Fátima: Um regresso a casa

A farmacêutica Manuela Quartau leva-nos numa viagem por Fátima.

A 13 de maio

Texto de Sónia Balasteiro

Fotografias de Pedro Loureiro

Ao entrar no Recinto da Oração, em Fátima, a sensação é familiar, de paz. Há intimidade e reconforto enquanto se percorre o espaço – como no regresso a casa de uma mãe. Na extremidade mais alta, a abraçar o Santuário mariano, vê-se a Basílica de Nossa Senhora do Rosário, imponente no estilo neobarroco, a erguer-se ao céu. Era aqui que os pastorinhos brincavam quando viram o clarão.

Céu, céu e mais céu – vê-se de qualquer ponto – envolve-nos. Este é um daqueles sítios onde o céu é o grande senhor, omnipresente. A nossa guia, a bem-disposta farmacêutica Manuela Quartau, conhece todo este espaço, envolto por colunatas.

Visita-o com frequência em busca do auxílio de Nossa Senhora. «Ainda ontem cá estive», conta ela.

Logo abaixo da Basílica, vê-se a grande azinheira que testemunhou de perto as aparições de Nossa Senhora pela primeira vez, em 1917, ainda a Cova da Iria era apenas paisagem de serra. A seu lado, a Capelinha das Aparições, de onde os peregrinos levaram a azinheira onde surgiu Maria. Muitos fiéis conversam com Nossa Senhora, em oração.

Este ano, comemora-se o centenário das aparições. Espera-se a vinda de mais peregrinos do que o habitual e os hotéis multiplicam-se à volta da Cova da Iria.

Apesar da promessa de chuva, o Sol abençoa a manhã com os seus raios, mas o imenso céu continua branco. O ar está frio, muito frio. «Sabemos sempre quando está a nevar na Serra da Estrela, porque faz mais frio aqui. É muito perto em linha recta», explica Manuela por entre os ramos.

A sua história está ligada a Fátima. Nasceu numa aldeia próxima e foi para um colégio da cidade que foi enviada, em pequena, para completar a quarta classe, ainda os seus pais estavam emigrados em França. Hoje tem a farmácia em Fátima, na Avenida Beato Nuno. Foi ali que nos recebeu, de sorriso franco, trazendo-nos a este lugar, de que é íntima.

O tocar do sino lembra-nos a solenidade do Santuário. Ao longo do imenso recinto, vê-se fiéis de joelhos. À volta do espaço, as árvores grandes dançam, agitadas pelo vento.

Na outra extremidade, está a redonda Basílica da Santíssima Trindade, mais recente, de linhas simples, com o seu enorme painel do presbitério sobre o altar, moldado em terracota dourada, evocando com o seu brilho devoção e amor.

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