos e de árvores, tanto nossas, como exóticas, pois vêem-se olaias, pinheiros, cedros, tuyas, murrayas brasileiras, sterculiácias australianas, etc., tendo nos intervalos as lindas roseiras, craveiros, dálias e tantas outras plantas de deliciosas flores (…)», escreveu C. Ribeiro. Em 1984, a Câmara Municipal de Lisboa inaugura o assentamento de um busto em homenagem da nação peruana a Portugal, a Garcilaso de La Vega, um inca, oferecido pelo Peru e modelado por Baça Rossi.

Em 1996, a presença de vários edifícios de elevado valor arquitetónico nesta área tradicional de Lisboa, sendo de destacar a qualidade arquitetónica dos edifícios de fachada coberta de azulejo, nos números 22 a 24 (classificados como Imóvel de Interesse Público) e o edifício da Faculdade de Ciências Médicas, justificou que fosse atribuída a classificação do conjunto habitacional do Campo dos Mártires da Pátria, juntamente com as suas vizinhanças de interesse histórico, artístico ou pitoresco nas freguesias dos Anjos, Coração de Jesus, Pena e São José, como Imóvel de Interesse Público.

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