Cuidar dos espaços verdes em tempo de crise

As recomendações dos especialistas para uma gestão mais eficiente

Numa época em que a nossa sociedade atravessa crises a vários níveis, os espaços verdes não são uma exceção e também a sua gestão implica decisões conscientes. As preocupações ambientais com a sustentabilidade são cada vez mais a temática dominante, pelo que se vai tornando fundamental unificar os conhecimentos e as boas práticas, desde a conceção ao desenvolvimento e à gestão dos espaços verdes.

Plantas não adequadas ao clima por má escolha de espécies, frequentemente exigentes em manutenção, extensos relvados a serem regados intensivamente todos os dias, sistemas de rega não eficientes, podas de árvores castradoras e inaceitáveis, são apenas alguns dos exemplos do que ainda se faz na área dos espaços verdes. Apesar dos bons esforços, muito há ainda a fazer.

Uma das chaves deverá passar pelo intercâmbio de conhecimento entre as várias áreas. É de facto aqui que reside um aspeto importante, de modo a abranger não só os projetistas como também os responsáveis pela gestão e manutenção dos espaços verdes, sejam eles jardineiros ou engenheiros. Unir esforços é, assim, fundamental.

No nosso cenário, assistimos frequentemente a algumas situações:

- Projetistas limitados à sua área profissional

Os projetos carecem da sensibilidade necessária. Ao não serem concebidos transversalmente, por falta de formação ou trabalho em equipa, traduzem-se frequentemente em espaços pouco sustentáveis e com problemas por vezes graves.

- Técnicos/responsáveis pela gestão/manutenção dos espaços verdes

Com outro conhecimento da realidade e dos aspetos práticos, acabam por lidar com vários problemas em obra e nos tempos que se seguem, resultantes de más conceções.

- Operacionais sem formação/desatualizados

Com um papel fundamental, estão por vezes ainda agarrados a práticas desatualizadas, não estando por dentro daquelas que seriam as recomendadas na execução e manutenção dos espaços verdes.

Perante estas situações, torna-se unânime a necessidade de alguma forma induzir, a montante, a comunicação e partilha de conhecimentos, manifestada na formação transversal entre arquitetos, paisagistas, engenheiro) e, a jusante, a reciclagem de conhecimentos nos operacionais e técnicos. Se por um lado há conhecimentos estabilizados e de certa forma legislados entre os profissionais dos espaços verdes, há naturalmente todo um conjunto de boas práticas que carecem ainda de uma regularização e uniformização.

Futuramente, o caminho deverá ser, cada vez mais, no sentido de unir esforços para que o conhecimento e a experiência sejam partilhados e possamos ir corrigindo, com sensibilidade e determinação, os erros a que ainda assistimos, negligenciados um pouco por todo o lado.

Instrumentos

Felizmente, cada vez mais se vão encontrando bons esforços, desde a realização de cursos, palestras, workshops, publicações, artigos, conferências, entre tantas outras iniciativas. Direcionadas muitas vezes para técnicos, profissionais e estudantes das áreas, vão sendo preenchidos por cidadãos interessados e sensíveis às temáticas dos espaços verdes.

As associações assumem também aqui um papel importante. É o casos dos núcleos agregadores de informação e profissionais, onde é possível partilhar conhecimentos e obter apoio a várias questões associadas aos espaços verdes. É aqui que encontramos a Associação Portuguesa de Espaços Verdes (APEV), uma associação sem fins lucrativos, aberta a todos os interessados que, de alguma forma, tenham afinidade com os espaços verdes em Portugal.

Constituída em 2010 por um conjunto de profissionais, tem o objetivo de melhorar a qualidade os espaços verdes em Portugal. A concretização deste objetivo passa por realizar um trabalho abrangente, a vários níveis, nomeadamente na defesa de um mercado mais justo, leal e respeitado. Esta associação vem preencher uma lacuna em Portugal, sendo membro da ELCA (European Landscape Contractor Associacion), e pretende ser um local de debates de ideias com o objetivo de proteger e desenvolver o setor dos espaços verdes.

A APEV pretende estabelecer uma ponte entre o Estado e os utilizadores, tornando-se uma referência na área dos espaços verdes, nomeadamente normalizar, estudar e promover, sem limitação, todos os negócios ou atividades profissionais relacionadas com a organização, planeamento, desenvolvimento, adequação, correção, execução, construção, conservação e manutenção de espaços verdes e/ou a gestão e preservação dos ecossistemas associados a estes no território português.

Pretende promover estudos, tecnologia, métodos, educação, formação e ações que promovam a sustentabilidade ambiental e conservação dos recursos naturais no âmbito dos espaços verdes. Tem também por missão manter e estreitar o relacionamento pessoal e profissional entre os seus associados, incentivando igualmente todo o tipo de colaboração entre estes e a comunidade científica e universitária.

Está atualmente organizada em comissões por área de atividade, com coordenadores específicos, focados em desenvolver e catalisar cada uma dessas áreas. Pretende-se criar condições para que cada sócio encontre o seu espaço de interesse, se reveja, beneficie e contribua, de forma útil. Os membros vão desde estudantes e profissionais a empresas e instituições, no fundo todos aqueles que estejam abertos ao debate, que se pretende o mais alargado e multidisciplinar possível.

O site que lhe permite esclarecer dúvidas

Não estão, no entanto, excluídos os cidadãos não profissionais, que têm, como qualquer sócio APEV, a oportunidade de ter acesso a todo um conjunto de informações à distância de um simples clique. Têm nomeadamente a possibilidade de aceder a conteúdos normativos e boas práticas na área dos espaços verdes, informação sobre pragas e doenças, acesso às principais notícias e eventos, entre tantos outros conteúdos.

Aceda à página inicial do site da APEV, entre no fórum e tire hoje mesmo aquela dúvida que sempre quis esclarecer sobre os espaços verdes, junto de técnicos especializados. Porque os espaços verdes são afinal uma pequena parte de um espaço maior, o planeta, onde todos nos encontramos e cuja sustentabilidade depende de todos.

Texto: Cristina Ferreira (arquiteta paisagista)

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