Abundância: o dom de Touro

O Universo é abundante. E abundare significa “vir em ondas”.

Grande parte do que chega até si é trazido pelos misteriosos e insondáveis meandros cósmicos. Não depende tanto do seu esforço, vem até si como uma onda que ressoa, e responde, à sua própria “onda” energética.

A abundância não se sujeita, compadece, ou é conivente com o medo, pois é, antes de mais, uma resposta da Vida à nossa própria confiança nela. E não consiste numa batalha de puxa-empurra contra o que não se quer, desviando-se, puxando-se a si próprio para a frente, empurrando para o lado os outros na tentativa de obter o que quer, de evitar perder o que já tem - enquanto tenta obter todas as outras coisas que também deseja mas ainda não tem, ao mesmo tempo que evita perder as que quer e já tem, e tenta livrar-se, por cima disto tudo, daquelas que ainda tem mas já não quer, e ainda lida com todas aquelas - mais difíceis de aceitar ou reconhecer - que também deseja, ou com que sonha, e que não admite para si próprio.

Não, essa luta não é abundância. Aliás, abundância e luta são termos contraditórios. Essa luta é, quanto muito, uma tentativa de obter segurança – nascida do medo e da crença no esforço, nascida da ilusão da separação em relação ao todo do universo, nascida da permeabilidade a valores culturais e sociais colectivos de uma sociedade desalmada, sem espaço para o divino, o mistério, e o milagre. A luta pela segurança não dignifica – antes diminui - a natureza, a potência criadora e a divindade do ser humano.

A luta pela segurança nasce do medo – e isso diz tanto acerca da sua qualidade essencial, e da sua capacidade de nos condicionar se lhe entregarmos esse poder.

Segurança e abundância são coisas profundamente diferentes.

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