Míldio do tomateiro também afeta plantações em vaso

Os produtos com sulfato de cobre e oxicloreto de cobre e a calda bordalesa ajudam a combater esta praga mas existem outras formas de controlar esta doença das espécies botânicas

Míldio pernospora (Phytophthora infestans) é o nome desta doença que se caracteriza por ser um fungo, por muitos considerado protista, que apresenta esporângios (conídeos) em forma de limão e aparece com muita frequência em Portugal, causando grandes danos na cultura do tomate, sobretudo nas grandes plantações. Nas pequenas hortas urbanas e até nas varandas, quando cultivado em vaso, também acaba por afetar os exemplares da planta. No que toca ao ciclo biológio, este pode reproduzir-se sexuada ou assexuadamente.

Os zoósporo assexuados são capazes de viver como saprófito (decompositores), podendo resistir no solo muito tempo após a morte e remoção das plantas hospedeiras.  O fungo propaga-se pelos restos das plantas contaminadas e percorre grandes distâncias, ajudado pelo vento e chuva. A humidade relativa elevada (90%) com pluviosidade superior a 20 milímetros, temperaturas entre os 10º C e os 27º C, noites frias e dias moderadamente quentes favorecem o desenvolvimento deste fungo. Bastam entre sete e dez horas com estas condições para estimular este patogno.

Pelo contrário, dias secos e temperaturas próximas dos 30º C destroem o míldio. A penetração faz-se pelos estomas. As plantas mais sensíveis são as batatas, os tomates e outras solanáceas, bem como algumas plantas espontâneas. Os ataques são repentinos, surgem durante períodos húmidos e chuvosos e aparecem manchas castanhas escuras nas folhas, caules e nos frutos, que também ficam ligeiramente enrugados. Nas folhas, aparecem nos folíolos manchas descoradas e translúcidas que se tornam mais escuras e secam. Em casos de elevada humidade, desenvolve-se um pó branco e os tecidos ficam mais frágeis.

As lesões mais comuns

Nos frutos, as manchas pardacentas oleosas, deprimidas (superfície áspera) com contornos sinuosos, aparecem em qualquer ponto, mas com maior frequência à volta do cálice. No caule, aparecem lesões no parênquima, extensas a nível longitudinal e transversal, levando à morte das partes superiores da planta. Para prevenir o ataque deste fungo, utilize variedades mais tolerantes ou resistentes ao míldio. Regue por baixo (gota a gota) e use métodos de condução arejados, com compassos mais largos. As variedades não devem ser muito vigorosas.

Limpe sempre os restos das culturas no final, faça rotações superiores a quatro anos, controle os adubos azotados, monde as infestantes e aplique composto e mulching. Pode ainda travá-lo, recorrendo a uma solução química biológica. Efetue, para isso, tratamentos intervalados de 7 a 14 dias, com produtos que contenham cobre (sulfato de cobre e oxicloreto de cobre) e calda bordalesa. Também pode recorrer a produtos contendo extrato de alho, cavalinha e macerado de urtiga.

Texto: Pedro Rau (engenheiro hortofrutícola)

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