Já leu algum romance erótico?

Se não, talvez esteja na hora de o fazer. Especialistas confirmam que a literatura erótica estimula a líbido e melhora a vida sexual dos casais

Não é por acaso que depois do famoso romance erótico de Erika Leonard James, «As Cinquenta Sombras de Grey» ter sido adaptado à tela de cinema, as mulheres tenham ficado mais despertas para o sexo... Segundo um estudo realizado recentemente em Espanha, pela consultora TNS, 60% das mulheres diz ter aprendido «coisas novas», 35% consideram haver «um antes» e «um depois» na sua vida sexual. Cerca de 33% aumentaram mesmo a frequência das relações sexuais.

As evidências provam que as histórias eróticas, em livro ou em filme, são excelentes afrodisíacos e uma ótima «ferramenta» para estimular o desejo sexual. «Este género de livros e filmes pode ajudar os casais na criação de novas fantasias sexuais, mas também a enriquecer o seu reportório sexual e a falarem mais sobre as diversas práticas sexuais, e, consequentemente, a estimular o desejo sexual», afirma Fernando Mesquita, sexólogo e terapeuta sexual.

Quando recorrer à literatura erótica?

Qualquer casal poderá beneficiar da leitura e/ou da visualização de conteúdos eróticos. No entanto, a sua indicação é mais frequente e eficaz nos casos de desejo sexual hipoativo ou de anorgasmia (dificuldade ou incapacidade de atingir o orgasmo). Nos casais de longa duração, o recurso à literatura erótica também poderá ser uma ferramenta útil para reacender a chama. «Os livros e filmes eróticos podem ser motores para relançar ou descobrir o desejo», refere Vânia Beliz, psicóloga clínica, mestre em sexologia.

«Muitas vezes, a dificuldade de excitação advém da dificuldade em fantasiar e o erotismo, através da escrita ou de algo mais visual, pode fazer diferença», explica a especialista. Fernando Mesquita concorda, mas alerta para a necessidade de haver conformidade entre o casal. «É muito importante avaliar previamente a disposição do seu companheiro para a visualização deste tipo de material. Caso não queiram ou não se sintam confortáveis, é preferível procurar outras estratégias», aconselha o terapeuta.

Não misture ficção e realidade

Se o casal está em sintonia, deverá avançar sem hesitações. Mas, antes, há que escolher um tipo de conteúdo com o qual ambos concordem, para evitar sentimentos de frustração e/ou aversão. A psicóloga Vânia Beliz lembra que «não devemos expor o outro a algo que este não queira, por isso é importante que conheçamos o outro». «Existem filmes e literatura específica. Usar o estímulo errado pode causar aversão e potenciar o objetivo contrário», refere.

O desencontro de expetativas e o sentimento de inferioridade também deverão ser prevenidos. «É necessário que recordem que a leitura/visualização destes conteúdos pode ser uma mais-valia para o enriquecimento de fantasias e partilha de experiências. Porém, é importante que reconheçam que não são obrigados a fazer o que acontece nestes livros e filmes. No sexo, o importante é que os casais tenham prazer e não devem fazer algo se não se sentem suficientemente à vontade para tal», alerta Fernando Mesquita.

Erotismo? Sim, mas na dose certa!

A literatura erótica e a pornografia são saudáveis para a vida sexual do casal. Contudo, quando a sua utilização se torna uma constante, estas poderão tornar-se aditivas. «O aparecimento da internet facilitou o acesso aos conteúdos eróticos e a oferta infindável, a par da inerente variabilidade de estímulos, aumentou o número de pessoas que são dependentes do erotismo e, principalmente, da pornografia», confirma Fernando Mesquita. Os sinais de adição são claros.

«Se o tempo que a pessoa dedica a este comportamento prejudica as relações sociais e profissionais, se a pessoa deseja parar este comportamento e não consegue evitar, e se isso lhe provoca acentuado mal-estar, estamos perante alguém dependente da pornografia», aponta o especialista. Vânia Beliz recorda que «usar estes recursos para fugir da rotina pode ser muito interessante e tornar-se muito excitante». No entanto, ressalva também que «a capacidade para atingirmos a excitação e prazer nunca deverá depender deles».

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