O clímax como objetivo final

Saiba como evitar que o trabalho, as contas por pagar e a crise afetem a sua relação

Por vingança. Por pena. Por obrigação. Por amor. Uma pesquisa realizada por Cindy Meston e David Buss revelou 237 razões que levam as mulheres a ter sexo.

O trabalho dos investigadores da Universidade do Texas deu origem ao livro «Porque é que as Mulheres têm Sexo? A Psicologia do Sexo Contada por Elas», editado em Portugal pela Sextante Editora.

Mas se as razões são várias, será que todas tiram prazer da relação sexual? «Muitas mulheres referem ter dificuldades. Algumas estão conformadas, mas outras vivem esta realidade de forma muito frustrante. Sentem-se culpadas e pressionadas pelos parceiros», conta Vânia Beliz, a especialista em Sexologia que traça, nas linhas que se seguem, os vários caminhos rumo à satisfação. Aproveite para melhorar a sua intimidade!

Estímulos vitais

O crescente volume de informação e a abertura para falar de tudo o que esteja relacionado com a sexualidade foram determinantes para ajudar as mulheres a descobrir que o prazer é possível. «A estimulação é muito importante para a satisfação sexual das mulheres. No estudo que realizei sobre masturbação feminina e orgasmo no coito, as respostas não podiam ser mais evidentes», explica Vânia Beliz.

«As mulheres precisam de estimulação adicional durante a penetração para conseguirem atingir o orgasmo. E a maioria refere a zona clitoriana como fonte de prazer», sublinha. «É preciso que o homem perceba que o clítoris é um órgão eréctil e que o estimule de forma suave, esquecendo os ensinamentos da pornografia, que tanto ludibriam os casais», alerta ainda.

Versão oral

No livro «As Senhoras Primeiro» (A Esfera dos Livros), Ian Kerner, sexólogo norte-americano, declara que o sexo oral é a melhor forma de conduzir uma mulher ao longo de todo o ato sexual. «Não se trata de um antecedente, um preliminar, mas sim do prato principal», sublinha o autor que teve ele próprio de enfrentar uma disfunção sexual, a ejaculação precoce. Ian Kerner defende o adiamento da «gratificação masculina até ao momento em que a mulher tenha chegado ao seu primeiro orgasmo durante a sessão de atividade sexual».

Segundo o sexólogo clínico, adiar «tem o benefício duplo de assegurar a satisfação feminina, ao mesmo tempo que aumenta significativamente a qualidade do clímax masculino». Apesar de ser gratificante para algumas mulheres, nem todas se sentem à vontade para usufruir de sexo oral. «A estimulação com os dedos parece ser ainda mais eficaz», alerta Vânia Beliz.

O orgasmo é indispensável?

«A satisfação sexual feminina não parece depender apenas do orgasmo. No estudo que realizei, a maior parte das mulheres refere ter maior capacidade para atingir o clímax sem penetração, mas diz sentir mais satisfação com ela», explica Vânia Beliz, «isto confirma as teorias que referem que a penetração confere uma perceção de maior intimidade, variável tão importante no prazer».

Na opinião da sexóloga há caminhos diferentes para chegar ao mesmo destino. «Existem mulheres que têm orgasmos apenas com estimulação externa do clítoris e mulheres que apenas chegam a ele com a penetração na vagina. Existem mulheres que têm orgasmos explosivos, em que tudo treme, em que choram ou gritam e mulheres mais contidas no seu prazer, mas igualmente satisfeitas. Todas somos diferentes, por isso, cada uma deve procurar o seu prazer», elucida.

Quando não acontece

Mesmo após intensas sessões de preliminares, onde o casal dá largas à sua imaginação, existem mulheres que não conseguem chegar ao clímax. Neste caso, os especialistas falam em anorgasmia, ou seja, uma incapacidade de atingir o orgasmo. Estima-se que este problema afeta uma em cinco mulheres e na sua origem podem estar fatores biológicos, psicológicos, como stress, sentimentos de culpa ou traumas do passado, e relacionais.

Também aqui a sintonia entre os elementos do par é imprescindível. Para a sexóloga, é importante que o casal se «sincronize e compreenda as preferências de cada um. Devem dialogar bastante e falar abertamente dos medos e inseguranças», sublinha Vânia Beliz.

Caso note dificuldade frequente em sentir prazer na relação sexual, fale com o seu médico assistente para despistar um eventual problema ou encaminhá-la para ajuda especializada. A solução pode passar pela realização de terapia ou até alterações no estilo de vida.

Contrariar os mitos

Mas será que a vida sexual satisfatória é determinante na relação? Um estudo recente publicado nos Archives of Sexual Behavior veio provar que as carícias e demonstrações de afeto ajudam a melhorar a satisfação nas relações longas. A pesquisa deitou ainda por terra o mito segundo o qual as mulheres dão mais importância aos carinhos que os homens.

«Estes são mais propensos a relatar felicidade na sua relação e as mulheres mais inclinadas a estar satisfeitas com as relações sexuais», apontaram os investigadores do Instituto Kinsey, da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos da América. Vânia Beliz deixa um conselho a todos os casais.

«Observem-se, escutem-se, cativem-se, não deixem de dizer ao outro o que sentem. Explorem-se e excitem-se. Encontrem o espaço do «nós» e não se tornem apenas pais e inquilinos da mesma casa», sugere. Porque a demonstração de afetos, a partilha e os pequenos gestos diários, de parte a parte, são fundamentais na equação de uma intimidade feliz e saudável.

A dois

O orgasmo pode alterar o estado de consciência na mulher. Cientistas da Universidade de Gröningen, na Holanda, analisaram o cérebro feminino durante o orgasmos e verificaram que uma área se desligava quando eles atingiam o clímax.

Truques para pôr a intimidade na ordem do dia:

- Certifique-se de que o seu quarto é um território de paz, sem televisões, berços ou outras distrações

- Na hora de ir para a cama, ignore as preocupações e evite falar de assuntos como empréstimos bancários

- Coloque uma luz mais suave e apaziguadora no quarto

- Desafie o seu parceiro a dormirem mais vezes nus ou até a verem um filme romântico/erótico que abra o apetite para fantasiar.

Texto: Sónia Ramalho com Vânia Beliz (especialista em sexologia)

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