Casas-ninho ajudam chapins a combater processionária

Aprenda a fazer o controlo ecológico de uma praga devastadora que tem vindo a afetar o país. Uma patologia ambiental que já deu origem à criação de uma marca

O município do Seixal terá sido pioneiro na colocação de casas-ninho para chapins como forma de combater a processionária do pinheiro (Thametopoea pityocampa), uma praga que afeta também outras resinosas e que representa um problema sério de saúde pública. Foi o sucesso alcançado por esta autarquia que levou Mariana Norton a desenvolver, há cerca de quatro anos e meio um projeto de sensibilização e comercialização de abrigos para chapins junto de empresas, escolas e particulares.

«Tinha o problema da processionária na minha propriedade do Alentejo e quando soube desta solução coloquei algumas casas-ninho para promover a fixação de chapins no local», explica à Jardins. Os excelentes resultados obtidos foram determinantes para se lançar na aventura da comercialização destes abrigos e criou uma marca que serve de suporte comercial mas também para sensibilizar para esta problemática que afinal acaba por afetar todos, a My Nature.

O chapim é um dos principais predadores da largarta do pinheiro mas, como em Portugal a população é reduzida pela falta de abrigos, torna-se difícil atrair estes pássaros para os locais, onde podem ter uma ação ecológica e protetora dos efeitos nefastos da Thametopoea pityocampa. Através da sua dieta, os chapins controlam algumas pragas, principalmente a processionária, e contribuem de forma natural para o equilíbrio do ecossistema.

A solução mais ecológica (existem outros métodos como a aplicação de produtos com substâncias ativas como o diflubenzurão e a tebufenozida e inseticidas microbiológicos à base de Bacillus thuringiensis que requerem manuseamento por pessoal habilitado) é a colocação de casas-ninho em zonas afetadas, onde os chapins podem nidificar e reproduzirem-se em ambiente controlado e seguro relativamente aos seus predadores, nomeadamente o esquilo, o gavião, o cuco e o pica-pau, entre outros.

Como um dos seus petiscos preferidos é precisamente a processionária do pinheiro, exercem um papel determinante no combate a esta praga que de norte a sul causa graves prejuízos económicos e riscos sérios de saúde para populações e animais. Daí a necessidade de aprender a fazer o controlo ecológico de patologia ambiental com efeitos devastadores.

Reações alérgicas

A processionária, por sua vez, é um inseto desfolhador dos pinheiros e cedros que pode provocar alergias na pele, no globo ocular e no aparelho respiratório do ser humano e dos animais domésticos e de grande porte. Nos cavalos, por exemplo, pode mesmo conduzir à morte por infeção das patas. Nos cães, por sua vez, pode levar à queda dos lábios e da língua e, consequentemente, à morte dos animais.

Esta praga pode ser encontrada em pinheiros de todas as idades, especialmente em pinhais jovens. As lagartas vivem em grupos e alimentam-se nas imediações do ninho durante os períodos mais frios do dia. Ao alimentarem-se das agulhas dos pinheiros retardam o seu crescimento e podem levar à morte das espécies. Na zona do Mediterrâneo é mesmo considerada a praga mais prejudicial para os pinhais.

A partir do meio do ciclo de vida, no inverno, possuem pelos com elevado potencial alérgico que lançam quando ameaçadas. O ciclo de vida da processionária compreende cinco fases. Quando atingem o quinto estádio abandonam os ninhos e dirigem-se em procissão (origem do nome processionária) para o solo. Nesta fase penetram no terreno e passam à fase seguinte de pupa ou crisálida para evoluírem para a de inseto adulto que emerge no verão. É nesta fase que podem desencadear reações alérgicas.

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