Hospitalidade: o dom de Caranguejo

Qual é a primeira coisa que lhe ocorre quando pensa em Hospitalidade?

Possivelmente em qualquer coisa parecida com a actividade de receber outros, como hóspedes ou visitantes, proporcionar-lhes alojamento e alimentação, atender às necessidades específicas de quem está deslocado do seu próprio lar e tem necessidade de se sentir confortável e acolhido; ou ocorre-lhe o conceito da capacidade relativa de um indivíduo, organização ou país de bem receber quem o visita, e nesse sentido falaríamos de um povo, ou de um local, ou de uns amigos, hospitaleiros.

Levando um pouco mais longe a ideia, talvez possamos associar Hospitalidade com partilha (de espaços, recursos ou comodidades), com a oferta de segurança, conforto e protecção, com generosidade ou carinho a quem precisa.

Abstraindo-nos das especificidades inerentes a cada exemplo possível de Hospitalidade, poderíamos formulá-la, de forma genérica, como uma atitude atenta, disponível e aceitante das necessidades alheias e o poder de as atender, preencher, ou cuidar.

É evidente e sugestiva a raíz etimológica de hospitalidade, hospital e hospício, já que partilham da propriedade comum de atender a outros e às suas necessidades. E da mesma raíz também derivam hospedagem, hotel, hostel, hóspede e hospedeiro (de bordo), ou hospedeiro (de um parasita) - sendo que aquele também recebe este “em casa” e o alimenta, mas não propriamente por escolha ou generosidade. Alberga-o mas não o acolhe.

Menos evidente, ou conhecido, é que etimologicamente hóspede significava quer aquele que recebia, quer aquele que era recebido – a mesma palavra era indistintamente usada para ambos.

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