A quinta onde se faz turismo religioso

Em pleno Alentejo, entre searas e sobreiros, no silêncio e na tranquilidade dos campos de uma rica região de tradições, a Quinta de São João e Zambujeiro aposta num turismo distinto.

Situada na courela da Herdade da Comendinha, era conhecida por Horta das Taipas da Parede Furada. A Quinta de São João e Zambujeiro, que pode ver nesta galeria de imagens, foi construída por João Nunes Ramos em 1715. O seu nome deriva da capela aí erguida, capela de São João Baptista. No ano de 1872, foi comprada à família fidalga dos Mello pelo lavrador José Joaquim Gonçalves e, desde então, sempre foi propriedade da família Gonçalves.

As últimas descendentes da família, as irmãs Violante e Cremilde Gonçalves, não tendo herdeiros e querendo perpetuar o nome da família, doaram a quinta, bem como todos os outros seus bens e propriedades, à Fundação António Gonçalves. Ainda enquanto vivos, José Joaquim Gonçalves e Maria Joaquina Carneiro Gonçalves, os pais, utilizaram a sua fortuna pessoal, conseguida através de árduo esforço, na ação de beneficência aos mais necessitados.

Segundo Muralha, em 1933, «a sua ação de beneficência pela pobreza foi enorme, e maior ainda talvez a da sua esposa. Que o digam os pobres de São Vicente, Barbacena, Santa Eulália e Elvas. Ainda hoje, da mente de quem estas linhas escreve, não desapareceu aquela romaria, ininterrupta, de pobres, crianças e aleijados, que à Quinta de São João vinham receber socorros maternais, e, muitas vezes, até morais».

Obra de beneficência continuada por seu filho António Joaquim Gonçalves, que citando uma vez mais Muralha nos conta isso mesmo. «Condoído e bom, é ele que, muita vez, a maior parte das vezes, leva a assistência médica e religiosa ao povo de São Vicente, sendo muito notáveis os serviços que lhes prestou na pneumónica, em 1918, transformando a sua casa em uma verdadeira casa de hóspedes», escreveu.

«Dos médicos e padres e de quantos, em quaisquer funções, iam ali», prossegue o relato da primeira metade do século XX. «Ao mesmo tempo que organizou, na sua casa, uma pequena ambulância, com os medicamentos mais urgentes, para melhor poderem acudir aos desgraçados e aos enfermos», pode ainda ler-se.

Enquadramento paisagístico e arquitetónico

A Quinta de São João e Zambujeiro desenrola-se ao longo de um eixo de aproximadamente 300 metros, desde a casa que se situa a uma cota superior e dirige-se para sul em direção a Espanha, ao Rio Guadiana. Após um pequeno desnível e dobrando o pátio central, deparamo-nos com uma ampla variedade de tipologias condicionadas por elementos físicos, geologia, exposição aos elementos climatéricos, relevo e recursos hídricos.

A esses, reúnem-se a vegetação e elementos construídos, e ainda os usos específicos de cada área. Tudo isto regido pelos princípios estéticos da época, basicamente o estilo de jardim francês que se pode encontrar em grande parte da área da quinta. Os jardins formais imediatamente adjacentes à casa, e a graciosa rua dos loureiros vincam bem a mestria na organização do espaço exterior pela simbiose notável que estabelecem com a casa.

O jardim de buxo, o jardim de São João, a casa de campo, o pomar das pereiras, os tanques e pontos de água, a horta, a mata, os terrenos agrícolas e a variada biodiversidade, são igualmente elementos essenciais, indicadores da diversidade visual, funcional, ecológica e paisagística da propriedade.

Caracterizada por uma estrutura formal geometrizada de composição simétrica e retilínea, inclui lugares de traçado organicista igualmente geometrizado pelo que a Quinta de São João e Zambujeiro representa um bom exemplo do paisagismo modernista, de influência francesa.

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