Autonomia: o dom de Carneiro

Autonomia: a qualidade de se nomear a si próprio. A capacidade de se definir, afirmar e fazer vingar quem se é. Auto-nomos: nomear a sua própria regra, definir-se, depender de si mesmo. Ser independente.

Ser independente, ou autónomo, é fundamental - não só como condição da dignidade e auto-respeito pela própria existência, mas também para que quaisquer relacionamentos, acordos, negociações ou parcerias possam funcionar na sua vida.

Eu só posso ceder, negociar, fazer concessões, ir ao encontro da necessidade do outro em respeito pela minha própria, depois de aprender a afirmar, salvaguardar e defender o meu próprio território e interesse egoístico. Uma relação – seja de natureza pessoal ou profissional - é uma dança entre dois indivíduos, isto é, entre dois seres conscientes dos seus próprios interesses e necessidades e capazes de as afirmar e lutar por elas.

O meu “sim” ao Outro só começa a ter valor quando eu sou capaz de dizer “sim” a mim próprio primeiro - mesmo que isso implique dizer “não” ao outro. Antes de ser capaz de dizer “não”, o meu “sim” na verdade ainda não tem valor.

Independência e autonomia são, assim, condições fundamentais para aprender a ser interdependente, isto é, aprender a partilhar, cooperar, trocar com benefício de todos os envolvidos. Mas não à custa do sacrifício da própria verdade – isso degenera em opressão, dependência, ressentimento, agressividade mal-resolvida, e resulta inevitavelmente em conflito, aberto ou dissimulado, e todos perdem com isso.

O direito individual à existência precisa ser defendido e afirmado, em nome da força de vida que se expressa e cumpre através de cada um de nós. Todos precisamos ser capazes de desbravar por nós mesmos o nosso próprio caminho, estar em paz com o facto fundamental de que em última análise estamos sós, e sobre os nossos próprios pés, frente à nossa própria vida, e que cada alma tem o seu próprio caminho.

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