Neptuno, o Senhor dos Mares

Nada é por acaso e não é de estranhar que, sendo o tema desta crónica a última deste ciclo, o Senhor dos Mares, me tenha perdido no tempo e tenha navegado à deriva antes de a iniciar.

É fácil perdermo-nos em Neptuno… Por isso, o melhor, para me reposicionar, é mesmo começar pelo início, contando sobre o seu nascimento.

Talvez ainda se lembrem que Saturno, o pai de Neptuno, tomado pelo medo de ser destronado, devorava os seus filhos. E que Reia, que já estava mesmo cansada de perder os seus rebentos, engendrou uma forma, assim como tinha feito com Júpiter e com Plutão, de esconder Neptuno da fúria devoradora de seu pai entregando-o a uns pastores para que fosse criado longe de perigos.

Quando o temor de Saturno se concretizou e os seus próprios filhos, por razões que ele próprio alimentou com o seu medo de perder o poder, o expulsaram do trono Olímpico, coube a Neptuno, como recompensa pela participação revoltosa, o reino das águas e assim chegou ao cargo de Senhor dos Oceanos.

Como símbolo do seu poder, usa o tridente com o qual abala a terra e os oceanos, criando os terramotos e os maremotos. Com o seu toque, faz brotar água e tem o direito de criar as grandes secas e as grandes inundações. É no fundo do Mar Egeu que tem a sua moradia, num belo palácio de ouro, e percorre o seu reinado numa carruagem, seguida por milhares de nereidas, hipocampos, delfins, ninfas e todas as deslumbrantes criaturas marinhas que encheram a imaginação de todo o tipo de artistas.

A criação do cavalo, a partir de um pedra usando o seu tridente, foi o seu contributo para a competição com Atena numa disputa pelo poder sobre a cidade de Atenas. Numa reunião no Olímpo, os deuses deliberaram que o domínio da cidade seria atribuído a quem fosse capaz de desencantar o presente mais útil á Humanidade. A sua oferta á humanidade, que lembra um pouco o significado de Sagitário,(cujo símbolo é um centauro, misto de homem e cavalo) não foi, no entanto, capaz de vencer a oliveira criada por Atena. (Está visto que para os Deuses o alimento, a vida e a luz que a oliveira representa valeram bem mais que tudo que o cavalo significa…)

Este rei aquático era conhecido pelos seus poderes mágicos que usava para se disfarçar fazia-se envolver por uma nebulosa aura, atraindo com ela magneticamente as mulheres dos outros. Aproveitando com isso para as roubar e seduzir. Dizem as más-línguas que, uma vez que recebeu no seu reino os órgãos castrados de Saturno, também participou na progenitura de Vénus, a deusa do amor saída das suas águas, ou seja, deu início ao princípio da paternidade partilhada. E esta não é sua única filha famosa nestas andanças mitológicas, é possível que também conheçam Medusa e as suas várias cabeças e ainda Atlas que carregou o mundo nas suas costas. Há ainda quem lhe atribua a progenitura de Pégasus, ( a sua mania dos cavalos) embora não seja consensual este facto. Quem está habituado a ler nas entrelinhas mitológicas, já percebeu, entretanto, o essencial da simbologia deste planeta no enredo astrológico.

Neptuno representa o sonho, as fantasias mas também o vício. Nele não há limites e é impossível detê-lo. Tal como as suas águas, traz prazer, inspiração, mas pode afogar em destruição. Se observarmos a época em que foi descoberto o planeta, encontraremos algumas pistas sobre os seus múltiplos significados. Assim o nascimento da Cruz Vermelha, a criação dos Direitos Humanos, os contributos de Freud com a hipnose de depois com a psicanálise, o conceito de inconsciente colectivo de Carl Jung, o aparecimento da fotografia e do cinema e a sua inevitável criação de mitos e ilusões transmitidos massivamente. São bons exemplos da carga simbólica atribuída a Neptuno.

Como o seu ciclo pelo zodíaco leva 168 anos a completar, isto equivale a dizer que fica em cada signo aproximadamente 12 anos. Assim o signo de morada para cada geração, do Rei dos Oceanos, fala-nos sobre os mitos captados pelo inconsciente colectivo de cada geração. A sua morada no nosso mapa natal mostra onde procuramos pelo absoluto, onde teremos que lidar com a desilusão que segue, inevitavelmente, a ilusão, e indica o nosso roteiro para o caminho espiritual.

Como vem sendo habitual, fica a sugestão para procurarem um tradutor competente que vos ajude a entender melhor o que Neptuno tem a dizer sobre o vosso plano individual de vida e, de que forma, melhor o podem sintonizar. Procure perto de si, ou até longe, se quiser aproveitar as novas tecnologias, um(a) astrólogo(a) e logo ficará mais claro o caminho a seguir… Até já,

Carmen Ferreira AstrólogaTel: 225028162 / 916324459
969607594 / 939224361 nemsodelua@gmail.com

http://nemsodelua.blogspot.com

O que procura?

Comentários